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Mr Robot e o outro lado da internet.

Se você é como nós aqui do NCD, é bem provável que seja um louco fissurado por seriados. O que me faz acreditar que já conheça todos eles, incluindo Mr Robot. Caso você seja um novato nesse mundo de “só mais um episódio” e maratonas, deixa que eu te apresento essa maravilha do entretenimento.

Esse é um programa criado por Chad Halminton, Sam Esmail e Steve Golin – também criador de True Detective – que teve sua estréia piloto no dia 27 de maio de 2015 em vários servidores online, para só no dia 24 de junho passar a ser exibida pelo canal a cabo USA Network. OK, mas qual é a história da série?

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Mr Robot é situada em Nova York e conta a história de Elliot (Raimi Malek), um introvertido e antissocial programador que trabalha em uma empresa de cyber segurança. Como tem dificuldades em se relacionar, uma forma que encontra de se conectar com as pessoas à sua volta é hackeando suas vidas online e tentando, dependendo de seu julgamento, ajudá-las ou prejudicá-las no mundo real.

A grande reviravolta acontece quando Elliot é abordado por um misterioso homem que o convida a participar de um grupo clandestino – e anárquico – de hackers, chamado fsociety. Esse grupo tem como seu principal objetivo destruir todas as empresas que ele tem de proteger em seu trabalho.

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Essa é uma série com um enredo cheio de nuances, que tem como objetivo – além de te divertir – te fazer pensar. Podemos entender o personagem principal como uma representação do que se tornou o ser humano na pós modernidade:  pessoas cheias de ansiedade social, devido a grande quantidade de informações jogadas para nós sem nenhum tempo para que possamos processá-las e aplicá-las de forma funcional em nossas vidas.

O mais interessante, como mostra o programa, é que as pessoas procuram refúgio de suas mentes perturbadas no próprio causador da inquietação: a internet. Na trama, Elliot tem um vício em morfina, que pode ser interpretado como a dependência que as pessoas têm na internet. Usada de forma correta, a web pode nos trazer diversos benefícios, porém, quando se perde o controle, ela passa a chefiar todas as ações de sua vida, assim como a droga usada pelo personagem.

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O drama também aproveita para criticar a falsa sensação de liberdade que temos dentro da internet. Aqui no Brasil – no dia 23 de abril de 2014 – foi sancionada uma lei que ficou conhecida como Marco Civil da Internet, que tem como principal função garantir uma convivência democrática no mundo digital. Mas até que ponto essa lei se aplica? Será mesmo que a internet é um lugar livre para sermos quem realmente somos ou estamos sendo controlados e vigiados a todo instante? Assista ao documentário Terms and Conditions May Apply e tire suas próprias conclusões.

Uma série que dialoga tão diretamente com o mundo da internet e redes sociais não tinha outro caminho se não o sucesso. Cheia de mistério e personagens que te cativam desde o início, não é de se estranhar que o programa confirmou sua segunda temporada – com dez episódios – e teve sua estréia no dia 13 de julho desse ano.

Em um show onde a primeira temporada era cheia de críticas ao controle que as grandes corporações exercem sobre a internet, seu marketing de divulgação para a segunda não poderia ser uma coisa meia boca que qualquer série por aí faz, né?

Os criadores tiveram uma ideia super original. Além dos teasers já tipicamente divulgados, algo não muito comum aconteceu. O primeiro episódio da segunda temporada, foi veiculado no dia 13 de julho, apareceu em um lugar não muito comum: as redes sociais. Durante uma Live no Facebook com os criadores do programa, tivemos a primeira exibição do piloto. Logo em seguida, foi postado no perfil de twitter oficial da série – @WhoisMrRobot – sem contar como no próprio canal de YouTube do programa.

Claramente, eles não deixariam o programa piloto no ar por muito tempo e, junto do episódio, vinha um recado avisando que em um dado momento ele seria deletado. Porém, o tempo em que ficou disponível, possibilitou que vários sites copiassem e exibissem gratuitamente online. Com essa jogada genial, os criadores fizeram um paralelo entre o mundo fictício da série e o mundo em que vivemos, quebrando um padrão e permitindo que a série fosse, podemos dizer, hackeada e pirateada, trazendo a essência de Mr Robot para a realidade.

Então, você que ainda não viu essa maravilhava, pare de perder seu tempo e corra para assistir A-G-O-R-A! E você, meu amigo, que já é tão viciado nessa série, nós aqui do NCD temos uma pergunta: o que você faria se estivesse no lugar do Elliot e fosse chamado para participar do fsociety? Nós não saberíamos o que dizer, apenas sentir.❤

Texto: Lívia Reim.
Capa: Felippe Ferreira.

 

            

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Como Girls In The House quebrou a internet

Não dá pra negar que “Girls In The House” é um dos maiores sucessos da internet brasileira atualmente. Se você discorda, talvez seja melhor atualizar seu feed do Facebook apenas para checar. Ou apenas pare de jogar PokémonGo.

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Temos certeza de que você já viu alguns memes feitos a partir do jogo de realidade virtual “The Sims” rolando por aí. Para quem não sabe, The Sims é uma série de jogos eletrônicos de simulação de vida real criado pelo designer de jogos Will Wright e distribuída pela Maxis. No jogo, é possível que você crie personagens e comande suas ações e interações, além de poder construir e decorar casas e locais públicos.

The Sims é conhecido como “o jogo da zoeira”, como o BuzzFeed gosta de listar constantemente:

19 cenas de “The Sims” que ilustram perfeitamente a nossa vida

29 vezes em que o The Sims funcionou errado e foi terrivelmente engraçado

Mas se engana quem pensa que são apenas memes aleatórios do jogo e não uma famosa websérie. GITH repercutiu tão bem na internet que a quantidade de sites fazendo matérias sobre ela é espantosa e já desbancou “Stranger Things” em comentários no Twitter e na produção de conteúdo entre os fãs.

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Entendedores entenderão!

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A zoeira da internet foi tanta que o Twitter tem o próprio “Moments” para GITH, cheio de memes e gifs criados pelos fãs que te fazem passar mal de tanto rir. 

Mas por que devo assistir Girls in The House?

A série conta a história de três amigas que vivem e administram a “Pensão da Tia Ruiva”: Alex, Honey e Duny, além de seus amigos e os vilões que aparecem no decorrer da história. A Tia Ruiva, entretanto, ainda é um elemento surpresa da série.

Inseridos em um ambiente de Cibercultura, temos a capacidade de produzir e compartilhar conteúdo. Foi o que fez Raony Philipps, o criador e produtor de GITH, além de também ser responsável por dublar todos os personagens. Sozinho, ele foi capaz de criar uma mega-produção criando vozes diferentes e utilizando imagens de um jogo que teoricamente não seriam nada especiais, mas acabaram se tornando um fenômeno da internet.

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Carregada de mistério e muita comédia, “Girls In The House” teve seu primeiro episódio postado em novembro de 2014, obtendo mil visualizações em apenas um dia de lançamento, o que motivou Raony a continuar o projeto e consolidar seu canal, RaoTV. Hoje são mais de 11 milhões de visualizações, divididas entre as duas temporadas e spin-offs.

Falando em spin-off, “Disk Duny” certamente foi o que impulsionou o sucesso da série após o terceiro episódio, “Kim expôe Taylor” ter praticamente quebrado a internet. Estrelada por Duny e sua amiga, Priscilão, os roteiros são planejados a partir de histórias recentes e escandalosas do mundo pop, como a treta entre Kim Kardashian, Kanye West e Taylor Swift, a abordagem de vários seriados ou até mesmo a hilária teoria dos brasileiros de que Beyoncé mantém a cantora Sia em cativeiro para escrever canções para ela.

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Disk Duny – 1.02 – Pesadelo em Série

A websérie que quebrou a internet

Sendo uma websérie, o YouTube gera dados e estatísticas que fornecem informações essenciais para acompanhar o andamento do canal, descobrindo que o seu aproveitamento chegue a praticamente 90%, uma vez que é quase impossível assistir a um vídeo sem querer ver todos os outros.

Raony trabalha com uma complexa mixagem de conteúdos, desde as séries da TV mais famosas até ícones do mundo POP, o que gera engajamento dos internautas que se identificam rapidamente com o que lhes é apresentado.

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Raony teve a sacada de inserir personagens que parodiassem grandes celebridades, como Rebel Wilson ou Lana del Rey.

Por mais que os jovens amem e se dediquem a seriados de televisão e ao conteúdo oferecido pela Netflix, por exemplo, eles não possuem cem por cento de identificação com os personagens e as histórias, uma vez que é tudo muito estilizado, com roteiros romantizados e pouco humor verdadeiro. Nenhum programa chegou perto do que Girls In The House fez: trazer a cultura POP e abordar gírias e bordões nascidos e ambientados na internet para as falas dos personagens, sempre adaptando as histórias ao gosto dos fãs. 

Se pararmos para analisar e comparar com a Teoria da Cauda Longa, os assuntos abordados, as referências, as celebridades inseridas nas tramas são de nichos muito específicos, direcionadas para um público que se identifica com o conteúdo apresentado.

