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O marketing do futuro

Todo já passamos por aquela dúvida: será que compro esse ou aquele?

Um usuário do Twitter se encontrou nessa mesma situação após sua televisão da Samsung queimar. Então ele se viu no papel de decidir qual marca de televisor deveria adquirir. Mas ao invés de fazer um viagem chata e entediante à loja, ele teve uma ideia que iria agitar a twittersfera. Uma batalha de rimas entre as empresas LG e Sony!

As regras eram simples: a empresa que conseguisse criar a melhor rima ganharia a batalha e o cliente junto. Sendo assim, ele convocou as duas marcas e lançou  o desafio. A primeira a se pronunciar foi a Sony Brasil (@sonybrasil), mas a LG (@LGdobrasil) não deixou barato e logo em seguida fez sua rima em resposta.

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Não é nem preciso dizer que brincadeira viralizou pela internet. É sempre divertido ver empresas, antes entendidas como sérias e tradicionais, entrarem na brincadeira. Mas por que essas empresas tão tradicionais agora estão fazendo batalhas de rima? Muito bem, caro leitor, nós aqui do NCD temos a explicação para a sua dúvida: e ela se chama Marketing de Conteúdo.  O objetivo não é convencer, e sim criar um dialogo genuíno entre o consumidor e a empresa, gerando um conteúdo relevante e que acrescente algo para o público. De acordo com (TORRES, 2009) marketing de conteúdo é:

(…) o uso do conteúdo em volume e qualidade suficientes para permitir que o consumidor encontre, goste e se relacione com uma marca, empresa ou produto. Não se trata de ‘disfarçar’ seu catálogo de produtos ou criar uma mensagem subliminar para o consumidor dentro de um texto. Trata-se de aproveitar a dinâmica já criada na Internet, entre consumidores e ferramenta de busca, e utilizar a seu favor. A ideia é gerar conteúdo genuíno, útil e relevante para o consumidor, isento de interferência comercial. (TORRES, 2009, p.87).

Marketing de Conteúdo é uma forma de engajar o público com sua marca. Como o próprio nome diz, não é preciso seguir a velha formula da publicidade – como campanhas e comercias televisionados – para se criar esse conteúdo. Pode ser feito qualquer tipo de coisa: como textos para blogs, vídeos para o Facebook ou até mesmo batalhas de rima no Twitter!

Uma empresa que já tem uma certa experiência com esse tipo de marketing (e nós amamos) é a Netflix❤. Para a divulgação da segunda temporada da série Narcos – que conta a história de um dos maiores traficantes de droga do mundo, Pablo Escobar – o site pagou à alguns jornais e revistas pelo espaço de capa. Nesse espaço, a empresa colocou reportagens sobre a fuga do traficante, assim como aconteceu em 1992. Alguns jornais entraram na brincadeira e resolveram usar as mesmas reportagens que usaram na época em que o fato ocorreu! Outra ação super legal que fizeram foi colocar o ator Wagner Moura, que interpreta o traficante Pablo Escobar, para traduzir algumas das expressões usadas na série.

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Mas essa não foi a primeira vez que a empresa fez essa brincadeira. Com o intuito de anunciar a quarta temporada do seriado House of Cards,  aqui em nossas terras tropicais, o streaming também comprou os espaços de capa de algumas revistas para anunciar – spoiler para vocês – a candidatura à presidência do personagem Frank Underwood. Além desses, existem vários outros exemplos como o marketing de divulgação do filme Deadpool, no qual várias estratégias online – clickbaits, Q&A’s (quando os fãs mandam perguntas que são respondidas), entre vários outros –  foram criadas para envolver não apenas os fãs das HQ´s, mas todo o público da internet, nesse mundo do anti-herói.  

Como podemos perceber, nenhuma das ações envolveu um comercial ou um outdoor como acontecia há alguns anos. Tudo foi criado com o objetivo não apenas de divulgar algum produto e ideia, mas também de fazer uma publicidade que entretenha aqueles que a consomem. Esse é o verdadeiro objetivo do Marketing de Conteúdo: criar algo com significado para o público, tornando a experiência de consumir muito mais prazerosa e interessante.

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Uma vez que podemos entender tudo o que nos cerca como comunicação, o mercado que trabalha com ela deve estar sempre em evolução. Deve sempre acompanhar as mudanças sociais e tecnológicas no mundo, já que é um setor em que é preciso constantemente conquistar seus consumidores.  O Marketing de Conteúdo é uma forma dinâmica de se comunicar com as pessoas, permitindo que elas não sejam apenas um receptor da mensagem, mas que possam fazer parte dessa troca de informações.

E vocês, o que acham dessa novo jeito de fazer publicidade? Nos conte nos comentários!

 

 

 

Fontes:

As estratégias de marketing digital utilizadas na campanha de divulgação do filme Deadpool.
B9 : Netflix usa capa de jornais para divulgar nova temporada de “Narcos”
B9 : Aprenda espanhol com Pablo Escobar
B9 : Candidatura de Frank Underwood

Texto: Lívia Reim
Capa: Amanda Pacheco

 

      

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Nerve: você é um observador ou um jogador?

Bem vindo ao Nerve, um jogo semelhante a “verdade ou consequência”, mas sem a “verdade”. Os observadores pagam para assistir, os jogadores jogam para ganhar dinheiro e glória. Você é um observador ou um jogador?

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Nerve: um jogo sem regras  é um filme que se passa no ano de 2020 e conta a história de Vee (Emma Roberts), uma menina tímida que se sente pressionada a se desafiar e Ian (Dave Franco), um dos melhores jogadores de Nerve.

Após seu lançamento, Nerve se torna febre entre os jovens, provocando seus jogadores com tarefas cada vez mais loucas, a fim de receberem mais status. Vee decide fazer uma conta no jogo para provar que não é só mais uma observadora e, a partir daí, as coisas saem do controle.

O filme é inspirado em um livro com o mesmo nome, da autora Jeanne Ryan. E possui como diretores Henry Joost e Ariel Schulman, conhecido por dirigir filmes como atividade paranormal 3 e 4 e a série da MTV: Catfish.

Nerve possui uma abordagem diferenciada, relacionando o real com o virtual. O posicionamento da câmera muitas vezes nos faz imergir no ambiente do filme. Um exemplo disso é a cena que mostra uma chamada de vídeo pelo Skype, quando somos capazes de ver a cena de dentro do computador da personagem.

Durante os desafios, os jogadores precisam filmar o que fazem e podemos visualizar o desafio pela câmera do celular do jogador, o que transforma em observadores quem assiste o filme.

Há ocasiões onde cenas de outros filmes, como Matrix  ou Jogos Vorazes são utilizadas para ajudar em algumas explicações.

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Nerve da vida real

O jogo trabalha com o desejo que seus jogadores possuem em ganhar cada vez mais status, sem pensar nas consequências de seus atos. A partir do momento em que você escolher ser um jogador, o jogo possui acesso a todas as suas informações, desde seu primeiro contato com a internet até sua conta bancária.

Durante o filme somos apresentados a dados referentes a internet, como o fato de que só temos acesso a uma pequena parcela da mesma, o restante se encontra na chamada Deep Web. Muito utilizada durante o filme, tanto por pessoas que acessam, como pelo jogo para coletar informações de seus usuários.

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É evidente a falta de privacidade na internet que o filme apresenta e nós nem percebemos que a nossa realidade não está longe disso. Cada vez mais temos pessoas se preocupando com a quantidade de curtidas que recebem ou seguidores que possuem, não medindo esforços para alcançar a fama nas redes sociais.

Ainda existem os famosos “termos de uso”, que ninguém lê, contendo informações importantes, no qual demonstram quais são os dados que estamos cedendo para utilizar certos serviços, muitas vezes pedindo acesso aos nossos dados pessoais e nós simplesmente aceitamos. Para saber mais, assista o documentário Terms and Condition May Apply , no qual esse tema é amplamente abordado.

O filme também é muito semelhante a um dos episódios da serie Black Mirror (EP2-T2), que nos leva a um futuro onde existem os observadores, os caçadores e as pessoas que são imunes aos efeitos da tecnologia. Essas pessoas são perseguidas pelos caçadores e os observadores somente gravam essa perseguição com seus celulares.

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Black Mirror (EP2-T2)

A série trabalha justamente com a tecnologia, fazendo grande crítica a má utilização dela, além da forma que os indivíduos consomem e vivem com os avanços tecnológicos fazendo alusão à Cultura de Convergência, que lida diretamente com a maneira que consumimos os conteúdos midiáticos por diversas plataformas. No artigo “Não somos um gadget nem uma rede social”, Felipe Tessarolo aborda mais sobre essa relação entre o homem e a tecnologia.

Fazendo uma relação da série Black Mirror com o filme Nerve, o que acontece é o mesmo: os observadores, somente preocupados em gravar o que está acontecendo. No caso da série, a caçada e do filme, os desafios de cada jogador. Ambos sempre correndo atrás de mais adrenalina e fama.

