A Cultura da Convergência

Quando a fotografia foi inventada muitos previram o fim da pintura, o mesmo aconteceu com o rádio, a televisão, os livros e os jornais. Desde que a Amazon lançou o Kindle, em 19 de novembro de 2007, vários “especialistas” começaram a pregar sobre a morte dos jornais e livros impressos e a supremacia do mundo digital sobre os meios de comunicação tradicionais. Esse assunto voltou a discussão depois do anúncio de que o jornal Folha de São Paulo havia demitido cerca de 40 funcionários, reduzindo em 10% a redação do jornal.

Na televisão, um dos primeiros baques sofridos veio por conta da série Lost, que na época incentivava o seu público a buscar conteúdo sobre a história em sites, fóruns e blogs. Além disso os episódios da série eram compartilhados pelos fãs em sites Peer-to-Peer (P2P). Seinfeld, Friends e Sex and the City reinaram num período que o telespectador estava habituado a assistir televisão no conforto de sua poltrona e com o controle remoto na mão. Hoje em dia fala-se muito a respeito da segunda tela, que é o comportamento de assistir televisão e acessar a internet ao mesmo tempo, veja como exemplo os comentários que surgem no feed do seu Facebook quando acontece algum jogo de futebol.

Sobre o assunto, o livro Cultura da Convergência (2009), de Henry Jenkins, aborda a relação dos indivíduos com essas novas tecnologias. Um dos conceitos principais do livro é tratar a convergência mais como um aspecto cultural do que uma inovação tecnológica. Estamos interagindo cada vez mais com o conteúdo que consumimos nos meios de comunicações e relacionando isso com o nosso cotidiano. Um exemplo disso é o show que acontece hoje a noite em Cariacica, de Sir. Paul McCartney, que acabou ganhando um perfil fake no facebook, o Paul McCartney Capixaba.

Na página podemos ver o astro da música em situações do cenário capixaba, como andando de canoa havaiana na Praia de Camburi, fazendo um selfie em Bacutia, chegando atrasado para a prova do Enem, inaugurando o Aquaviário e assim por diante. E um exemplo dessa convergência cultural foi uma publicação no jornal O Metro, publicada no dia 3 de novembro, sobre o personagem fictício.

E os investimentos começam a ganhar corpo nas mídias digitais. Alguns números começam a indicar que o investimento em anúncios digitais devem ultrapassar os da TV em 2016. Pesquisadores da Forrester acreditam que o investimento dos anunciantes será maior em campanhas digitais (email marketing, mídias sociais, banners e marketing de busca) do que em comerciais de TV. E a expectativa é que o investimento digital tenha um crescimento de 30% dentro de 2 anos.

Da mesma forma que esse migração fecha algumas portas nos veículos tradicionais (como é o caso do jornalistas da Folha de São Paulo) ela também permite o advento de novas oportunidades de trabalho. As ferramentas que um profissional de comunicação possui hoje, sendo que muitas de maneira gratuita, permitem que ele crie sua própria empresa de comunicação, compartilhando conteúdo pelo ciberespaço.

Mais do que pensar na “morte” dos meios de comunicação tradicional, devemos pensar na forma como os indivíduos estão se apropriando dessa tecnologia e fazendo migrar um conteúdo da TV para as redes sociais ou a maneira como um meme, amplamente viralizado, vira notícia de um jornal impresso.

Fontes:
Super Interessante – Lost
AdNews – Segunda Tela
Brainstorm – Investimento em anúncios Digitais
Paul McCartney Capixaba

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