O próprio criador disse em entrevista a Revista Galileu:

Eu acho que é importante fazer uma história em que os personagens sejam como todos nós. Falta um pouco disso nos personagens de séries em geral. Escrevo as falas de forma livre e espontânea e procuro falar a língua das coisas da nossa realidade, coisas que vivemos. Então, me sinto honrado em ter o público LGBT comigo! A série é pensada para eles também.”

Estamos em plena Cultura de Convergência.

“A convergência ocorre dentro dos cérebros dos consumidores individuais e em suas interações sociais com outros. Cada um de nós constrói a própria mitologia pessoal, a partir de pedaços e fragmentos de informações extraídos do fluxo midiático e transformados em recursos através dos quais compreendemos nossa vida cotidiana.”

É possível ver um fluxo de conteúdos através de múltiplas plataformas de mídia, Twitter, Facebook, Youtube e Instagram. Isso representa uma transformação cultural, à medida que consumidores são incentivados a procurar novas informações e fazer conexões em meio a conteúdos e plataformas midiáticas dispersas, envolvendo uma transformação tanto na forma de produzir quanto na forma de consumir os meios de comunicação. E esse é exatamente o segredo do sucesso de GITH. Estar presente em todas as redes sociais e interagir com o público constantemente.

Se você se interessou, corre pra se atualizar agora mesmo. Dia 28 estreia a 3ª temporada e, se prepare, porque as garotas da Pensão da Tia Ruiva não estão de brincadeira.

Ah, e quando acabar, faça o quiz: Quem é você em Girls In The House?. Mas se você for como a Duny…

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Leia mais em:

Hoje em Dia
Portal Lit Pop
Revista Galileu

Texto: Alessandra Santarosa
Capa: Amanda Pacheco

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Stranger Things e seu misterioso sucesso

Que atire a primeira pedra quem ainda não ouviu falar de Stranger Things!

A nova produção original Netflix vem ganhando grande destaque na internet. A trama se passa no ano de 1983 e gira em torno do súbito desaparecimento de Will. Sua mãe e irmão, após notarem sua ausência, entram em contato com as autoridades locais para iniciarem as investigações e, a partir daí, vemos que nada é tão simples como parece. A série revela vários mistérios – alguns sobrenaturais – que são desenvolvidos ao longo da temporada.

Mesmo antes de seu lançamento, Stranger Things já era alvo de comentários pela internet, graças a uma de suas atrizes, Winona Ryder, que na série faz o papel de Joyce Byers, mãe de Will. A escolha da atriz não foi por acaso, uma das estrela dos anos 1990, Winona foi uma espécie de emblema do “Cool” e é considerada um ícone por toda uma geração que cresceu assistindo os seus filmes. Sem contar que a atriz possui em seu repertório de atuações filmes como Beetlejuice e Edward – Mãos de Tesoura, ambos do diretor Tim Burtom.

Stranger things conseguiu surpreender a todos, chegando ao topo do ranking do IMDB, passando até mesmo Game Of Thrones, que possuía o posto há anos.

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Mas a pergunta que não quer calar: O que Stranger Things tem de tão especial?

A resposta é simples: a série aposta na nostalgia. Recheada de referências a obras dos anos 80 e 90, que vão desde sua trilha sonora e tipografia do título, a filmes como: ET – O Extraterrestre (1982), Aliens (1979), os Goonies (1985), entre muitos outros, além de obras de Sthepen King e Steven Spielberg. Algumas dessas referências são evidentes, porém, outras são tão sutis que só os melhores fãs foram capazes de encontrar.

Para facilitar nossas vidas, uma alma abençoada fez um vídeo comparando algumas dessas referências presentes na série com os filmes originais. E convenhamos: algumas cenas são realmente parecidas.

 

A Netflix sempre esteve de olho no Big Data, informações que vão além da capacidade de armazenamento dos bancos de dados atuais (AKERKAR, 2014). Divido em 3V’s (volume de dados, variedade de dados e velocidade de dados) o Big Data  torna-se uma ferramenta extremamente importante para a produção de conteúdos relevantes, e a Netflix sabe disso.

Há quem diga que o sucesso de Stranger Things foi resultado de uma profunda análise do Big Data, no qual o comportamento dos usuários foi identificado, estudando dados que definem o que produzir e que estimulem o consumo. Além do acesso a informações como: quando as pessoas abandonavam a série, porque elas interrompiam o episódio e quanto tempo demoravam a retornar para assisti-lo.

Essa fórmula já foi utilizada outras vezes pelo serviço de streaming, como por exemplo na produção de House Of Cards, uma das séries mais populares do catálogo da Netflix.

Além do Big Data, a Netflix apostou no Inbound Marketing , conteúdo que atrai o público-alvo, dando a ele o poder de decidir o que deseja consumir, passando a ter mais controle sobre o que está sendo exposto. Diferente do outbound Marketing, que busca, através de interrupções, chamar a atenção do seu público.

O Inbound Marketing da Netflix se tornou eficiente graças a análise do Big Data, pois a empresa conhece muito bem o público que consome seu conteúdo, sendo capaz de identificar temas de maior interesse para cada usuário e produzindo conteúdo relevante direcionado a esse público.

Stranger Things domina a internet

Após seu lançamento no dia 15 de julho, Stranger Things virou um dos assuntos mais comentados na internet. Em pouco tempo, a série dominava as redes sociais com gifs, vídeos e comentários de fãs apaixonados pela produção dos irmãos Duffer.

Como de costume, a Netflix acertou mais uma vez nas estratégias de marketing. Antes do lançamento da série, a empresa disponibilizou dois trailers para a divulgação da nova produção.

Além dos trailers oficiais, foram disponibilizados mais dois curtas, o primeiro com comentários dos irmãos Duffer, falando um pouco mais sobre a misteriosa Eleven, uma das protagonistas da temporada.

E o segundo, foi disponibilizado após o lançamento da série, com foco em Winona Ryder. O Featurette recebe comentários dos criadores, do produtor executivo e da própria atriz, falando sobre sua personagem.

E não parou por aí: antes do lançamento oficial de Stranger Things, foi liberado um vídeo no canal oficial da Netflix com os primeiros minutos do primeiro episódio, o que serviu para instigar mais ainda o público já ansioso para a estréia do novo vício seriado.

O que já sabemos, é que o serviço de streaming é sempre inovador (e zoeiro) em seus vídeos promocionais. Já é comum o uso de figuras públicas inusitadas, como Valeska Popozuda e Inês Brasil, que participaram dos vídeos promocionais da série Orange is the new Black. E como Stranger Things não poderia ficar de fora, a aposta da vez foi a famigerada rainha dos baixinhos: Xuxa. Como não amar?

A apresentadora aparece no vídeo recebendo uma carta de Joyce Byers pedindo ajuda para encontrar seu filho. Além de apostar no humor, o roteiro do vídeo é cheio de referências à carreira da apresentadora, que entrou na brincadeira e não teve medo de rir de si mesma.

Logo após o lançamento da serie, a Netflix teve a brilhante ideia de criar um site que produz gifs, fazendo alusão a uma cena do seriado. O site é bem simples de se utilizado, podendo criar uma frase com até 20 caracteres e tendo a possibilidade de salvar ou compartilhar o gif em suas redes sociais. Claro que a ideia viralizou, né?

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E ainda não acabou: aproveitando a nova tecnologia, o serviço de streaming disponibilizou um vídeo em 360°, no qual podemos interagir com ambiente da série, ou até nos inserirmos àquela realidade, através de óculos de realidade virtual.

 

Expandindo o universo de Stranger Things

O sucesso da série é fato. Superando todas as expectativas, Stranger Things virou alvo de inspiração.

A banda brasileira The Kira Justice, utilizou o seriado como incentivo para criar uma de suas músicas, chamada “coisas estranhas”. A música faz menção à personagens e situações presentes no seriado.

E The Kira Justice não foi a única banda a utilizar stranger things como inspiração. o DJ Yoda criou uma mixtape que combina diálogos com a trilha sonora da série.

 

Inúmeras fan arts também foram criadas, algumas fazendo menção a outros filmes ou jogos dos anos 80 e 90.

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Mad Max, creditos

E para a surpresa de todos, em uma entrevista com o ING , os produtores da série afirmaram ter novos planos para a segunda temporada. A mesma se passaria um ano após os acontecimentos da primeira e, para contar o que aconteceu nesse tempo, seria produzido um jogo. #serianossosonho?

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Os irmãos Duffer ainda acrescentaram que o jogo seria em 8-bit, fazendo referência à época.

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Com o final da primeira temporada, levantou-se uma questão: como será a segunda temporada da série? Em uma entrevista, seus produtores disseram que querem seguir os passos de Harry Potter, no qual o público poderá acompanhar o crescimento e a evolução dos personagens ao longo das temporadas, desenvolvendo cada vez mais seu universo.

Com a segunda temporada já confirmada, o que nos resta é esperar e ver qual será a próximo passo em relação a Stranger Things.