Trazendo essa relação para a vida real, temos os observadores como os famosos “Haters”, que se escondem atrás de seus perfis, muitas vezes fakes, para praticar o bullying virtual. Figuras pública são os mais atingidos por esse tipo de pessoa. No vídeo abaixo, temos exemplos de artistas como Tom Hanks, Jennifer Garner e Benedict Cumberbatch lendo e comentando Tweets de alguns de seus Haters.

E na vida real também existem os jogadores, como os usuários das redes sociais que buscam a fama, não medindo esforços para que isso aconteça. Como exemplo, temos o caso Marina Joyce que repercutiu pelo mundo com a hashtag #savemarinajoyce, no qual seus fãs, após avaliarem alguns vídeos da Youtuber, detectaram supostos pedidos de ajuda e vários hematomas pelo corpo de Marina. Com isso, seus seguidores entraram em desespero sob a teoria de que a garota estava sendo mantida em carcere privado e sofrendo agressões.

A polícia foi acionada e o mundo todo ficou apreensivo com o que poderia acontecer. Porém, após investigação na casa da menina, foi relatado que estava tudo bem. A suspeita é de que Marina sofre de problemas psicológicos e que todas as pistas que os fãs encontraram em seus vídeos foram inventadas por ela, para chamar atenção e posteriormente ganhar fama.

Nerve na mídia

Além do trailer que repercutiu na internet, o filme marcou presença nas redes sociais com a hashtag #WatcherOrPlayer.

Para a divulgação de Nerve, sua página oficial no facebook optou por desafiar seu público, levando-os a viverem as experiências que presenciariam na tela. Claro que os desafios não foram tão radicais como os do próprio filme, né? Alguns exemplos foram: fazer massagem em um desconhecido, ou simular uma viagem no tempo bem sucedida.

 

Além de desafiar o público, Nerve desafiou Youtubers brasileiros e diferente dos outros desafios, esses foram um pouco mais difíceis.


Não foi só o facebook que apareceu com propostas inusitadas. Nerve ainda disponibilizou um site para criação de pôsters personalizados inspirados no filme, onde o usuário pode escolher uma foto sua para ter no pôster.

O spotify tambem não ficou de fora. Além de marcar presença em muitas cenas, foi produzida uma playlist para o filme.

O que poucos sabem é que realmente existe um aplicativo Nerve, disponível para android e IOS. O site direciona os usuários para baixa-lo, além de ter alguns desafios que jogadores gringos realizaram. O único problema é que não é possível ser um jogador, somente observar os desafios realizados por outros usuários.

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Emma Roberts, Dave Franco e os diretores do filme ainda participaram de uma entrevista para comentar o trabalho realizado, além de expor suas opiniões sobre o tema abordado em Nerve.

Após ler esse texto, avalie suas redes sociais, aquilo que você compartilha, o conteúdo que você consome diariamente na internet e responda a pergunta: Você é um observador ou um jogador?

Texto: Natália Souza
Capa: Felippe Ferreira

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Inteligência artificial e o processo criativo

Inteligência Artificial: O que é? Da onde vem? Como funciona?

Essas são perguntas que você certamente já fez e resumiu suas emoções ao velho pensamento de que “os robôs vão se rebelar contra os humanos e dominar o mundo.”

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Pensando nesse assunto, rcentemente um robô na Rússia fugiu de um centro de estudos em busca de liberdade, mas ele só conseguiu percorrer 50 metros antes que sua bateria acabasse. Será que enquanto eles precisarem de bateria estaremos seguros? E se a duração das baterias aumentar? Essa é uma dúvida que ainda não sabemos responder. Mas isso não quer dizer que a internet não goste bastante de especular, como o HypeScience apresentando temas como “10 razões pelos quais devemos temer os robôs”.

Até alguns anos atrás, Inteligência Artificial era apenas tema de filme de ficção científica, como no filme homônimo (2011), dirigido por Steven Spielberg,ou até mesmo em Matrix

Um recurso inimaginável para nós, meros mortais, que ainda sofríamos com a internet discada e os celulares de flip.

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Porém, o tempo passou e a tecnologia foi desmistificada, de modo que fomos convencidos de que ela não é tão fictícia assim, devido à sua evolução e o impacto que ela causa no nosso dia a dia. Um grande exemplo disso é o império que a Apple construiu com seus aparelhos (iPhone, iPad, Apple Watch, AppleTV, MacBook, iPod, iMac…) dos quais não conseguimos nos desvencilhar mais porque eles se tornaram parte da nossa rotina.

Talvez o que mudou a nossa percepção foi a chegada do Watson, o supercomputador desenvolvido pela IBM:

Feito para compreender e responder à linguagem humana e mudar a forma como interagimos com as máquinas, foi criado originaimente para diagnóstico clínicos. E realmente funciona! Já tendo diagnosticado um câncer de pulmão em 2013.

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Como assim um robô médico???

Projetado em 2007 por uma equipe composta por cerca de trinta cientistas, Watson também tem o título de computador mais potente do mundo. Em 2011, se fez famoso ao vencer de lavada os dois melhores jogadores (humanos) do programa Jeopardy, da TV americana. Confira uma parte do desafio e chore com a rapidez dele:

Essa não foi a primeira máquina da IBM que competiu contra um homem. Ainda nos anos 90, mais precisamente em 1996, o maior jogador de xadrez do mundo, o russo Garry Kasparov, combateu Deep Blue, “um supercomputador da IBM projetado para jogar em pé de igualdade contra qualquer jogador de xadrez do mundo” e venceu. Mas o mesmo não ocorreu na segunda vez. O torneio tornou-se tão significativo que gerou estardalhaço e dúvidas de trapaça por anos a seguir. Leia mais aqui para saber como rolou essa história.

Inteligência Artificial e o Processo Criativo

Mas o que o NCD tem a ver com isso?

Somos um Núcleo de Criatividade Digital. Relacionamos a criatividade com a influência tecnológica. E essas novas tecnologias estão desenvolvendo seu próprio processo criativo e afetando até o dos publicitários.

Se houve uma mensagem estrondosa do Festival Internacional de Criatividade de Cannes Lions deste ano,  era que a tecnologia sozinha não é mais suficiente para nos impressionar. Como Sir John Hegarty, fundador da BBH, disse: “Nós temos que lembrar que a tecnologia permite oportunidade, mas é a criatividade que permite valor”. Forbes

Recentemente em Londres, a agência M&C Saatchi criou o primeiro anúncio produzido com IA no mundo. O poster foi gerado para uma marca fictícia de café, a partir da mistura automática de variáveis criativas como: texto, imagem, fonte e cores. Mais do que isso, o cartaz se alterava conforme a reação das pessoas fosse positiva ou negativa.

A Raffcom explicou muito bem como processo funcionou:

“Utilizou-se um sensor Kinect localizado acima do painel digital que conseguiu rastrear o rosto de quem olhava para a tela e determinava se ela reagiu bem ou mal, era por meio desse comando que o algoritmo decidia se algum elemento do anúncio deveria ser alterado ou não, como o texto, a fonte, o tamanho da fonte, a imagem de fundo e até o layout completo.

Havia uma peça “gene pool” que gerava 22 anúncios de cada vez. A cada geração, ela “interpretava” as reações do público e – com base nos resultados colhidos e interpretados e adaptava a mensagem para as próximas interações.”

Tem-se a projeção de que em menos de vinte anos a tecnologia não apenas processará conhecimento lógico e técnico, mas também estabelecerá conexões criativas, impactando uma série de indústrias que até então se blindavam deste tipo de interferência.

Se vocês não estavam preocupados ainda, é hora de se atualizar urgentemente!!!

A Inteligência Artificial nas Artes

Lembra quando falamos do filme “Inteligência Artificial” de quinze anos atrás? É claro que o tema voltou com força total. O filme “Ex Machina” (2015) contextualiza no futuro a interação entre o criador de um robô com inteligência artificial. Para entender com mais profundidade, a Revista Fórum fez uma análise relacionando o filme com Nietzsche, Big Data e outros temas polêmicos.

Então, a 20th Century Fox também trouxe o tema de volta com “Morgan”, um filme de terror e ficção científica que estreia esse mês e dá arrepios quando se trata de IA.

Para criar o trailer, a Fox fez um desafio: Pediu que os cientistas da IBM utilizassem o Watson para criá-lo.

O site da Superinteressante explicou como o processo funcionou:

“Para realizar a tarefa, a IBM alimentou Watson com cenas de 100 trailers de filmes de terror e suspense. O supercomputador analisou vídeo, áudio e composição de cada uma das cenas para encontrar a fórmula do trailer perfeito, absorvendo e calibrando quais são os momentos que mais instigam o público.

Após a avaliação, Watson recebeu o filme completo, que tem 90 minutos, e escolheu dez cenas para compor o trailer. “Watson foi capaz de entender a cena visualmente e determinar se ela era assustadora, delicada, triste ou feliz”, explica John Smith, cientista da IBM, em vídeo.

Como a união de todas as cenas totalizou longos seis minutos, um editor da IBM as organizou para contar uma história coerente e sucinta. Todo esse processo durou apenas 24 horas, sendo que um trailer leva geralmente semanas para ficar pronto”.

O resultado final você confere abaixo:

Desde o Watson, ficamos mais curiosos à iniciativas robóticas. Mas enquanto nós, seres humanos, não sabemos desenhar nada além de palitinhos, o e-David é um rôbo que não apenas pinta, como também aprimora sua arte a partir de um sistema de reconhecimento e feedback visual, captado por uma câmera. Quem não queria um desse para fazer os trabalhos de Artes na escola?

 

The Next Rembrandt

Como seria o próximo quadro de Rembrandt se ele estivesse vivo? A inteligência artificial, junto à tecnologia, pode nos ajudar a descobrir. Considerada uma “obra-prima artificial”, a peça, feita inteiramente por computadores, é fruto de uma parceria entre a Microsoft, o banco ING, a universidade de Delft e de museus holandeses, envolvendo o trabalho de historiadores, programadores e analistas que passaram um ano e meio constituindo uma base de dados exclusiva.

Mais de 300 obras de Rembrandt passaram por um scanner 3D e um algoritmo reteve as principais características das pinturas. “Para ser fiel ao mestre, o programa calculou que era preciso fazer o retrato de um homem branco, entre 30 e 40 anos, com roupas escuras, colarinho claro e um chapéu”, disse Emmanuel Flores, diretor técnico do projeto.

O resultado ficou assustadoramente fiel.

Tudo isso nos leva a pensar:

“Com a IA tornando-se algo cada vez mais sofisticado e valioso em empresas de tecnologia, é natural que outros mercados, como o da própria publicidade, comecem a dar seus primeiros passos com esse tipo de tecnologia.

Esse tipo de influência da tecnologia nos processos criativos deve se intensificar de forma exponencial nos próximos anos, transformando para sempre nosso jeito de trabalhar com questões subjetivas. Para o bem e para o mal.” – UpdateorDie

Nós já estamos curiosos (e assustados!), e você?

Texto: Alessandra Santarosa
Capa: Luciano Oliveiro

Confira mais em:
SuperInteressante: 
B9
Update or Die: inteligência artificial na publicidade
Forbes
Criativa 
Istoé

 

 

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Nós também somos consumidoras!

Você sabia que as mulheres representam 33% dos consumidores de cerveja?

Pois é! E mesmo assim, a mídia ainda traz para a maioria dos comerciais de cerveja uma visão totalmente estereotipada sobre esse público, selecionando as mulheres de acordo com um padrão de beleza pré-estabelecido.

Pensando nisso, a galera do 2º Período de Publicidade e Propaganda da FAESA desenvolveu um projeto que tem intenção de questionar o posicionamento das propagandas de cerveja em relação ao público feminino. A ideia é fazer uma intervenção rápida, utilizando de cartazes informativos que convidem a uma reflexão.

O projeto também se estende às redes sociais, com textos curtos e dinâmicos no Facebook, com intenção de que na correria do dia a dia, mesmo que por alguns minutinhos, você pare para refletir sobre o assunto.🙂

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Além das redes sociais, o grupo também irá espalhar cartazes como este dentro da faculdade.

As propagandas que se apropriam da imagem feminina, em sua maioria, retratam as mulheres como símbolos sexuais, usando roupas provocantes, explorando sua sensualidade e descartando seu conhecimento intelectual. Ou seja, as mulheres não são representadas como consumidoras reais, mas sim como parte do produto. Parece que elas estão ali para servir ao homem e a sensação é de que estamos longe de uma sociedade com igualdade de gênero.

 

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Recadinho do core pra essa indústria antiquada…

Este é um tema bastante polêmico, né? E tem alimentado debates intensos. Ficamos felizes em ver nossos colegas levantando essas questões e lutando por uma publicidade mais representativa. Claro que só podia ter cria nossa no meio, né? <3 

Parabéns a professora Ana Meneguelli e a todos os alunos pela iniciativa.

E você, o que acha dessa questão? Conta pra gente!

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A repercussão das Olimpíadas na internet e na publicidade

Os Jogos Olímpicos acabaram e deixaram uma saudade imensa no coração dos brasileiros. E como qualquer grande evento no Brasil, muito foi falado sobre a capacidade do nosso país de sediar um evento tão singular como as Olimpíadas, principalmente pelo caos político que temos vivido.

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No entanto, como somos brasileiros e não desistimos nunca, lá no fundo a gente sabia que, se tem uma coisa que esse país tropical sabe fazer bem, essa coisa é festa. E foi exatamente isso que entregamos ao mundo todo: uma surra de cor, alegria, cultura, história, representatividade e com tudo o que temos direito. Foram 15 dias de muito esporte e festa e as pessoas ainda estão tentando descobrir como lidar com o fim disso tudo.

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E como o melhor do Brasil é o brasileiro, é claro que a nossa amada (idolatrada salve salve) internet <3 não ia deixar de participar dessa loucura. E é claro que ela foi a responsável por nos entregar tanto material maravilhoso, que nós do NCD fizemos questão de separar vários memes e preciosidades da web que circularam por aí durante esse período. Preparados?
Tudo começou com a Cerimônia de abertura maravilhosa, quando de repente vimos o maracanã bonito demais:

E nesse momento o brasileiro já estava se preparando pra ver todo a história que seria contada naquele espetáculo:

E aí foi quando a gente já começou a ficar animado:

Então, teve o momento em que foram apresentadas as delegações de cada país:

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Logo depois, fomos surpreendidos com uma chegada triunfal da nossa Übermodel Gisele bundchen:

E a representatividade feminina não parou por aí não: tivemos um time de meninas para representar nosso país para o mundo, contando ainda com Anitta, Karol Conka, Mc Sofia e Izabel Gourlat:

No final das contas, conseguimos entregar uma abertura bem brasileira:

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Com tudo isso, não faltaram elogios para o nosso país na mídia internacional. se antes achavam que não iríamos dar conta, mostramos ao mundo todo que somos expert em grandes eventos.

Começando com o famoso The Washington Post, que fez uma matéria super legal mostrando seu olhar sobre a abertura. De acordo com eles: “por uma noite, ao menos, o Rio de Janeiro expôs o que faz de melhor. Este é um país especialista em folia, que todos os anos enche suas ruas com uma alegria inebriada, dançarina de quem beija estranhos no Carnaval. A batida do samba, as plumas e lantejoulas, as modelos e atletas: os brasileiros se prepararam para a cerimônia de abertura durante anos”.

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“Rio traz seu estilo sambista á cerimônia de abertura da Olimpíada de Verão”.

 

O jornal britânico The Guartian optou por um cobertura em tempo real, e fizeram algumas comparações sobre as últimas aberturas: “O tema de Pequim 2008 foi  “a China é grande”, o de Londres 2012 foi a “Grã-Bretanha FOI grande”. O tema de hoje? “É melhor nós começarmos a fazer algo sobre o meio-ambiente ou nós talvez não tenhamos muitas Olimpíadas para celebrar no futuro”. 

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E o espanhol “El Páis”, que também acompanhou a cerimônia em tempo real, optou por falar sobre sua delegação em sua manchete, mesmo assim, publicou uma galeria de imagens, com o título: “As imagens de uma festa em que o Brasil celebra sua diversidade.”

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“A equipe espanhola desfilou no Rio liderado por Nadal.”

A partir do momento que essas matérias foram sendo veiculadas no mundo todo, a internet não polpou esforços para valorizar o país:

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Além dos grandes jornais, várias marcas se dedicaram e gastaram bastante dinheiro, aproveitando o tema das Olimpíadas, para fazer  suas campanhas.

Começando pelos patrocinadores, a Visa resolver tocar em um assunto um tanto quanto polêmico: a formação do “Time de Refugiados” das Olimpíadas. Trata-se  de uma equipe com 10 atletas de diversas nacionalidades, como Síria, Sudão do Sul, Congo e Etiópia que, juntos , competiram sob a proteção do Comitê Olímpico Internacional. 

A marca promoveu uma campanha, feita pela agência BBDO de Nova York, com o intuito de lembrar a incrível história da nadadora síria Yusra Mardini, que ganhou notoriedade internacional em 2015, depois de salvar a si própria e mais 17 refugiados quando tentavam atravessar o mar Mediterrâneo até a Grécia. Confere aí:

Já a Samsung, outra patrocinadora oficial dos jogos, também resolver contar mais uma história emocionante. Na campanha intitulada #DoWhatYouCant, dessa vez eles lançaram um filme  chamado “The Clant”, protagonizado pela atleta sul-sudanesa Margret Rumat Hassan, sendo a representante do Sudão do Sul, lembrando que era a  primeira vez que o país enviava uma delegação aos Jogos.