 

Texto: Natália Souza

Capa: Amanda Pacheco

 

 

 

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Homens: o novo target da indústria de cosméticos

Desde que o homem das cavernas resolveu sair da toca, uma das primeiras coisas que fez foi passar Veet nos pelos do corpo. E como passou! A verdade é: já foi o tempo em que a vaidade dos homens era cortar o cabelo (passando brilhantina, claro!), fazer o bigode e usar uma roupinha alinhada.

O cuidado masculino com a beleza pode não ser de agora. Mas o apoio social a essa atitude veio recentemente. Com isso, surge todo um novo mercado para a indústria de cosméticos que (pasmem!) pode tornar o Brasil o maior mercado do mundo na categoria. Tudo conquistado com 7,1% de crescimento anual até 2019, quando as vendas alcançarem US$6,7 bilhões, segundo a Euromonitor International.

A imagem do poder

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Está para existir uma beleza bela para todos universal e definitiva; ela varia de acordo com o tempo, o local e a cultura. Pode exemplificar? Que tal um pulo no início da socialização humana? Isso mesmo: quando os Neandertais saíram das cavernas. Desde aquela época, começou-se a construir uma estrutura de poder ligada ao visual.

Nesse período, não existia um conjunto de leis. O que determinava o todo poderoso era a aparência de mais forte: a estrutura física necessária podia vir acompanhada de adereços com ossos e presas, e, posteriormente, com pinturas de guerra também (no corpo, claro). Logicamente, o líder teria melhores oportunidades de alimentação e maior segurança – o que atrairia mais as fêmeas visando a evolução e a manutenção da espécie.

Percebeu? Estava montada a aliança entre aparência e poder. Obviamente, de lá pra cá as coisas mudaram, mas nem tanto. Os uniformes de poder foram trocados, mas a aliança se manteve: a beleza. Normalmente, a beleza venerada terá uma forte ligação ao grupo dominante na sociedade. Isso será mais discutido ao longo do texto. Mas, antes, sabendo que apenas 9,2% da população da África do Sul é branca, repare (no vídeo abaixo) como não só na África do Sul o desejo é altamente excludente.

A varredura da Idade Média

Durante a antiguidade, os cuidados com a beleza masculina foram aprimorados. Na Grécia (principalmente em Esparta), a educação física era como um pilar na formação dos homens – que frequentavam complexos esportivos e tomavam banhos aromáticos desde crianças. O corpo deveria ser musculoso e bem tratado. Claro, os complexos também funcionavam como centros de formação intelectual. Roma adquiriu os costumes gregos e os turbinou com banhos aromáticos e térmicos, além de outras técnicas de aprimoramento e cuidado corporal.

Ainda na antiguidade, os egípcios já usavam maquiagem – tanto para delinear as maçãs do rosto a classe pertencente, como forma de zelo com a saúde. A sombra nos olhos, feitas com malaquita (pedra verde pulverizada), era aplicada nas pálpebras para neutralizar a luz excessiva do sol e repelir doenças transmissíveis por moscas e mosquitos. Já os corpos eram encharcados em óleos perfumados para evitar o ressecamento da pele.

Com o chegar da Idade Média, preocupar-se com o corpo foi proibido. Tornou-se pecado. Fazendo com que séculos de evolução em beleza, higiene e cuidado com o corpo fossem perdidos. Isso mesmo! A influência da Igreja era tremenda, capaz até de extinguir os Jogos Olímpicos (e o fez… já imaginou perder o catwalk de Gigizinha ao som de Garota de Ipanema tchê). Rosário (2004) diz que, na época, o bem da alma era superior aos desejos e prazeres da carne e, sendo assim, acima dos aspectos materiais. O corpo se acabou vil, cruel e carente de purificação. E Siebert (1995) pontua, o conhecimento sobre o cuidado com o corpo, na Idade das Trevas, é de enorme desprestígio.

Você deve estar pensando “que #&$%@!”. Mas, mais uma vez quase tudo foi salvo pelo: Período Renascentista (viva Monalisa!). Nele, começou-se a olhar para a liberdade do ser humano. O trabalho artesanal e a vivência terrena passaram a ser considerados, assim como o pensar científico e o estudo do corpo. Agora, ele é redescoberto, e com um grande suporte, o das artes – em que a nudez recebe destaque pelos pintores do movimento (Sebert, 1995; Rosário, 2004).

Evolução do padrão de beleza até os anos 2000

Ainda no passado, voltando centenas de anos num DeLorean tunado pelo Emmett Brown: século XX. As roupas ainda seguem um padrão moderno (da Idade Moderna), mas sofreriam várias modificações a partir de então, assim como o padrão de beleza masculino. Já em 1901 surgem alguns dos primeiros equipamentos, a primeira competição oficial de fisiculturismo e a primeira revista especializada no gênero, a Physical Culture – impactando as décadas seguintes. Vale ressaltar ainda que – sendo o século XX um período de fenômenos e acontecimentos – as transformações foram se sucedendo de forma abrupta e quase desenfreada, seguindo os diversos movimentos emergentes da época.

Quer ver? Repare na mudança de visual do homem ocidental americano segundo esses vídeos (comprovando que sobrou até para a cueca!):

Durante a década de 70, o visual fisiculturista adquirido no início do século começou a ser rompido pelo movimento andrógino – apoiado por ícones da época. David Bowie, adepto deste, trouxe visibilidade à volta do uso da maquiagem ao homem. Mick Jagger ajudou a trazer mais do visual andrógino.

Na década seguinte, em contrapartida, volta o visual musculoso. Seguido do visual grunge e do visual das boybands na década de 90 e no início dos anos 2000. Durante toda a trajetória do século XX produtos de beleza masculino eram utilizados. Mas de forma discreta e apenas o aceito. Os cortes de cabelo sempre foram mirados, a manutenção dele era quase que básica. E os produtos: brilhantina, laquê e gel (mais para o final do século). Enquanto as barbas volumosas eram banidas por quase todo o século, com o apoio de marcas como a Gillette.

Os elementos mostrados já apontavam a existência do cuidado com a imagem da vaidade masculina. Porém, ao tratar de sua beleza, o homem que o fazia ainda era apontado pela sociedade. O que o afugentava dos tratamentos apropriados. Até ícones de beleza masculinos mostrarem seus tratamentos de beleza. Ou apenas terem aparência de cuidadosos com a saúde do corpo e com a vaidade (alô? David Beckham? Cristiano Ronaldo?).

Boom do comércio atual de cosméticos masculinos

O jornalista Mark Simpson, em 1994, criou o termo em inglês – “metrossexual” –  para definir um determinado tipo de consumidor. Não só o homem heterossexual vaidoso, mas o hipernarcisista vaidoso ao extremo (independente da orientação sexual). Ícones como David Beckham e Brad Pitt descrevem perfeitamente esse público: um prato cheio para as indústrias.

Observando o perfil descrito acima, pouco a pouco as grandes empresas foram inaugurando suas linhas de produtos masculinos. Claro, o desodorante, o presto barba, o gel de cabelo e o creme de barbear já tinham seu lugar no carrinho. Os xampus, antes, com linhas infantis e femininas destacadas, começaram a acompanhar algumas problemáticas masculinas. Obviamente os jovens se encantaram primeiro, seguidos dos adultos e dos mais experientes. E, para alcançar o público que era mais resistente a essas mercadorias, as empresas começaram a usar ídolos deles (“Eu sou… e uso Clear MEN Anticaspa!”).

Pronto! Agora, o homem é amparado pela mídia (e, pouco depois, pela população) a se cuidar. O termo “metrossexualidade” passa a estampar os veículos de informação e entretenimento, terminando de disseminar as ideias de cuidado. Estava liberado se depilar, fazer cirurgia plástica, se importar mais com a alimentação, se maquiar, se medicar em prol da estética e usar produtos cosméticos diversos para os cuidados pessoais.

Ainda assim, a indústria percebeu que a massa masculina declaradamente cuidadosa consigo mesma não era tão abrangente. Para melhor atingir os homens que prezam a discrição e a praticidade, O Boticário, recentemente, aproveitando o movimento lumberssexual (tendência a se caracterizar como um lenhador com cuidados: barba grande, tratada e com uma “aparência bagunçadinha” sem realmente ser) lança a seguinte campanha:

Com isso,  O Boticário se afirma como um suporte ao homem atual. Junto com Nivea Men, Dove Men Care, Trip, Dr. Jones e diversas outras marcas preenchendo esse mercado com um enorme potencial de crescimento. Afinal, segundo a ABIHPEC, 45% dos homens das classes A, B e C se consideram SUPER vaidosos (sim, exatamente com esse “super”). Esse dado da mesma pesquisa também responde o porquê de, enquanto as vendas de toda a indústria da beleza e da higiene caíram em 8% de 2014 para 2015, os produtos da linha masculina aumentaram a venda em 2,4%.

Que tal mais alguns dados? Se comparar as vendas de Em 2014, a venda de produtos para barbear, sabonetes e xampus, no Brasil, voltados para os machos, somou US$ 4,7 bilhões de dólares. Comparando com 2009, houve um aumento de 99,4%.