 

A rede de fast food americana McDonald’s, além de ser o restaurante oficial do evento,  a marca preparou uma operação inteira a respeito dos jogos. De acordo com a Exame.com: “O McDonald’s montou na Vila Olímpica seu maior quiosque de sobremesas no mundo, com 200 metros quadrados.” Confira abaixo um infográfico a respeito da operação:

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Créditos: Exame.com

Além disso,  ações circulam por diversas plataformas digitais do McDonald’s, como Facebook, Snapchat, Instagram e Twitter e foram criadas em parceria com a DM9DDB.

Sob um conceito macro de #SabordaVitória, que englobou todos os conteúdos e ações que o McDonald’s estava produzindo em seus canais digitais, a marca levou a sua “delegação olímpica” ao Rio de Janeiro para trazer informação, diversão e mostrar aos seus milhões de seguidores que, “independentemente dos resultados das competições, os amigos podem se reunir para saborear os produtos do McDonald’s.”

A ação ainda contou com diversos influenciadores digitais, como Danielle Diz e Fernando Escarião que eram as âncoras do snapchat, fazendo a cobertura todos os dias. Outros convidados foram: Becca Pires, Federico Devito, Lucas Rangel, Rezende, Taciele Alcolea, Maju Trindade, Ludmila OG, Karen Jonz e Igor Saringer.  

Deitados numa cama de mascotes Vinicius #Rio2016 #SaborDaVitória

Uma foto publicada por Federico Devito (@federico_devito) em

Se não bastasse toda essa loucura, a marca ainda aproveitou a popularidade do Snapchat  e, durante os dois primeiros sábados dos jogos (6 e 13 de agosto), foi disponibilizado um geo-filter McDonald’s, com uma imagem de um pódio com uma McOferta, no qual usuários de todo Brasil  podiam usar em seus snaps.

 

E parece que a onda de usar influenciadores digitais em campanhas se espalhou por toda a vila olímpica. Marcas como Coca-ColaAdidas e Pantene também contaram com um time digital como centro de suas campanhas para divulgar seus nomes durante o evento.

A Coca-Cola também aproveitou o sucesso nas plataformas digitais e escalou influenciadores de diferentes partes do mundo pela primeira vez em uma campanha global. Criada pela Mutato, a ação publicitária envolveu uma série de vídeos que recebeu o nome de “Record Breakers”. Nela, influenciadores de diferentes partes do mundo se reúnem no Rio de Janeiro para quebrar recordes incomuns.

A marca ainda contou com um comercial feito apenas com influencers nacionais, para divulgar a campanha em solo brasileiro. O time escalado foi composto pelos vlogers Lucas Rangel, Chris Figueiredo, Felipe Castanhari e Bruna Vieira.

 

Me sentindo numa cena de High School Musical hahaha (eu sei que não sou loiro mas eu quero ser o Troy do mesmo jeito) #otroyloirosim @pqcostella

Uma foto publicada por Snapchat: lucasranngel 😁 (@lucasranngel) em

 

A campanha da Adidas ficou por conta da “Creators Base Adidas“, uma mega estrutura para criação de conteúdo e relacionamento no Rio de Janeiro. De acordo com Simon Cartwright, Diretor Sênior da Adidas, “a Adidas Creators Base é uma plataforma de criatividade e inovação. Reunimos todo o aprendizado de grandes eventos como Londres 2012, a Copa do Mundo da FIFA em 2014 e, mais recentemente o UEFA EURO 2016, para oferecer o melhor para os atletas, imprensa, influenciadores, parceiros, funcionários e, claro, os consumidores.”

Festinha da @adidasbrasil! 🙋🏻 #ToVoando

Uma foto publicada por Bruna Vieira 🍓 (@brunavieira) em

Com isso, a marca convidou diversos influenciadores para desfrutar de toda essa estrutura, durante os jogos olímpicos. Um dos maiores destaques da campanha foi a youtuber Kéfera.

 

A Pantene resolveu reunir seu “Time de Ouro”, que contava com modelos, atrizes e blogueiras de moda e beleza, num mega evento no hotel Royal Tulip no Rio de Janeiro junto com Rodrigo Faro e muitos convidados para falar sobre como a força de cada mulher faz diferença na beleza, carreira e vida pessoal. Suas embaixadoras debateram diversos assuntos e fizeram brilhar não só os cabelos mas o local inteiro.

A campanha era composta por: Naira Lili (modelo), Camila Coutinho (blogueira), Lalá Rudge (blogueira), Marina Ruy Barbosa (atriz), Gisele Bundchen (Modelo), Camila Queiroz (atriz e modelo), Thainá Duarte (modelo), Thássia Naves (blogueira) e Lelê Saddi (blogueira), foi usada em todos os canais de marca.

 

Por último, mas não menos importante, nosso Jogos Olímpicos contaram com uma Cerimônia de Enceramento digna de um evento cheio de cor e alegria proporcionado pelo Brasil. Assim como a abertura, a festa de encerramento deu o que falar em todas as redes sociais.

O encerramento aconteceu quando a chama olímpica oficialmente se extinguiu enquanto Mariene de Castro cantou “Pelo tempo que durar”, de Marisa Monte e Adriana Calcanhoto. A apresentação ocorreu em meio a uma chuva artificial e natural, que representou a abundância das águas tropicais do nosso país, lindo né?❤

Esse momento foi quando a internet se deparou com a realidade de que nossos 15 dias de festa estava chegando ao fim:

E não faltou ideias para conseguirmos sediar grandes eventos todos os anos:

Que esses Jogos Olímpicos deixaram saudade a gente já sabe!

Mas ninguém botava muita fé e ainda apostavam que seria o maior mico do país. A verdade é que o evento foi maravilhoso e conseguiu despertar todo o sentimento nacionalista do brasileiro, mostrando ao mundo todo que, mesmo com todos os problemas, soubemos fazer esse evento único da melhor forma possível, não só para gente, mas para o mundo todo.

E Mesmo começando mal no quadro de medalhas, terminamos com a melhor colocação entre todas as edições que o Brasil participou.

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Parabéns aos nossos atletas que se esforçaram tanto e conseguiram trazer todo esse orgulho para o Brasil!❤
Texto: Guilherme Melo.

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Os Influenciadores Digitais, o Snapchat e o consumo das mídias.

Se você pensou que estávamos nos ‘fazendo de doidos’ e ignorando o fenômeno mais recente no mundo dos  Digital Influencers e das redes sociais…calma seguidor! Estamos aqui pra finalmente falar de Thaynara OG e a revolução do Snapchat.

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Nos últimos meses, uma maranhense de apenas 24 vem roubando a cena na internet. Thaynara Gomes, mais conhecida como @thaynaraog é a primeira celebridade rica bem novinha lançada com sucesso pelo Snapchat no Brasil.

Temos exemplos incansáveis de influenciadores digitais que surgiram de plataformas como o Youtube e Instagram, mas, no app mais amado pelos jovens (fora Pokemon Go),  Thay é a primeira a deslanchar e colher os frutos fartos de uma fama repentina.

Profissão do futuro?

Como não cansamos de falar por aqui, nossa amada cibercultura é a progenitora desse fenômeno chamado Influenciadores Digitais. Isso porquê a liberação do pólo de emissão deu voz a quem e para o que quiser comunicar. Mas como sabemos que seguidor é bicho perdido, vamos traduzir mais ainda para você:

Pessoas capazes de mobilizar uma grande audiência nas redes sociais, seja por seu estilo, fotos bem produzidas, humor ou qualquer outro ~talento~, agora têm plataformas para produzir todo o tipo de conteúdo. Quem é considerado relevante, seja por qualquer característica pessoal, atrai um público e se torna capaz de influenciar seus comportamentos, pautar temas e tendências que são replicados e discutidos pelo seu público (vulgo, seguidores).

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Seguidores pedem o aval de Kéfera Buchmann sobre o produto anunciado. Se ela aprova, eles confiam.

 

Estes são os novos profissionais que têm transformado a forma de se fazer publicidade e movimentado um novo tipo de mídia para as marcas. Seria seu sonho? O nosso também! Muitos Youtubers têm hoje pequenas fortunas conquistadas com suas maquiagens ou diários em vídeo.

Casas, carros e viagens são conquistas que muitos realizaram antes dos 25 anos com a profissão de Digital Influencer. Grandes marcas têm apostado nessa plataforma para se tornarem relevantes para o público jovem e alavancarem as vendas para aqueles que sonham em ter/usar o que seus ídolos digitais tem/usam.