Bom, parece que os homens já não tem tantos problemas em assumir que se cuidam também , já que foi levantado que 34% deles admitem passar hidratante, 26% não saem de casa sem protetor solar e mais da metade dos entrevistados frequentam salão de beleza e assumem isso (WEEEEEEE!!!!!!)

Poké escorrega

E não acaba por aí! Uma pesquisa recente no Brasil, feita pela Minds&Hearts com 414 homens entre 16 e 59 anos aponta que 31% dos homens se preocupam mais com o rosto em detrimento de outras partes do corpo. Isso explica porque 39% afirmam usar algum tipo de maquiagem e 67% dizem não ter problemas nenhum em passar a usar. Outro resultado dessa moda é já poder encontrar cursos de maquiagens voltados para homens ou especializados em rostos masculinos.

Desse jeito, cabe apenas repetir: sendo alavancada principalmente pelos produtos para banho (com crescimento estimado em 111% entre 2014 e 2019), desodorantes (53%), cuidados com os cabelos (38%) e produtos para barbear (32%), a indústria de cosméticos pode ter um crescimento de 7,1% ao ano até 2019. E ser declarado o maior mercado do mundo na categoria. Vendendo US$ 6,7 bilhões ao ano.

E aí? Depilação às 19h?


Redação: Bernardo Leal Sampaio

Foto da capa: Amanda Pacheco

Fontes:
http://www.brazilbeautynews.com/homens-brasileiros-serao-lideres-no-consumo-de,916
http://www.coloquiomoda.com.br/anais/anais/3-Coloquio-de-Moda_2007/5_07.pdf
http://www.efdeportes.com/efd79/corpos.htm
http://g1.globo.com/bom-dia-brasil/noticia/2016/08/industria-de-cosmeticos-para-homens-sobrevive-crise-e-cresce.html
http://www.intercom.org.br/papers/regionais/sudeste2012/resumos/R33-1567-1.pdf

Primeiro curso de maquiagem masculina é reflexo de um novo comportamento

Superinteressante, jun.1988. Dez anos da revista. São Paulo: Abril, 1997. CD-ROM. (http://histoblogsu.blogspot.com.br/2010/04/cuidados-com-o-corpo.html)

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Pokemon Go e a criatividade brasileira

Depois de um tempinho de férias (também merecemos, né?), a folga acabou (aaaaaaah) e voltamos com tudo (êeeeeee).

E mal chegamos e já fomos atropelados pelo furacão japonês do momento. Aquilo que todo mundo que você vê por aí com a cabeça baixa olhando o celular (geralmente) está fazendo. Sim, eu sei que você também tá! O tão esperado Pokémon Go.

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“Ai, mas eu nem jogo. Isso é modinha” – Aham, Cláudia, senta lá.

Pega esse Zubat depois e presta atenção aqui. Se você é um “inimigo da cibercultura” ou esteve em Marte nas últimas semanas e não sabe do que estamos falando, te atualizamos: trata-se de um aplicativo para smartphones que, utilizando da tecnologia e da criatividade, trouxe para o nosso dia a dia aquilo que a geração dos anos 90 cresceu admirando na TV: a jornada em busca de se tornar um Mestre Pokémon.

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O desejo de milhares de fãs infanto-juvenis há mais de 20 anos finalmente se tornou realidade: A empresa Niantic, em parceria com a Nintendo, desenvolveu o projeto que traz a experiência de capturar Pokémons – e batalhar para ser um líder de ginásio – para a vida real.

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And now it’s real❤

Tudo depende de onde você estiver, os Pokémons podem aparecer dentro da sua geladeira, na privada ou até mesmo dentro do ônibus indo pro trabalho. Isso porque a realidade aumentada permite que, através das câmeras do celular, o bichinho esteja inserido no mesmo cenário que você. Mas apesar de aparecerem também onde você está, é preciso andar pela cidade em busca dos personagens, pokebolas, etc.

O jogo foi lançado no exterior há algumas semanas e logo virou febre: pessoas do mundo todo passaram a desbravar suas cidades em busca de diversão e de Pokémons raros. Enquanto não chegava ao Brasil (nós sempre excluídos, né), muita gente não aguentou esperar e hackeou o aplicativo (#tevegolpe) para ter acesso ao jogo. É aquele ditado. né?Malandramente…

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Foram vários e longos dias de sofrimento para todos os nerds desse nosso Brasil, mas, finalmente, na semana passada, o jogo estreou em terras Tupiniquins.❤  E como o melhor do Brasil é, definitivamente, o brasileiro… não demorou para que a zoeira se instaurasse na internet. #HUE

E e claro que as marcas brazucas não perderam tempo e se jogaram no marketing de oportunidade: o que não faltou foi empresa apostando em trocadilhos marotos (ou não) para divulgar seus produtos na onda do momento. Teve até gente que decidiu empreender e aproveitou o gancho pra driblar o desemprego. Como não amar esse país?❤

Separamos alguns serviços que, utilizando da criatividade inerente ao nosso país tropical, bombaram nas redes sociais ao brincar com o sucesso do Pokémon Go.

1) Teve motel apostando na #ousadia e #alegria e que bombou de compartilhamentos.

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2) Teve hamburgueria  convidando os Mestres Pokémon para capturar aquele X-especial.

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3) Teve chocolateria fantasiando o produto e fazendo promoção especialmente para os caçadores.

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4) Teve mais motel investindo na piada do Pikachu.

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5) Ok, já entendemos qual foi o ramo que mais aproveitou esse anúncio de oportunidade, rs.

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6) Teve chopperia aproveitando a localização privilegiada (em frente a um ponto de atração de Pokémons) para atrair os Mestres locais  que desejam capturar seus bichinhos enquanto tomam uma gelada.

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7) E olha esse show de irreverência e e educação: teve igreja entrando na onda e pedindo aos caçadores para não interromperem a missa em busca de Pokemons. Aproveitando, claro, pra convidar os jovens a participarem da celebração. Fofo, né?

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8) E a brasilidade que merece Grand Prix de criatividade nessa onda toda é o Pokémoto do cearense Denis Paz. Desempregado, o motoboy passou a oferecer o serviço de locomoção aos caçadores para que possam capturar seus Pikachus, Charmanders e Bulbasaurs em locais seguros, sem preocupação e a um custo baixo.

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Brincadeiras a parte, é muito bacana ver exemplos de superação como este. Assim como as marcas, um motoboy soube aproveitar o sucesso mundial de uma ferramenta para sair da dificuldade e tocar a vida honestamente. Além de ajudar as pessoas, que poderiam ser assaltadas, atropeladas ou acidentadas de alguma forma ao caçar Pokémons a pé ou dirigindo, Denis é um grande exemplo do que é saber usar o marketing de oportunidade a seu favor.

Outra tática interessante das empresas é, por exemplo, utilizar de incensos para atrair Pokémons a seus estabelecimentos, como a chopperia Parrudo, citada anteriormente. No exterior, a prática já se mostrou bem sucedida com uma cafeteria que conseguiu atrair muitos clientes utilizando os lures (item do Pokémon GO que atrai os bichinhos).

Muito se tem falado sobre o aplicativo, para o bem e para o mal. Mas o que não se pode negar é que a ferramenta trouxe para o dia a dia das pessoas o exercício, o ato de explorar mais e conhecer melhor sua própria cidade, novas amizades, um sonho de infância realizado para milhares de jovens, além de abrir um mundo de possibilidades e oportunidades para empresas e empreendedores como o Denis.

O fato é que qualquer coisa sempre terá pontos positivos e negativos. Cabe a cada um saber explorar corretamente as vantagens das ferramentas que o mundo moderno disponibiliza e controlar os efeitos colaterais que fazem parte de qualquer processo de evolução.

Verdade seja dita: nunca imaginamos que em 2016 poderíamos capturar um Pikachu na nossa própria cama. A inteligência artificial e a realidade virtual são cada vez mais parte do nosso cotidiano e mal podemos esperar pelos próximos avanços e novidades.

Temos que pegar!❤

Arte da capa: Luciano Oliveira.

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Jiu Jitsu: a arte suave

Dica da semana para exercitar seu ócio criativo.

Quando o assunto é adotar um estilo de vida mais saudável, as pessoas costumam procurar uma academia ou esportes mais consagrados e conhecidos, como futebol e natação, por exemplo. Hoje o assunto aqui no #NCDFaesa é um esporte que a maioria das pessoas não conhecem tanto e que carrega um estereótipo bem definido: Homens fortes, donos de Pitbull (como diria Gabriel, o pensador) e fãs de UFC. Estamos falando do Jiu jitsu!

A origem exata de seu surgimento não é clara, mas sabe-se que nasceu no Japão Feudal. É uma arte marcial que utiliza essencialmente golpes de alavancas, torções e pressões para levar um oponente ao chão e dominá-lo.

Durante as guerras de Samurais, muitas vezes, no campo de batalha, eles ficavam sem suas espadas, sua principal arma, e foi daí que surgiu o jiu jitsu: da necessidade de uma luta que não fosse de combate, já que suas armaduras os protegiam de golpes diretos.

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A essência do jiu jitsu é utilizar a força do oponente a seu favor, com o mínimo de força possível.  Não é a toa que literalmente, em japonês significa “suavidade”, “brandura”, e jutsu, “arte”, “técnica”. Daí seu sinônimo literal: “arte suave”.

Ao contrário do estereótipo, o Jiu jitsu é feito para mulheres e crianças também, ou seja, para todas as idades. Como sua origem é a defesa pessoal, e as mulheres precisam saber se defender dos inúmeros assédios e violência que sofrem, nada melhor do que um esporte advindo da defesa pessoal. Com as técnicas aprendidas, pode-se imobilizar e finalizar pessoas muito maiores e mais fortes do que você. 

Ficou interessado?

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Se liga nas dicas:

A academia Gracie Barra, referência mundial em jiu jitsu  por utilizar a linha de ensino do grande mestre Carlos Gracie – um dos “fundadores” do jiu jitsu aqui no Brasil -, proporciona à você o ensino dessa encantadora arte (e tem unidade aqui em Vitória!).

A arte suave favorece o condicionamento físico, apresenta a noção de hierarquia e respeito para crianças e adolescentes e ajuda no desenvolvimento do raciocínio lógico e mental, já que usa de estratégias o tempo todo.

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Aqui vão algumas dicas pra você ficar por dentro de como os jiujiteros se comunicam:

Amasso – é imobilizar seu oponente de um jeito que fica difícil até para que ele respire:

Casca grossa – é aquele jiujitero (quem luta jiu jitsu) que não falta uma aula, treina insistentemente e nem sente mais quando leva um amasso.

Oss – é um cumprimento que demonstra respeito e admiração a quem vc se dirige.

Finalizar – Utilizar golpes o qual obriga a pessoa a bater (desistir) e assim, perder a luta.

Raspar – Trocar de lugar com o seu oponente. Se ele está por cima, você raspa e você passa a ficar por cima e ganhando pontos.

Quer saber mais? Que tal fazer uma aula experimental e sentir de verdade os benefícios e a alegria dessa família? Com o tempo você pode até se tornar um casca grossa.😉

Capa

As plataformas digitais na televisão brasileira

A novela “Haja Coração“, que estreou no último dia 31 (maio), chegou com uma nova proposta para a televisão brasileira: a inserção de novas plataformas de mídia como base de comunicação entre personagens.

Começando com o capítulo final da novela anterior, “Totalmente Demais“, ter sido televisionado na segunda-feira (ao invés da padronizada sexta, com reprise no sábado), a mudança é considerada inovadora para uma emissora tão tradicional como a Globo. Alguns consideram como uma jogada de marketing para que a novela anterior alavancasse a audiência da sua sucessora, que provavelmente não teria uma recepção tão calorosa por ser mais uma novata entre outras.

Com Mariana Ximenes, Jayme Matarazzo, Malvino Salvador e outros atores jovens no elenco, a intenção é de que haja mais interesse e identificação com a história. Não é à toa que cada vez mais personagens LGBT estão roubando a cena, além dos famosos papéis escandalosos e populares que Tatá Werneck  costuma interpretar. Ou você ainda não viu o figurino que sua personagem, Fedora, vem utilizando? #bapho #glitter #brilho

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Com um layout disfarçado e uma pequena mudança na interface, o artifício FaceTime, exclusivo para aparelhos iPhone com iOS, foi introduzido para que os personagens se comunicassem visualmente de uma forma mais moderna, ao invés da velha ligação que já é clichê em todos os programas. A mudança na aparência disfarça, mas não esconde a cópia.

A Globo também investiu nas plataformas digitais para atrair mais telespectadores da geração Y. Além do FaceTime, o Snapchat foi jogado na roda para ser responsável por inserir personagens populares e famosos na trama. Com a aparência modificada, mas inconfundível para os usuários viciados, o objetivo do uso do aplicativo e de outras modernizações é nada mais do que aproximar a novela do público jovem, uma vez que as novelas estão perdendo a audiência para a internet.

Pesquisas apontam que hoje, os brasileiros gastam três vezes mais tempo na internet do que na TV (4h em média), e, dado o crescimento avassalador, logo passaremos para quatro vezes mais, e cinco, e seis – até que a TV seja extinta das nossas rotinas diárias.

De acordo com o site Diário do Centro do Mundo,

Não é apenas o Jornal Nacional que emagreceu consideravelmente nestes dez anos em que a internet se consolidou entre os brasileiros. O Domingão do Faustão, em São Paulo, o mercado que é referência para o mercado publicitário, desabou ao longo dos últimos anos para 10% do Ibope.

O último reduto da Globo, as novelas, seguem o mesmo percurso. Na década de 1980, Roque Santeiro teve, em seu pior dia, 58% de audiência. No melhor, 95%. Dez anos atrás, Senhora do Destino teve média de 50%. No ano passado, Salve Jorge ficou em 30%.” 

Não é uma surpresa que a TV já não está mais em sua época de ouro. Se você perguntar  a um grupo de jovens quem assiste Faustão, Fantástico ou Caldeirão do Huck, pouquíssimos levantarão a mão. Entretanto, se você questionar quantos acessam os aplicativos Snapchat, Twitter e Facebook diariamente, uma multidão se identificará.

Em plena era da Cultura de Convergência, esse quadro se justifica uma vez que podemos acessar a internet de qualquer lugar, a qualquer momento e o conteúdo que quisermos, enquanto a televisão fica presa a locais fixos e programações com horário marcado. 

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Se até o rei do talkshow americano, Jimmy Fallon, se apaixonou pelo Snap, por que a gente não pode, né non?

Talvez esse seja o maior segredo do serviço de stream, Netflix: a liberdade que o usuário tem de escolher o que quiser em um catálogo de milhares de filmes e seriados, pausar quando quiser e continuar quando quiser, sem ficar preso a horários pré-estabelecidos e aos intervalos comerciais.

Falando em Netflix…“Scream” (2015), baseada na sequência de filmes de terror dos anos 90, Pânico, também aposta na conectividade para trabalhar seu roteiro. A série de suspense faz uso de iMessage, Twitter, FaceTime e YouTube para estabelecer contato entre os personagens e dar continuidade à trama, que no passado, utilizava apenas o telefone para tal função.

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Outro exemplo claro da nova proposta de inserção das mídias online em programas de entretenimento é a web série americana, The Lizzie Bennet Diaries, baseada no romance de Jane Austen, Orgulho e Preconceito.

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The Lizzie Bennet Diaries é a primeira tentativa de uma releitura com base na Internet modernizada da história. Cada episódio é de dois a cinco minutos de duração e é apresentado como um vídeo blog, contado por Lizzie (no domínio da história) e filmado e editado por sua melhor amiga Charlotte (…) Todos os eventos são recontados e revividos por Lizzie, Charlotte, Jane, Lydia dentro dos limites do quarto de Lizzie. Há também semi-frequentes vídeos de perguntas e respostas (cerca de um em cada dez episódios regulares) em que Lizzie e outros personagens respondem à perguntas de sua audiência (…) Além dos blog de vídeo, todos os personagens também têm várias contas de mídia social com as quais interagem e revelam partes da história e perspectivas que não são necessariamente representados nos vídeos de Lizzie.

Além da praticidade que os aparelhos móveis e as milhares redes de w-fi nos oferecem, existe também a questão da qualidade do entretenimento. A TV aberta deixa a desejar na diversidade de conteúdo, sendo a maior parte dos seus programas telejornais, programas familiares e telenovelas. Os jovens, em sua maioria, não se interessam mais por tramas padronizadas ou notícias sensacionalistas. Eles buscam conteúdo de qualidade e inovador, com novos rostos falando sobre assuntos que se identificam.

Outro fator decisivo para a migração dos jovens para a internet, é a possibilidade de ver “gente como a gente”. A possibilidade de aproximação e identificação com celebridades que são “pessoas comuns” é um ponto a mais em relação às mídias tradicionais. Nas telenovelas os artistas são estrelas, inalcançáveis e sempre perfeitas. Já em um canal no Youtube ou no Snapchat, as estrelas são outros jovens, com vidas semelhantes as de quem assiste, que simplesmente decidiram começar a produzir conteúdo e se tornaram famosos a partir disso.

Mas parece que finalmente a televisão começou a perceber isso e, de uns tempos pra cá, está apostando em trazer o melhor da internet para dentro da sua programação.

O melhor exemplo disso é como a nova celebridade brasileira, Thaynara OG, advinda do Snapchat, está sendo chamada para a televisão. Além de diversas entrevistas e lançamentos ao lado de celebridades, Thaynara esteve no programa da Globo “Encontro com Fátima Bernardes” e  até uma participação especial em filme nacional.

Mais recentemente, a maranhense estrelou campanhas publicitárias para a Niely e para a Dakota Calçados. Com o username @thaynaraog, Thay, como gosta de ser apelidada, agora recebe 20 mil reais para marcar presença em eventos. É o poder do kiu, minha gente. 