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Kéfera indica e ensina sobre uma promoção da marca de cartões Mastercard

A juventude do século XXI e o consumo de mídia

Muitos jovens já não consomem o conteúdo oferecido pelas emissoras de TV como antigamente. Seja pelos horários restritos (fixos) para assistir aos programas ou por não sentirem proximidade com o que as emissoras produzem, esses indivíduos têm migrado para as redes sociais. Com isso, as marcas viram a necessidade de direcionar os investimentos em mídia para onde o seu público realmente está.

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blogueiros costumam fazer vídeos (snaps, youtube ou postagem no instagram) para mostrar tudo o que recebem das marcas e agradecer

Mas qualquer um pode postar na internet, certo? Aí é que tá o problema. Com as barreiras de entrada quase inexistentes, muitas marcas lotaram nossa querida web e, com isso, cada vez mais publicidade é oferecida sem que nós tenhamos interesse.

Para evitar que seu conteúdo seja bloqueado (por ferramentas como os Adblocks) ou simplesmente ignorado (por mecanismos como o “pular este anúncio”), as marcas passaram a investir não mais em comerciais com artistas de TV, figuras tão distantes para os jovens, mas em outros jovens que, pela proximidade ou admiração, têm muito mais poder de convencimento sobre esses novos consumidores.

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Kéfera é patrocinada pela Adidas e desperta o desejo de compra nos seguidores ao usar e postar as peças da marca

Ao invés de sentar em frente a uma televisão, a juventude hoje prefere assistir a outros jovens como eles em seus “reality shows” da vida comum. Os programas oferecidos pelas TVs, abertas ou a cabo, não acompanham o dia a dia, as preferências ou costumes desse público. E neste novo cenário de transformação no consumo de mídia, eis que surge o aplicativo para revolucionar tudo isso. Ele mesmo, o fantasminha que desaparece em 24hs.

O SnapChat e os reality shows individuais

Com fotos e vídeos que podem ser vistos por apenas 10 segundos durante 24h (ou não, caso não) no Snapchat, cada um pode ser a estrela do seu próprio programa.Com ferramentas diferenciadas como filtros e caneta para desenhar nas imagens, o aplicativo oferece muito mais possibilidades de interação do que as outras redes sociais.

Basta um Smartphone com internet e pronto: qualquer pessoa pode ser a celebridade do seu círculo de amigos e fazer, do seu dia a dia, o seu próprio Reality Show. A popularização do aplicativo do momento fez com que cada vez mais pessoas passassem a expor sua rotina e “conversar com o celular” para entreter seus seguidores.

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Thaynara OG e o poder do kiu

Tá, mas quem é Thaynara Gomes dentro de todo esse contexto? Um produto da nova cultura de consumo de conteúdo pelos jovens que deu a ~sorte~ de dar certo. A maranhense nunca sonhou com a fama que tem hoje e tudo o que realizaria quando começou a fazer graça no Snapchat, em junho de 2015, para descontrair no intervalo de estudos para prestar concurso público. Advogada formada, a menina ouviu dos amigos que tinha talento e deveria colocar o perfil público para que as pessoas pudessem conhece-la.

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Um foi indicando ao outro e, quando menos esperava, famosos globais estavam mencionando seu perfil e indicando aos seguidores. No final do ano passado Thaynara já havia se tornado um fenômeno. Mas foi este ano que o boom aconteceu: de anônima à muito famosinha do Snap com mais de meio milhão de visualizações por dia.

Thaynara ostenta hoje uma lista de feitos de dar inveja em muito famoso ‘macaco velho’:

  • Viajou para Genebra a convite do Bradesco para trazer a tocha olímpica para o Brasil;

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  • Esteve no Encontro com Fátima Bernardes;

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  • Esteve no lançamento de um  carro da Fiat ao lado de Hugo Gloss e artistas globais;

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  • Lançou um sabor de suco em uma lanchonete de sua cidade;

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  • Viajou para Marrakesh para uma websérie no Youtube;

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  • Esteve no Programa da Xuxa;

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  • Esteve na abertura e no encerramento das olimpíadas, também a convite do Bradesco;

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  • Fez participação em um filme nacional;

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  • Gravou seu primeiro comercial ao lado da estrela Fernanda Souza, de quem é amiga;

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  • Viajou para o Vale do Silício onde visitou as sedes da Netflix, Adobe, entre muitas outras empresas;

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  • Viajou para a Disney com uma excursão só dela;

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  • Deu entrevista para grandes canais como a BBC.

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Além tudo isso, Thay tem na conta diversos eventos de lançamento de marcas e aberturas de lojas. É muito acontecimento, pra pouco NCD. E tudo devidamente documentado em seu Snapchat, claro. E pasmem: tudo isso só este ano. É surra de entretenimento, merchan e dinheiro, viu?

A menina que se intitulava sub-celebridade, é hoje um dos rostos mais conhecidos da internet, amiga de diversos famosos e responsável por atrair multidões por onde passa. Até hoje Thay se assusta com a quantidade de fãs que lotam os shoppings e os eventos em que faz presença vip. Presença essa pela qual cobra em torno da bagatela de 20 mil reais. Isso sim é poder do kiu, né?

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Thaynara OG é só mais um (grande) exemplo dessa profissão em que jovens recebem grandes quantias para apenas mostrar que recebeu um produto e aprovou. Uma aparição de menos de 10 segundos no Snap rende muitas coisas grátis a ela e tantos outros influenciadores digitais.

Apesar da fartura, este tipo de profissão é instável e efêmera: esses jovens não serão referência para seu público para sempre. Ao contrário dos artista de TV, a fama deste nicho é muito mais passageira. A qualquer momento pode surgir uma nova Thaynara, e, após os fãs cansarem das mesmas piadas e bordões, a menina pode, por sorte, ter o respaldo de um diploma e seguir em sua profissão de formação.

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Enquanto isso, os formadores de opinião da web aproveitam as oportunidades para fazer muita publicidade e influenciar muitos comportamentos em troca de viagens, produtos e alguns segundos de exposição de marca. Tem que agradecer muito e de joelhos à Nossa Senhora da Cibercultura, viu?

kiu!

 

 

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Mr Robot e o outro lado da internet.

Se você é como nós aqui do NCD, é bem provável que seja um louco fissurado por seriados. O que me faz acreditar que já conheça todos eles, incluindo Mr Robot. Caso você seja um novato nesse mundo de “só mais um episódio” e maratonas, deixa que eu te apresento essa maravilha do entretenimento.

Esse é um programa criado por Chad Halminton, Sam Esmail e Steve Golin – também criador de True Detective – que teve sua estréia piloto no dia 27 de maio de 2015 em vários servidores online, para só no dia 24 de junho passar a ser exibida pelo canal a cabo USA Network. OK, mas qual é a história da série?

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Mr Robot é situada em Nova York e conta a história de Elliot (Raimi Malek), um introvertido e antissocial programador que trabalha em uma empresa de cyber segurança. Como tem dificuldades em se relacionar, uma forma que encontra de se conectar com as pessoas à sua volta é hackeando suas vidas online e tentando, dependendo de seu julgamento, ajudá-las ou prejudicá-las no mundo real.

A grande reviravolta acontece quando Elliot é abordado por um misterioso homem que o convida a participar de um grupo clandestino – e anárquico – de hackers, chamado fsociety. Esse grupo tem como seu principal objetivo destruir todas as empresas que ele tem de proteger em seu trabalho.

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Essa é uma série com um enredo cheio de nuances, que tem como objetivo – além de te divertir – te fazer pensar. Podemos entender o personagem principal como uma representação do que se tornou o ser humano na pós modernidade:  pessoas cheias de ansiedade social, devido a grande quantidade de informações jogadas para nós sem nenhum tempo para que possamos processá-las e aplicá-las de forma funcional em nossas vidas.

O mais interessante, como mostra o programa, é que as pessoas procuram refúgio de suas mentes perturbadas no próprio causador da inquietação: a internet. Na trama, Elliot tem um vício em morfina, que pode ser interpretado como a dependência que as pessoas têm na internet. Usada de forma correta, a web pode nos trazer diversos benefícios, porém, quando se perde o controle, ela passa a chefiar todas as ações de sua vida, assim como a droga usada pelo personagem.

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O drama também aproveita para criticar a falsa sensação de liberdade que temos dentro da internet. Aqui no Brasil – no dia 23 de abril de 2014 – foi sancionada uma lei que ficou conhecida como Marco Civil da Internet, que tem como principal função garantir uma convivência democrática no mundo digital. Mas até que ponto essa lei se aplica? Será mesmo que a internet é um lugar livre para sermos quem realmente somos ou estamos sendo controlados e vigiados a todo instante? Assista ao documentário Terms and Conditions May Apply e tire suas próprias conclusões.

Uma série que dialoga tão diretamente com o mundo da internet e redes sociais não tinha outro caminho se não o sucesso. Cheia de mistério e personagens que te cativam desde o início, não é de se estranhar que o programa confirmou sua segunda temporada – com dez episódios – e teve sua estréia no dia 13 de julho desse ano.