Vários youtubers famosos também estiveram se fizeram presentes na TV (no próprio programa da Fátima e em diversos game shows e programas de entrevista) além de comerciais de grandes marcas mundiais como Coca-Cola e McDonalds.
 
A maioria dos adolescentes de hoje tem como plataforma de mídia principal os smartphones, substituindo a televisão pelos canais no Youtube e perfis no Snapchat em momentos de ócio, como enquanto fazem academia, almoçam, se locomovem de um lugar para outro ou até em encontros entre amigos.
Levar os criadores destes conteúdos para a tela da TV (e do cinema) é uma tática que vem sendo amplamente explorada e um exemplo claro de como os veículos e as marcas têm investido em ícones, plataformas e celebridades nascidas da internet, na busca de uma aproximação com o público mais jovem.
Por isso, é esperado que outras emissoras sigam nesse caminho e instaurem cada vez mais conectividade em suas programações, disponibilizando um conteúdo novo, diferente e divertido para agradar e competir cada vez mais com as outras mídias.

Fontes:

O Globo: Brasileiro passa mais tempo na internet do que na TV
Diário do Centro do Mundo: Como a internet está arrebentando a audiência da Globo
Wikipédia: The Lizzie Bennet Diaries
Wikipédia: Cultura de Convergência

Capa: Vinicios Silva.

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A Cor na Publicidade

As cores estiveram presente na história da humanidade desde que o homem se entende por gente, seja nas pinturas corporais de guerreiros antigos, nos vitrais coloridos de grandes catedrais góticas ou até mesmo nas milhares de luzes da Times Square.

Numa sociedade visual como a nossa, cada vez mais elas fazem parte do nosso cotidiano e podem estar repletas de significados e associadas a diferentes sensações. Dependendo da região, pode ter um significado completamente diferente. Para os ocidentais, por exemplo, o branco simboliza a vida e o bem, enquanto para os orientais representa a morte.

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A cor nada mais é do que um  comprimento de onda do espectro eletromagnético, que chega a nossa retina e é interpretada pelo cérebro. Ou seja, os objetos não têm cor, a cor corresponde a uma sensação interna provocada por estímulos físicos de natureza muito diferente que dão origem à percepção da mesma cor por um ser humano, se tornando uma das mais eficiente dimensões de descrição da nossa sociedade. Imagina como seria difícil descrever algo sem mencionar a cor?

Além disso, a cor possui dois sistemas de composição básicos, sendo identificados pelas siglas RGB (Vermelho, Verde e Azul) e CYMK (Ciano, Magenta, Amarelo e Preto). O primeiro deles é o “Cor Luz”, que é utilizado nos objetos que emitem luz para projetar uma imagem, por exemplo, monitores de computador, televisão, Internet, cinema. Já o segundo é o “Cor Pigmento”,  geralmente  utilizado na indústria gráfica, onde as tintas são misturadas para serem impressas no papel.

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Veja um exemplo de como uma imagem fica diferente:

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Além de possuir várias outras subcategorias para agrupá-las, como as cores primarias e secundarias, quente e frias, e por ai vai.

Significado das cores

De acordo com o livro Psicodinâmica das cores em comunicação,

“…A cor exerce uma ação tríplice: a de impressionar, a de expressar e a de construir. A cor é vista: impressiona a retina. E sentida: provoca uma emoção. E é construtiva, pois, tendo um significado próprio, tem valor de símbolo e capacidade, portanto, de construir uma linguagem própria que comunique uma ideia.”

E é a partir dos inúmeros significados dados as cores, que hoje existem incontáveis teorias sobre o impacto da cor na sociedade e em diferentes áreas de estudo, como a arquitetura, moda, artes plásticas, design gráfico, publicidade, entre outros.

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Essa diversidade de estudos mostrou o poder psicológico que as cores tem sobre os seres humanos. Cada indivíduo reage de diferentes formas a determinada cor, dependendo de sua intensidade, luminosidade e saturação

As cores constituem estímulos psicológicos para a sensibilidade humana, podendo influenciar o indivíduo a gostar ou não de algo, para negar ou afirmar, nos deixar alegres, tristes, com raiva, calmos, aguçar o nosso apetite, etc. E como já citado, as sensações e impacto das cores em cada indivíduo variam de acordo com sua região demográfica, cultura, idade e outros fatores.

É preciso saber que as cores provocam sensações polarizadas, ou seja, ora podem ser positivas, ora negativas. Esse fator está muito presente no significado de cada cor nas diferente culturas do mundo.

Enquanto o vermelho na cultura cristã remete a purificação e santidade, em uma conotação negativa, ele pode significar erotismo e pecado. E isso acontece com todas as cores. Outro exemplo é o laranja, que é considerado a cor que tem mais aroma, por isso, é a cor dos molhos agridoces da cozinha asiática, sendo a junção do vermelho (doce) e do amarelo (ácido).

O verde, junção de amarelo com azul, é uma das cores mais democráticas: em todas as regiões, sugere umidade, calma, frescor, esperança e equilíbrio. Assim como o verde, em algumas situações, o rosa é uma cor democrática pois é tipicamente feminina em todas as culturas, enquanto o azul é considerado uma cor tipicamente masculina.

O azul também é a cor mais lembrada quando os ocidentais querem referir-se a simpatia, harmonia e confiança, em algumas culturas ela é sinônimo de nobreza (lembrança da expressão sangue azul) e em todas elas é a cor que simboliza o céu.

A cor púrpura, no Império Romano, era usada apenas pelo imperador, sua esposa e filhos, também sendo considerada sinônimo de nobreza. Nessa mesma época, o marrom era conhecido como a cor usada pelos povos populares e menos nobres.

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A cor na Publicidade

A cor na publicidade é um fator essencial para atingir o público da maneira correta e tem uma finalidade: conquistar o indivíduo por meio de uma mensagem para incitá-lo a uma ação (compra de um produto, adesão de um serviço, entre outros).

Não é nenhuma novidade que as mulheres reconhecem muito mais tonalidades de cores que os homens, motivo pelo qual os produtos destinados ao público feminino são tão coloridos, enquanto os masculinos geralmente tem as mesma cores, em tonalidades sóbrias, sendo mais fácil de memorizar.

Grandes marcas já possuem inúmeros estudos sobre a cor em suas propagandas, embalagens e pontos de venda. A cor vermelha, por exemplo, é utilizada para atrair compradores compulsivos através do calor da cor e estimular o apetite, por isso a Coca-Cola e o McDonalds associam a cor à sua marca.

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Marcas relacionadas a saúde e bem estar geralmente utilizam da com verde, por ser sinônimo de tranquilidade, além de representar vitalidade, crescimento e fertilidade, aliviando o stress causada por cores muito vibrantes como o amarelo ou vermelho.

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A marca Itaú, por exemplo, usa as cores laranja e azul na sua identidade visual, pois o laranja, além de chamar atenção, apresenta um ideal de juventude que, junto ao azul, estimula um senso de segurança e produtividade.

A cor em outras áreas da comunicação

  • Design Gráfico

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Uma ferramenta legal no Design Gráfico é o famoso Adobe Kuler, que é um gerador de temas cromáticos, que serve para definir combinações de cores para trabalhos gráficos, web-sites, entre outras tarefas relacionados a área.

Nele você pode consultar cartelas de cores feitas por designers, além de criar a sua própria combinação de cores, e compartilhar com o mundo todo, a ferramente também está disponível como aplicativo mobile, sendo uma excelente fonte de inspiração para fazer estudos de cores.

  • Cinema

Falando em combinação de cores, o @CINEMAPALETTES é uma página no twitter que ficou super famosa por publicar as paletas de cor usadas em determinadas cenas de filmes emblemáticos, o que ajuda a entender a utilidade da cor no cinema, provocando sensações, transportando-nos para universos distantes e dando diferentes climas as cenas, como por exemplo, na franquia de filmes de Harry Potter, a paleta dos filmes vai ganhando tons mais frios e escuros, como azul, pretocinza, e verde-escuro na medida em que a história vai se tornando mais sombria.

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O filme do anti-herói, Deadpool, também trabalha com uma paleta de cores específica. Assim como Malévola, tons de vermelho, cinza e preto ganham destaque no longa.

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Sabe-se também que condições físicas, culturais ou ainda mais específicas como a idade, são realmente capazes de alterar a percepção de cada indivíduo sobre uma cor. Existem até tratamentos, como a cromoterapia, que utilizam diferentes tonalidades para restaurar o equilíbrio físico e emocional do paciente.

E na comunicação o profissional se apropria dessa versatilidade da cores para aprimorar as suas produções. Por exemplo, a fotografia de um filme é construída, cromaticamente, de acordo com o foco que se pretende dar a história, ou a marca de uma empresa vai utilizar determinadas tonalidades para fazer uma associação específica a imagem da empresa.

Não é interessante como a cor pode ter diferentes interpretações? E são vários os fatores que influenciam na construção do seu significado, dependendo de cada um de nós como isso vai se desenvolver na nossa história e na nossa vida. Vimos aqui como as cores se mostram em diferentes situações, atuando em diversas áreas e criando inúmeros sentidos.

E você, como tem colorido a sua vida?

Fontes:
Livro: Psicodinâmica das cores em comunicação
Site Plugcitários: De onde veio a cor laranja do Banco itáu?
Jornal Nexo: Como as paletas de cores determinam o clima dos filmes

Saiba mais
Infográfico: A Psicologia das Cores no Marketing

Texto: Guilherme Melo
Capa: Vinícius

 

 

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O Feminismo e a inteligência coletiva

O Feminismo é importante, po##@!

Não temos como falar dos acontecimentos das ultimas semana sem voltar às premissas básicas do Feminismo:

     “Feminismo, por definição, é a crença de que homens e mulheres devem ter oportunidades e direitos iguais. É a teoria da igualdade política, econômica e social entre os gêneros.”

Recentemente, vimos o Brasil ser palco de espetáculos de horror e tristeza para quem luta pelos direitos igualitários do gênero feminino. Vimos uma presidente ser atacada por meio de memes da internet, adesivos para carros, montagens e uma infinidade de conteúdos misóginos que circularam pelas redes sociais. Vimos, há apenas algumas semanas uma jovem ser exposta  através de um vídeo onde era violentada sexualmente e percebemos o quanto ainda é difícil ser mulher na sociedade contemporânea.

A parte boa é que estamos usando a inclusão digital e principalmente as redes sociais para empoderarmos as mulheres, dar voz à luta por direitos iguais e nos manifestar de forma aberta e democrática.

Percebemos que, na votação que aconteceu na Câmara dos Deputados, a maioria das colocações (não democráticas) em relação a presidenta do Brasil não foram relacionadas à política e a gestão em si, mas estiveram presentes fortes afrontas ao gênero feminino.

Você sabia que apesar das mulheres representarem mais da metade da população brasileira, elas ocupam apenas 63 das 594 cadeiras do Congresso Nacional? Pois é. Menos de 11% das mulheres estão lá dentro. Infelizmente, devido a essa baixa representatividade feminina dentro da política, durante a votação, ouvimos vaias à deputada que estava de licença maternidade e não compareceu.  Além disso, ouvimos a triste colocação do Deputado Jair Bolsonaro que homenageou o Coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra.

Ustra foi apontado como responsável por perseguições, torturas e mortes, durante o período do Regime Militar. O coronel foi mencionado por Bolsonaro como “o pavor de Dilma”, remetendo às fortes perseguições e torturas que a presidente sofreu nas mãos do Coronel, quando se opôs ao Golpe de 64.

A questão é: não estamos aqui entrando em méritos políticos, mas levantando debate sobre o forte incômodo e os ataques proferidos por homens, quando o assunto é a mulher no meio político. Vimos uma presidente, durante todo seu mandato, ser alvo de “brincadeiras” desrespeitosas, misóginas e até mesmo que incitam e reforçam a cultura do estupro .

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Selecionamos essa imagem com intuito de te perguntar: Você sabe o que é cultura do estupro? Pois te explicamos: em sumo, esse termo é utilizado para descrever um ambiente no qual a violência sexual contra as mulheres é abordada de forma natural, seja na mídia, ou na cultura popular. Vivemos em uma sociedade patriarcal, que considera as mulheres como sujeitos de segunda categoria e disseminam termos que denigrem as mulheres, permitem a objetificação de seus corpos e, em alguns casos, até romantiza a violência sexual. Em todo caso, a cultura do estupro começa em pequenas brincadeiras como esta citada. 

E a verdade é que, todas essas agressões, quando designadas a UMA mulher em posição de poder, acabam se refletindo num ataque a TODAS as mulheres que, por meio dela, eram representadas. A questão em debate não é a presidente e seu partido, mas sim a forma como uma representante feminina na política sofreu fortes agressões durante seu mandato. 

Se você quiser entender um pouco mais a respeito da cultura do estupro, invista dois minutinhos do seu tempo para assistir esse video. Garantimos que é esclarecedor!❤

Mas a notícia boa é a seguinte: as mulheres não estão deixando esses ataques passarem despercebidos e estão usando as redes sociais a favor delas. Podemos ver essa mudança de postura no caso da campanha da Skol para o carnaval de 2015.

A ação publicitária da Skol mostrava frases ligadas à perda de controle após ingerir a bebida alcóolica. Espalharam cartazes com frases como “topo antes de saber a pergunta”, “tô na sua, mesmo sem saber qual é a sua” e a mais polêmica: “esqueci o não em casa”. Algumas internautas ficaram extremamente ofendidas com os cartazes, principalmente este último, que foi considerado apologia ao estupro, e não se calaram:

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Rolou manifestação nas redes sociais contra a campanha, afirmando que elas passavam a ideia de que as mulheres estão disponíveis no Carnaval e que poderiam ser abordadas e tocadas sem consentimento. Após a polêmica, o Diretor de Comunicação da Ambev retirou todos os cartazes da rua e substituiu por novos, com um conceito mais “diga sim para as coisas boas”.

E a vitória foi das mulheres.

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Para relembrar as diversas mulheres que lutaram e morreram no período de Ditadura no Brasil, a página “As Mina na História” criou um movimento chamado: “Troque a foto do perfil: Em Memória Delas”. Naquela semana, após a declaração do Deputado Jair Bolsonaro, elas se dedicaram exclusivamente a lembrar de brasileiras que foram presas, torturadas e mortas durante o período de ditadura. E para que a história da Ditadura jamais se repita, muitas mulheres aderiram ao movimento.

Podemos chamar o movimento “Em Memória Delas” de Inteligência Coletiva, pois estamos em rede, interconectados com um número cada vez maior de pontos e pessoas, com uma frequência grande de notícias que só tende a crescer. E torna-se claro que podemos compreender melhor a atividade de uma coletividade, a forma como o comportamento e as ideias se propagam, o modo como notícias fluem de um ponto para outro e o efeito dessa interconexão entre as pessoas a partir desses movimentos.

Decisões individuais e coletivas parecem estar chamando a atenção não apenas das pessoas que trabalham com marketing, mas também dos estudiosos de redes sociais, dos sociólogos, ciberteóricos, especialistas em gestão do conhecimento e da informação e de todos aqueles que pressentem que existe algo novo a ser investigado nessas interações coletivas.

Essas movimentações nas redes sociais também têm chamado à atenção das grandes emissoras de televisão. Com a inclusão digital e o fácil acesso à redes sociais, alguns movimentos são criados na internet mas não param por lá: são divulgados e geram repercussão na televisão. A sensação é de que todos podem opinar, e quando a causa é nobre, a nossa voz é finalmente ouvida.

Vimos esse movimento acontecer na mesma semana da votação do Impeachment. Logo após a manifestação feminina no Facebook, o programa Fantástico da Rede Globo, transmitiu uma reportagem a respeito da citação do Bolsonaro e falou sobre manifestação coletiva que aconteceu nas redes sociais. Confira a matéria:

Por aqui a gente ama o BuzzFeed❤ e a forma prática como eles abordam variados temas que estão em alta e precisam ser debatidos. De uma forma bem simples, pra tornar visível a naturalidade como os assédios acontecem, eles selecionaram 10 exemplos de mulheres que foram assediadas em frente as câmeras, enquanto trabalhavam.

Veja aqui.

Em Abril, a revista Veja publicou uma matéria com Marcela Temer, a esposa do presidente interino Michel Temer e a manchete a definiu como: bela, recatada e do lar. Quem se lembra? O texto tecia elogios ao fato de Marcela ser discreta, falar pouco e usar saias na altura do joelho. E assim deixou bem clara a tentativa da revista de fazer uma comparação ao que Dilma representa. É como se estivessem dizendo: mulher boa é a esposa, a primeira dama, a “que está por trás de um grande homem” e nunca uma presidente, fora do padrão imposto do que se entende por beleza e comportamento feminino.

Ficou claro que um homem no lugar de Dilma, não teria tido sua capacidade de gerenciar assuntos políticos questionada e nem sofreria ataques tão violentos como os que ela veio sofrendo nos últimos meses. Independente das críticas que se tenha ao governo é evidente que ela foi vítima de uma sociedade machista e o preconceito de gênero estava, em alguns momentos, sendo disfarçado de visão política. A matéria da Veja confirmou isso ao dizer que Marcela Temer é o modelo de mulher a ser seguido, à sombra, nunca à frente.

Vamos deixar bem claro que a crítica não é à Marcela e nem a mulheres que possuem um estilo de vida parecido. Problematizamos aqui o posicionamento da revista ao julgar que esse modelo de mulher é um padrão a ser seguido. Porque tudo bem se você for bela, recatada e do lar. E tudo bem também se você for o completo oposto disso, porque mulher tem que ser o que ela bem quiser.

E mais uma vez, elas não se calaram. A matéria gerou tanta polêmica (e revolta) nas redes sociais que movimentou as timelines de mulheres (e até mesmo homens) que postaram fotos em poses e situações totalmente contrárias ao padrão que a Veja tentou impor, se opondo a ideia de “bela, recatada e do lar.” Também não poderiam faltar os textões questionando a matéria da Veja, não é mesmo?