Em um show onde a primeira temporada era cheia de críticas ao controle que as grandes corporações exercem sobre a internet, seu marketing de divulgação para a segunda não poderia ser uma coisa meia boca que qualquer série por aí faz, né?

Os criadores tiveram uma ideia super original. Além dos teasers já tipicamente divulgados, algo não muito comum aconteceu. O primeiro episódio da segunda temporada, foi veiculado no dia 13 de julho, apareceu em um lugar não muito comum: as redes sociais. Durante uma Live no Facebook com os criadores do programa, tivemos a primeira exibição do piloto. Logo em seguida, foi postado no perfil de twitter oficial da série – @WhoisMrRobot – sem contar como no próprio canal de YouTube do programa.

Claramente, eles não deixariam o programa piloto no ar por muito tempo e, junto do episódio, vinha um recado avisando que em um dado momento ele seria deletado. Porém, o tempo em que ficou disponível, possibilitou que vários sites copiassem e exibissem gratuitamente online. Com essa jogada genial, os criadores fizeram um paralelo entre o mundo fictício da série e o mundo em que vivemos, quebrando um padrão e permitindo que a série fosse, podemos dizer, hackeada e pirateada, trazendo a essência de Mr Robot para a realidade.

Então, você que ainda não viu essa maravilhava, pare de perder seu tempo e corra para assistir A-G-O-R-A! E você, meu amigo, que já é tão viciado nessa série, nós aqui do NCD temos uma pergunta: o que você faria se estivesse no lugar do Elliot e fosse chamado para participar do fsociety? Nós não saberíamos o que dizer, apenas sentir.❤

Texto: Lívia Reim.
Capa: Felippe Ferreira.

 

            

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Como Girls In The House quebrou a internet

Não dá pra negar que “Girls In The House” é um dos maiores sucessos da internet brasileira atualmente. Se você discorda, talvez seja melhor atualizar seu feed do Facebook apenas para checar. Ou apenas pare de jogar PokémonGo.

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Temos certeza de que você já viu alguns memes feitos a partir do jogo de realidade virtual “The Sims” rolando por aí. Para quem não sabe, The Sims é uma série de jogos eletrônicos de simulação de vida real criado pelo designer de jogos Will Wright e distribuída pela Maxis. No jogo, é possível que você crie personagens e comande suas ações e interações, além de poder construir e decorar casas e locais públicos.

The Sims é conhecido como “o jogo da zoeira”, como o BuzzFeed gosta de listar constantemente:

19 cenas de “The Sims” que ilustram perfeitamente a nossa vida

29 vezes em que o The Sims funcionou errado e foi terrivelmente engraçado

Mas se engana quem pensa que são apenas memes aleatórios do jogo e não uma famosa websérie. GITH repercutiu tão bem na internet que a quantidade de sites fazendo matérias sobre ela é espantosa e já desbancou “Stranger Things” em comentários no Twitter e na produção de conteúdo entre os fãs.

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Entendedores entenderão!

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A zoeira da internet foi tanta que o Twitter tem o próprio “Moments” para GITH, cheio de memes e gifs criados pelos fãs que te fazem passar mal de tanto rir. 

Mas por que devo assistir Girls in The House?

A série conta a história de três amigas que vivem e administram a “Pensão da Tia Ruiva”: Alex, Honey e Duny, além de seus amigos e os vilões que aparecem no decorrer da história. A Tia Ruiva, entretanto, ainda é um elemento surpresa da série.

Inseridos em um ambiente de Cibercultura, temos a capacidade de produzir e compartilhar conteúdo. Foi o que fez Raony Philipps, o criador e produtor de GITH, além de também ser responsável por dublar todos os personagens. Sozinho, ele foi capaz de criar uma mega-produção criando vozes diferentes e utilizando imagens de um jogo que teoricamente não seriam nada especiais, mas acabaram se tornando um fenômeno da internet.

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Carregada de mistério e muita comédia, “Girls In The House” teve seu primeiro episódio postado em novembro de 2014, obtendo mil visualizações em apenas um dia de lançamento, o que motivou Raony a continuar o projeto e consolidar seu canal, RaoTV. Hoje são mais de 11 milhões de visualizações, divididas entre as duas temporadas e spin-offs.

Falando em spin-off, “Disk Duny” certamente foi o que impulsionou o sucesso da série após o terceiro episódio, “Kim expôe Taylor” ter praticamente quebrado a internet. Estrelada por Duny e sua amiga, Priscilão, os roteiros são planejados a partir de histórias recentes e escandalosas do mundo pop, como a treta entre Kim Kardashian, Kanye West e Taylor Swift, a abordagem de vários seriados ou até mesmo a hilária teoria dos brasileiros de que Beyoncé mantém a cantora Sia em cativeiro para escrever canções para ela.

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Disk Duny – 1.02 – Pesadelo em Série

A websérie que quebrou a internet

Sendo uma websérie, o YouTube gera dados e estatísticas que fornecem informações essenciais para acompanhar o andamento do canal, descobrindo que o seu aproveitamento chegue a praticamente 90%, uma vez que é quase impossível assistir a um vídeo sem querer ver todos os outros.

Raony trabalha com uma complexa mixagem de conteúdos, desde as séries da TV mais famosas até ícones do mundo POP, o que gera engajamento dos internautas que se identificam rapidamente com o que lhes é apresentado.

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Raony teve a sacada de inserir personagens que parodiassem grandes celebridades, como Rebel Wilson ou Lana del Rey.

Por mais que os jovens amem e se dediquem a seriados de televisão e ao conteúdo oferecido pela Netflix, por exemplo, eles não possuem cem por cento de identificação com os personagens e as histórias, uma vez que é tudo muito estilizado, com roteiros romantizados e pouco humor verdadeiro. Nenhum programa chegou perto do que Girls In The House fez: trazer a cultura POP e abordar gírias e bordões nascidos e ambientados na internet para as falas dos personagens, sempre adaptando as histórias ao gosto dos fãs. 

Se pararmos para analisar e comparar com a Teoria da Cauda Longa, os assuntos abordados, as referências, as celebridades inseridas nas tramas são de nichos muito específicos, direcionadas para um público que se identifica com o conteúdo apresentado.

O próprio criador disse em entrevista a Revista Galileu:

Eu acho que é importante fazer uma história em que os personagens sejam como todos nós. Falta um pouco disso nos personagens de séries em geral. Escrevo as falas de forma livre e espontânea e procuro falar a língua das coisas da nossa realidade, coisas que vivemos. Então, me sinto honrado em ter o público LGBT comigo! A série é pensada para eles também.”

Estamos em plena Cultura de Convergência.

“A convergência ocorre dentro dos cérebros dos consumidores individuais e em suas interações sociais com outros. Cada um de nós constrói a própria mitologia pessoal, a partir de pedaços e fragmentos de informações extraídos do fluxo midiático e transformados em recursos através dos quais compreendemos nossa vida cotidiana.”

É possível ver um fluxo de conteúdos através de múltiplas plataformas de mídia, Twitter, Facebook, Youtube e Instagram. Isso representa uma transformação cultural, à medida que consumidores são incentivados a procurar novas informações e fazer conexões em meio a conteúdos e plataformas midiáticas dispersas, envolvendo uma transformação tanto na forma de produzir quanto na forma de consumir os meios de comunicação. E esse é exatamente o segredo do sucesso de GITH. Estar presente em todas as redes sociais e interagir com o público constantemente.

Se você se interessou, corre pra se atualizar agora mesmo. Dia 28 estreia a 3ª temporada e, se prepare, porque as garotas da Pensão da Tia Ruiva não estão de brincadeira.

Ah, e quando acabar, faça o quiz: Quem é você em Girls In The House?. Mas se você for como a Duny…

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Leia mais em:

Hoje em Dia
Portal Lit Pop
Revista Galileu

Texto: Alessandra Santarosa
Capa: Amanda Pacheco

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Stranger Things e seu misterioso sucesso

Que atire a primeira pedra quem ainda não ouviu falar de Stranger Things!

A nova produção original Netflix vem ganhando grande destaque na internet. A trama se passa no ano de 1983 e gira em torno do súbito desaparecimento de Will. Sua mãe e irmão, após notarem sua ausência, entram em contato com as autoridades locais para iniciarem as investigações e, a partir daí, vemos que nada é tão simples como parece. A série revela vários mistérios – alguns sobrenaturais – que são desenvolvidos ao longo da temporada.

Mesmo antes de seu lançamento, Stranger Things já era alvo de comentários pela internet, graças a uma de suas atrizes, Winona Ryder, que na série faz o papel de Joyce Byers, mãe de Will. A escolha da atriz não foi por acaso, uma das estrela dos anos 1990, Winona foi uma espécie de emblema do “Cool” e é considerada um ícone por toda uma geração que cresceu assistindo os seus filmes. Sem contar que a atriz possui em seu repertório de atuações filmes como Beetlejuice e Edward – Mãos de Tesoura, ambos do diretor Tim Burtom.

Stranger things conseguiu surpreender a todos, chegando ao topo do ranking do IMDB, passando até mesmo Game Of Thrones, que possuía o posto há anos.

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Mas a pergunta que não quer calar: O que Stranger Things tem de tão especial?

A resposta é simples: a série aposta na nostalgia. Recheada de referências a obras dos anos 80 e 90, que vão desde sua trilha sonora e tipografia do título, a filmes como: ET – O Extraterrestre (1982), Aliens (1979), os Goonies (1985), entre muitos outros, além de obras de Sthepen King e Steven Spielberg. Algumas dessas referências são evidentes, porém, outras são tão sutis que só os melhores fãs foram capazes de encontrar.

Para facilitar nossas vidas, uma alma abençoada fez um vídeo comparando algumas dessas referências presentes na série com os filmes originais. E convenhamos: algumas cenas são realmente parecidas.

 

A Netflix sempre esteve de olho no Big Data, informações que vão além da capacidade de armazenamento dos bancos de dados atuais (AKERKAR, 2014). Divido em 3V’s (volume de dados, variedade de dados e velocidade de dados) o Big Data  torna-se uma ferramenta extremamente importante para a produção de conteúdos relevantes, e a Netflix sabe disso.

Há quem diga que o sucesso de Stranger Things foi resultado de uma profunda análise do Big Data, no qual o comportamento dos usuários foi identificado, estudando dados que definem o que produzir e que estimulem o consumo. Além do acesso a informações como: quando as pessoas abandonavam a série, porque elas interrompiam o episódio e quanto tempo demoravam a retornar para assisti-lo.

Essa fórmula já foi utilizada outras vezes pelo serviço de streaming, como por exemplo na produção de House Of Cards, uma das séries mais populares do catálogo da Netflix.

Além do Big Data, a Netflix apostou no Inbound Marketing , conteúdo que atrai o público-alvo, dando a ele o poder de decidir o que deseja consumir, passando a ter mais controle sobre o que está sendo exposto. Diferente do outbound Marketing, que busca, através de interrupções, chamar a atenção do seu público.

O Inbound Marketing da Netflix se tornou eficiente graças a análise do Big Data, pois a empresa conhece muito bem o público que consome seu conteúdo, sendo capaz de identificar temas de maior interesse para cada usuário e produzindo conteúdo relevante direcionado a esse público.

Stranger Things domina a internet

Após seu lançamento no dia 15 de julho, Stranger Things virou um dos assuntos mais comentados na internet. Em pouco tempo, a série dominava as redes sociais com gifs, vídeos e comentários de fãs apaixonados pela produção dos irmãos Duffer.

Como de costume, a Netflix acertou mais uma vez nas estratégias de marketing. Antes do lançamento da série, a empresa disponibilizou dois trailers para a divulgação da nova produção.

Além dos trailers oficiais, foram disponibilizados mais dois curtas, o primeiro com comentários dos irmãos Duffer, falando um pouco mais sobre a misteriosa Eleven, uma das protagonistas da temporada.

E o segundo, foi disponibilizado após o lançamento da série, com foco em Winona Ryder. O Featurette recebe comentários dos criadores, do produtor executivo e da própria atriz, falando sobre sua personagem.

E não parou por aí: antes do lançamento oficial de Stranger Things, foi liberado um vídeo no canal oficial da Netflix com os primeiros minutos do primeiro episódio, o que serviu para instigar mais ainda o público já ansioso para a estréia do novo vício seriado.

O que já sabemos, é que o serviço de streaming é sempre inovador (e zoeiro) em seus vídeos promocionais. Já é comum o uso de figuras públicas inusitadas, como Valeska Popozuda e Inês Brasil, que participaram dos vídeos promocionais da série Orange is the new Black. E como Stranger Things não poderia ficar de fora, a aposta da vez foi a famigerada rainha dos baixinhos: Xuxa. Como não amar?

A apresentadora aparece no vídeo recebendo uma carta de Joyce Byers pedindo ajuda para encontrar seu filho. Além de apostar no humor, o roteiro do vídeo é cheio de referências à carreira da apresentadora, que entrou na brincadeira e não teve medo de rir de si mesma.

Logo após o lançamento da serie, a Netflix teve a brilhante ideia de criar um site que produz gifs, fazendo alusão a uma cena do seriado. O site é bem simples de se utilizado, podendo criar uma frase com até 20 caracteres e tendo a possibilidade de salvar ou compartilhar o gif em suas redes sociais. Claro que a ideia viralizou, né?

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E ainda não acabou: aproveitando a nova tecnologia, o serviço de streaming disponibilizou um vídeo em 360°, no qual podemos interagir com ambiente da série, ou até nos inserirmos àquela realidade, através de óculos de realidade virtual.

 

Expandindo o universo de Stranger Things

O sucesso da série é fato. Superando todas as expectativas, Stranger Things virou alvo de inspiração.

A banda brasileira The Kira Justice, utilizou o seriado como incentivo para criar uma de suas músicas, chamada “coisas estranhas”. A música faz menção à personagens e situações presentes no seriado.

E The Kira Justice não foi a única banda a utilizar stranger things como inspiração. o DJ Yoda criou uma mixtape que combina diálogos com a trilha sonora da série.

 

Inúmeras fan arts também foram criadas, algumas fazendo menção a outros filmes ou jogos dos anos 80 e 90.

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Mad Max, creditos

E para a surpresa de todos, em uma entrevista com o ING , os produtores da série afirmaram ter novos planos para a segunda temporada. A mesma se passaria um ano após os acontecimentos da primeira e, para contar o que aconteceu nesse tempo, seria produzido um jogo. #serianossosonho?

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Os irmãos Duffer ainda acrescentaram que o jogo seria em 8-bit, fazendo referência à época.

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Com o final da primeira temporada, levantou-se uma questão: como será a segunda temporada da série? Em uma entrevista, seus produtores disseram que querem seguir os passos de Harry Potter, no qual o público poderá acompanhar o crescimento e a evolução dos personagens ao longo das temporadas, desenvolvendo cada vez mais seu universo.

Com a segunda temporada já confirmada, o que nos resta é esperar e ver qual será a próximo passo em relação a Stranger Things.

 

Texto: Natália Souza

Capa: Amanda Pacheco

 

 

 

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Homens: o novo target da indústria de cosméticos

Desde que o homem das cavernas resolveu sair da toca, uma das primeiras coisas que fez foi passar Veet nos pelos do corpo. E como passou! A verdade é: já foi o tempo em que a vaidade dos homens era cortar o cabelo (passando brilhantina, claro!), fazer o bigode e usar uma roupinha alinhada.

O cuidado masculino com a beleza pode não ser de agora. Mas o apoio social a essa atitude veio recentemente. Com isso, surge todo um novo mercado para a indústria de cosméticos que (pasmem!) pode tornar o Brasil o maior mercado do mundo na categoria. Tudo conquistado com 7,1% de crescimento anual até 2019, quando as vendas alcançarem US$6,7 bilhões, segundo a Euromonitor International.

A imagem do poder

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Está para existir uma beleza bela para todos universal e definitiva; ela varia de acordo com o tempo, o local e a cultura. Pode exemplificar? Que tal um pulo no início da socialização humana? Isso mesmo: quando os Neandertais saíram das cavernas. Desde aquela época, começou-se a construir uma estrutura de poder ligada ao visual.

Nesse período, não existia um conjunto de leis. O que determinava o todo poderoso era a aparência de mais forte: a estrutura física necessária podia vir acompanhada de adereços com ossos e presas, e, posteriormente, com pinturas de guerra também (no corpo, claro). Logicamente, o líder teria melhores oportunidades de alimentação e maior segurança – o que atrairia mais as fêmeas visando a evolução e a manutenção da espécie.

Percebeu? Estava montada a aliança entre aparência e poder. Obviamente, de lá pra cá as coisas mudaram, mas nem tanto. Os uniformes de poder foram trocados, mas a aliança se manteve: a beleza. Normalmente, a beleza venerada terá uma forte ligação ao grupo dominante na sociedade. Isso será mais discutido ao longo do texto. Mas, antes, sabendo que apenas 9,2% da população da África do Sul é branca, repare (no vídeo abaixo) como não só na África do Sul o desejo é altamente excludente.

A varredura da Idade Média

Durante a antiguidade, os cuidados com a beleza masculina foram aprimorados. Na Grécia (principalmente em Esparta), a educação física era como um pilar na formação dos homens – que frequentavam complexos esportivos e tomavam banhos aromáticos desde crianças. O corpo deveria ser musculoso e bem tratado. Claro, os complexos também funcionavam como centros de formação intelectual. Roma adquiriu os costumes gregos e os turbinou com banhos aromáticos e térmicos, além de outras técnicas de aprimoramento e cuidado corporal.