 

O movimento que tomou conta do Facebook tem página própria e, foram tantas mulheres que aderiram ao movimento e mandaram suas fotinhas, que dá orgulho de ver. Se quiser ver um pouco mais, clique aqui.

Ainda temos muita estrada pela frente na construção de uma sociedade mais igualitária entre os gêneros. A luta atual do feminismo vai muito além de olhar apenas para as mulheres e seus direitos. Também são preocupações do feminismo acabar com a descriminação de gêneros não-hegemônicos (como as pessoas transexuais), a busca incessante pelo ideal de beleza e o sexismo (que divide as coisas em “de homens de mulheres”).

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Deixamos aqui registrado todo nosso apoio à essa causa. Incentivamos a sororidade (união entre mulheres), que tanto ajuda na convivência e empoderamento feminino. A aliança e o companheirismo entre as mulheres, baseado na empatia de compartilhar objetivos em comum, está trazendo grandes mudanças e desconstrução de conceitos machistas, que estão infiltrados na nossa sociedade.

Mulheres: sem a ideia de irmandade entre nós, o movimento não estaria ganhando voz e proporções significativas para conquistarmos nossas reivindicações. A sororidade é importante, o feminismo é importante. E juntas, nós vamos longe.

Texto: Caroline Sabino
Capa: Luciano Oliveira

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A Sinestesia e os sentidos na publicidade

Você alguma vez já conheceu alguém que só reclama da vida e apenas enxerga o lado negativo das coisas? Se sim, provavelmente pensou que essa era uma pessoa amarga. Ou talvez conheça alguém mais, digamos, tradicional e tenha dito que ela é uma pessoa quadrada. Agora me explica uma coisa: como alguém pode ser amargo ou quadrado? Por acaso você mediu a pessoa para saber se tem todos os lados iguais?

Essas são expressões que usamos no dia a dia e nem percebemos que estamos fazendo algo conhecido como sinestesia. Se você não está familiarizado com o termo, é quando dois ou mais dos nossos cinco sentidos (tato, visão, olfato, audição e paladar) se juntam para criar associações. Entretanto, a sinestesia vai muito além de apenas conexões. Os seus sentidos não apenas se juntam, como também se descolam e assumem outras funções. Por exemplo: ao ser exposto à cor vermelha, sua visão pode fazer o papel do seu paladar, e assim, vai sentir o gosto de seu presunto preferido.

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E quais são os profissionais que utilizam emoções e sensações para comunicar algo? Isso mesmo, os publicitários.❤

Por muito tempo, publicidade foi “só listar as qualidades de um produto” e dizer como seu preço era muito mais em conta que o de seus concorrentes. Mas, em um mundo em que novos produtos e tecnologias surgem a cada instante, além do turbilhão de informações jogadas para o consumidor, essa estratégia não teria tanto exito hoje em dia como teria antes. Agora é preciso inovar e descobrir uma  forma de prender a atenção desse espectador cercado por tantas tecnologias transformadoras.

Foi então que publicitários perceberam que não era preciso ter uma máquina transgressora para conquistar um cliente, o mercado estava sentindo falta de outra coisa. O que era escasso no mundo da publicidade era bem mais simples e por muito tempo foi ignorado. Estamos falando de emoções, sentimentos e sensações.

Não me entenda mal, quando digo que as máquinas não são necessárias, muito pelo contrário, cada vez mais ficamos dependente de sua ajuda. Porém, elas não são capazes de suprir algo tão primordial como as emoções e as sensações, fatores tão importantes e presentes na vida das pessoas. Com essa ideia em mente, profissionais da propaganda começaram a procurar formas de evocar essas sensações nas pessoas e é aí que entra a sinestesia.

Uma das formas mais trabalhadas dentro da publicidade é o uso das cores para a associação de produtos.Vamos analisar rapidamente os logotipos de algumas marcas: Pense numa empresa de tecnologia. Pode ser Twitter ou Facebook. Reparou algo em comum entre elas? Exatamente, ambas usam o azul e o branco em seus nomes e não ache que é uma mera coincidência. Normalmente, empresas que vendem produtos relacionados à tecnologia usam essas cores, uma vez que branco e azul transmitem a sensação de frieza e sobriedade, características comuns no mundo da tecnologia.

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Outro exemplo seriam lojas perfumadas, como por exemplo a Melissa. Não seja ingênuo ao ponto de achar que o dono simplesmente gosta daquele cheiro e o colocou na loja. Na verdade o olfato é um dos sentidos que mais capta informações – depois da visão – sobre o mundo ao seu redor. Sabendo disso, profissionais especializados utilizam essa ferramenta para transformar a visita do consumidor à loja em um momento único e a partir dessa experiência, sempre que essa pessoa sentir esse cheiro vai se lembrar da marca.

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Essa é uma estratégia cada mais usada de forma consistente pelas marcas, o que vem gerando grandes mudanças no modo com que elas fazem sua publicidade. Deixam de lado o clichê da listagem de qualidades e tentam criar uma experiência única e emocionante, usando cores e sons – principalmente – que trazem sensações para seus espectadores.

O principal fator de sucesso dessa estratégia é que não é necessário criar grandes eventos ou tecnologias de última geração. Usando a imaginação e iniciativa é possível criar situações dentro do cotidiano das pessoas que irão despertar essas sensações.

De acordo com Vera Helena Geraige Zatiti – autora da tese de mestrado Comunicação sinestésica midíatica – “A sensação, diante das penetrantes e invasoras estratégias da comunicação midiática é a de que não temos mais como escolher, mas que somos escolhidos antes.”.

Analisando esse trecho do artigo, é cada vez mais óbvio o papel dos sentidos na hora de vender um produto. Isso se deve ao fato de que ao vivenciar essa sinestesia e associar sensações à marca, a pessoa tem a experiência de conhecer a personalidade, os ideais e as crenças da empresa.

Essas experiências trazem uma maior credibilidade para a marca, aumentando as possibilidades de conquistar a confiança de seus consumidores. Uma boa metáfora seria o surgimento de uma amizade. Em um relacionamento entre duas pessoas, você troca experiências e sentimentos, gerando uma identificação entre os dois lados. O mesmo acontece com as marcas que usam esse tipo de estratégia.

Vale ressaltar que, além de proporcionar uma forma divertida e simples de se fazer publicidade, na maioria das vezes, também é uma forma mais barata. Como por exemplo, uma campanha feita pela Burger King, em que taxista usavam aromatizantes com cheiro de hambúrguer em seus carros. No vídeo, as pessoas que entravam no veículo sentiam o cheiro do aromatizador e logo diziam sentir o gosto do hambúrguer em suas bocas e não demoravam muito em pedir ao taxista para os levar a um restaurante da rede de fast food.

Um outro exemplo curioso é o Happy Beep da Coca-Cola. O vídeo mostra pessoas comuns passando suas compras em um caixa de super mercado, tudo muito típico, até o momento em que é feita a leitura do código de barras de uma lata da Coca. O som que todos estamos acostumados a ouvir é substituído pelo clássico jingle da marca. Essa pequena alteração sonora torna uma experiência antes cotidiana em algo marcante e que provavelmente será lembrado por bastante tempo.   

 

As campanhas citadas anteriormente usam uma estratégia conhecida como marketing sensorial. Esse método busca fidelizar o cliente através de seu envolvimento no mundo da marca, seja pelo olfato, tato, visão ou qualquer outro sentido.  Em muitos dos casos, pessoas compram produtos sem realmente entender o por que de estar comprando. Isso por que o marketing sensorial apela para o instinto do ser humano, o estimulado pelos seus sentidos.

Vera Helena Geraige Zatiti também fala sobre a etimologia da palavra texto ‘“Texto”, do étimo latino textu, significando “tecido”.

Seu sentido vai muito além de apenas letras impressas em um papel branco com tinta preta, se estende a um nível muito mais profundo e primordial. Um texto é uma costura de sentidos, seja visual, olfativa, sonora, térmica, gustativa, tátil ou uma junção. E assim tem feito a publicidade, fornecendo muito além de textos estáticos e entediantes, se transformando em uma experiência a ser vivida.

A sinestesia dentro da publicidade é um assunto que pode ser discutido por horas a fio devido à sua grande abertura de possibilidades estratégicas. Desde a mais simples escolha de cores para o logotipo até a decisão de que essência será usada dentro de um ponto de venda.

Existem varias palestras e estudos que tentam entender um pouco melhor sobre esse intrigante mundo que é o da sinestesia e como ele nos afeta diariamente. Se sua curiosidade foi aguçada, vale a pena conferir os vídeos (que foram usados como pesquisa para esse post, aliás) sobre o assunto que vamos deixar aqui embaixo. E antes que me esqueça: você já vivenciou algum tipo de sinestesia? Quem sabe não tem uma experiência legal para compartilhar sobre esse fenômeno. Conta para gente!

Vídeos:

 

 

 

 

 

Texto: Lívia Reim

Capa: Vinícius Silva

 

Referências

O que é marketing sensorial?

Artigo da Intercom – Provocações Sensoriais na Comunicação Midiática