Ainda na antiguidade, os egípcios já usavam maquiagem – tanto para delinear as maçãs do rosto a classe pertencente, como forma de zelo com a saúde. A sombra nos olhos, feitas com malaquita (pedra verde pulverizada), era aplicada nas pálpebras para neutralizar a luz excessiva do sol e repelir doenças transmissíveis por moscas e mosquitos. Já os corpos eram encharcados em óleos perfumados para evitar o ressecamento da pele.

Com o chegar da Idade Média, preocupar-se com o corpo foi proibido. Tornou-se pecado. Fazendo com que séculos de evolução em beleza, higiene e cuidado com o corpo fossem perdidos. Isso mesmo! A influência da Igreja era tremenda, capaz até de extinguir os Jogos Olímpicos (e o fez… já imaginou perder o catwalk de Gigizinha ao som de Garota de Ipanema tchê). Rosário (2004) diz que, na época, o bem da alma era superior aos desejos e prazeres da carne e, sendo assim, acima dos aspectos materiais. O corpo se acabou vil, cruel e carente de purificação. E Siebert (1995) pontua, o conhecimento sobre o cuidado com o corpo, na Idade das Trevas, é de enorme desprestígio.

Você deve estar pensando “que #&$%@!”. Mas, mais uma vez quase tudo foi salvo pelo: Período Renascentista (viva Monalisa!). Nele, começou-se a olhar para a liberdade do ser humano. O trabalho artesanal e a vivência terrena passaram a ser considerados, assim como o pensar científico e o estudo do corpo. Agora, ele é redescoberto, e com um grande suporte, o das artes – em que a nudez recebe destaque pelos pintores do movimento (Sebert, 1995; Rosário, 2004).

Evolução do padrão de beleza até os anos 2000

Ainda no passado, voltando centenas de anos num DeLorean tunado pelo Emmett Brown: século XX. As roupas ainda seguem um padrão moderno (da Idade Moderna), mas sofreriam várias modificações a partir de então, assim como o padrão de beleza masculino. Já em 1901 surgem alguns dos primeiros equipamentos, a primeira competição oficial de fisiculturismo e a primeira revista especializada no gênero, a Physical Culture – impactando as décadas seguintes. Vale ressaltar ainda que – sendo o século XX um período de fenômenos e acontecimentos – as transformações foram se sucedendo de forma abrupta e quase desenfreada, seguindo os diversos movimentos emergentes da época.

Quer ver? Repare na mudança de visual do homem ocidental americano segundo esses vídeos (comprovando que sobrou até para a cueca!):

Durante a década de 70, o visual fisiculturista adquirido no início do século começou a ser rompido pelo movimento andrógino – apoiado por ícones da época. David Bowie, adepto deste, trouxe visibilidade à volta do uso da maquiagem ao homem. Mick Jagger ajudou a trazer mais do visual andrógino.

Na década seguinte, em contrapartida, volta o visual musculoso. Seguido do visual grunge e do visual das boybands na década de 90 e no início dos anos 2000. Durante toda a trajetória do século XX produtos de beleza masculino eram utilizados. Mas de forma discreta e apenas o aceito. Os cortes de cabelo sempre foram mirados, a manutenção dele era quase que básica. E os produtos: brilhantina, laquê e gel (mais para o final do século). Enquanto as barbas volumosas eram banidas por quase todo o século, com o apoio de marcas como a Gillette.

Os elementos mostrados já apontavam a existência do cuidado com a imagem da vaidade masculina. Porém, ao tratar de sua beleza, o homem que o fazia ainda era apontado pela sociedade. O que o afugentava dos tratamentos apropriados. Até ícones de beleza masculinos mostrarem seus tratamentos de beleza. Ou apenas terem aparência de cuidadosos com a saúde do corpo e com a vaidade (alô? David Beckham? Cristiano Ronaldo?).

Boom do comércio atual de cosméticos masculinos

O jornalista Mark Simpson, em 1994, criou o termo em inglês – “metrossexual” –  para definir um determinado tipo de consumidor. Não só o homem heterossexual vaidoso, mas o hipernarcisista vaidoso ao extremo (independente da orientação sexual). Ícones como David Beckham e Brad Pitt descrevem perfeitamente esse público: um prato cheio para as indústrias.

Observando o perfil descrito acima, pouco a pouco as grandes empresas foram inaugurando suas linhas de produtos masculinos. Claro, o desodorante, o presto barba, o gel de cabelo e o creme de barbear já tinham seu lugar no carrinho. Os xampus, antes, com linhas infantis e femininas destacadas, começaram a acompanhar algumas problemáticas masculinas. Obviamente os jovens se encantaram primeiro, seguidos dos adultos e dos mais experientes. E, para alcançar o público que era mais resistente a essas mercadorias, as empresas começaram a usar ídolos deles (“Eu sou… e uso Clear MEN Anticaspa!”).

Pronto! Agora, o homem é amparado pela mídia (e, pouco depois, pela população) a se cuidar. O termo “metrossexualidade” passa a estampar os veículos de informação e entretenimento, terminando de disseminar as ideias de cuidado. Estava liberado se depilar, fazer cirurgia plástica, se importar mais com a alimentação, se maquiar, se medicar em prol da estética e usar produtos cosméticos diversos para os cuidados pessoais.

Ainda assim, a indústria percebeu que a massa masculina declaradamente cuidadosa consigo mesma não era tão abrangente. Para melhor atingir os homens que prezam a discrição e a praticidade, O Boticário, recentemente, aproveitando o movimento lumberssexual (tendência a se caracterizar como um lenhador com cuidados: barba grande, tratada e com uma “aparência bagunçadinha” sem realmente ser) lança a seguinte campanha:

Com isso,  O Boticário se afirma como um suporte ao homem atual. Junto com Nivea Men, Dove Men Care, Trip, Dr. Jones e diversas outras marcas preenchendo esse mercado com um enorme potencial de crescimento. Afinal, segundo a ABIHPEC, 45% dos homens das classes A, B e C se consideram SUPER vaidosos (sim, exatamente com esse “super”). Esse dado da mesma pesquisa também responde o porquê de, enquanto as vendas de toda a indústria da beleza e da higiene caíram em 8% de 2014 para 2015, os produtos da linha masculina aumentaram a venda em 2,4%.

Que tal mais alguns dados? Se comparar as vendas de Em 2014, a venda de produtos para barbear, sabonetes e xampus, no Brasil, voltados para os machos, somou US$ 4,7 bilhões de dólares. Comparando com 2009, houve um aumento de 99,4%.

Bom, parece que os homens já não tem tantos problemas em assumir que se cuidam também , já que foi levantado que 34% deles admitem passar hidratante, 26% não saem de casa sem protetor solar e mais da metade dos entrevistados frequentam salão de beleza e assumem isso (WEEEEEEE!!!!!!)

Poké escorrega

E não acaba por aí! Uma pesquisa recente no Brasil, feita pela Minds&Hearts com 414 homens entre 16 e 59 anos aponta que 31% dos homens se preocupam mais com o rosto em detrimento de outras partes do corpo. Isso explica porque 39% afirmam usar algum tipo de maquiagem e 67% dizem não ter problemas nenhum em passar a usar. Outro resultado dessa moda é já poder encontrar cursos de maquiagens voltados para homens ou especializados em rostos masculinos.

Desse jeito, cabe apenas repetir: sendo alavancada principalmente pelos produtos para banho (com crescimento estimado em 111% entre 2014 e 2019), desodorantes (53%), cuidados com os cabelos (38%) e produtos para barbear (32%), a indústria de cosméticos pode ter um crescimento de 7,1% ao ano até 2019. E ser declarado o maior mercado do mundo na categoria. Vendendo US$ 6,7 bilhões ao ano.

E aí? Depilação às 19h?


Redação: Bernardo Leal Sampaio

Foto da capa: Amanda Pacheco

Fontes:
http://www.brazilbeautynews.com/homens-brasileiros-serao-lideres-no-consumo-de,916
http://www.coloquiomoda.com.br/anais/anais/3-Coloquio-de-Moda_2007/5_07.pdf
http://www.efdeportes.com/efd79/corpos.htm
http://g1.globo.com/bom-dia-brasil/noticia/2016/08/industria-de-cosmeticos-para-homens-sobrevive-crise-e-cresce.html
http://www.intercom.org.br/papers/regionais/sudeste2012/resumos/R33-1567-1.pdf

Primeiro curso de maquiagem masculina é reflexo de um novo comportamento

Superinteressante, jun.1988. Dez anos da revista. São Paulo: Abril, 1997. CD-ROM. (http://histoblogsu.blogspot.com.br/2010/04/cuidados-com-o-corpo.html)