Cyberbulling, Racismo, Estereótipos e outras demonstrações do lado negro da força

Vivemos numa sociedade informacional, o que significa que a imagem, os recursos audiovisuais e as tecnologias de comunicação se tornaram elementos presentes no cotidiano da maioria das pessoas. E tudo isso tem um custo.

Conversas de bar ou um bate papo com seu amigo podem acabar se tornando um assunto discutido no mundo inteiro. Um vídeo do churrasco de família, ou uma foto que te desfavorece pode ser compartilhada por todos os seus contatos, cair nas redes sociais e acabar viralizando para o mundo inteiro.

Recentemente as redes sociais foram invadidas por tópicos polêmicos, uma entrevista do Alexandre Frota onde ele é acusado de estuprar uma mãe de santo e ainda ofender o candomblé enquanto religião; a Risqué que “derrapou” numa campanha onde ela fazia “homenagens” a atitudes românticas dos homens;  o meme do “nego”, para muitos uma piada de mal gosto e extremamente racista e a campanha de carnaval da Skol, que teve que voltar atrás e mudar o tom da sua comunicação.

Um leitor mais crítico poderá dizer que um post abordando o racismo e que coloca no título algo como o lado negro, num sentido ruim, não deve ter bons argumentos sobre o assunto. Na verdade, o título é uma pegadinha para testar, ou quem sabe procurar, onde se encontra a fronteira de uma piada e uma colocação pejorativa.

Entendedores entenderão que o lado negro da Força é uma analogia à história de Star Wars. A Força é um campo de energia gerado por todas as coisas vivas; ela cerca e participa de tudo, unindo a galáxia. Existem dois lados da Força: paz, serenidade e conhecimento formam o lado bom (conhecido como lado iluminado da Força) enquanto o lado sombrio consiste na agressão, raiva e medo (conhecido como lado Negro ou obscuro da Força).

Recentemente vi uma postagem do B9 que fala sobre o Cyberbullying. Na verdade o post traz o caso da Monica Lewinsky. Do dia para a noite ela teve a sua vida privada exposta em rede nacional, passando de uma figura desconhecida para uma pessoa humilhada publicamente em todo o mundo. Ela faz um relato muito corajoso do caso no TED de 2015.

Às vezes as pessoas se esquecem que os “personagens” do vídeo, da piada, ou da foto, são feitos de carne e osso. Possuem um coração e uma alma e que precisaram de um pai e uma mãe para vir ao mundo, assim como você.

Se observássemos nossa vida de fora, como um telespectador, veríamos momentos em que somos felizes, ignorantes, educados, estúpidos, mal educados, solidários, egoístas, bobos, rudes, idiotas e etc. O fato é que não somos perfeitos. Veríamos a pior ou a melhor versão de nós mesmos, depende muito do contexto.

Caminhando nessa perspectiva do outro e da exposição que sofremos na sociedade contemporânea, vi uma matéria recente em diferentes sites, sobre o meme “nego” que viralizou pelas redes sociais, principalmente pelo WhatsApp. Algumas pessoas consideraram o conteúdo racista enquanto outros enxergaram apenas uma piada inocente. Sem contar que o WhatsApp se tornou um antro de Pornografia e PornoRevenge que tem devastado a vida de muitas pessoas por aí, principalmente mulheres saindo de algum relacionamento (vingança de ex-maridos e ex-namorados) ou adolescentes que enviam fotos íntimas pelas redes sociais. Vale lembrar o caso da Carolina Dieckmanque acabou virando nome de projeto de lei.

Existem casos extremos como o do garoto australiano Casey Heynes, que cansado de ser perseguido pelos seus colegas de escola resolveu dar o troco. Um vídeo postado com o título de Child Finally snaps after being bullied, mostra o garoto reagindo com violência após ser agredido diversas vezes por outro adolescente.

Ezo0J

Qual o ponto de ligação entre isso tudo? Por que fazemos isso?

Devemos lembrar que a internet é um ambiente criado e utilizado pelos seres humanos. Ou seja, tudo de bom ou de ruim que acontece no ciberespaço é de responsabilidade exclusiva da sociedade. Não foi o vírus da gripe que se transformou num ataque eletrônico e migrou para a internet. Os vírus eletrônicos, em sua grande maioria, são programas criados e desenvolvidos por pessoas que têm como único objetivo prejudicar os outros (apagar a sua memória, roubar informações, danificar equipamentos etc.). São os nossos cliques que transformam e enviam as informações online. Pense duas vezes antes de enviar uma foto, um post ou uma mensagem para a frente.

Qual o limite? Muito difícil definir isso numa época de tanta diversidade cultural e ideológica, ainda mais num país tão miscigenado e heterogêneo, com regiões tão distintas como o Brasil. Acredito que o limite se encontra no bom senso (pedir bom senso hoje é quase esperar por uma intervenção divina), mas lembre-se sempre da empatia, se colocar no lugar do outro. Não fazer com o outro o que você não gostaria que fizessem com você.

O problema é que nessa inquisição cibernética acabamos colocando na fogueira reputações alheias, sonhos e acabamos vendo comediantes brincando que comeriam uma mãe e o bebê dela junto. E um dos culpados é você. Isso mesmo, você que curte esses tipos de comentários, que compartilha uma piada, que viraliza esse tipo de coisa.

Terminamos o post com a recomendação de que você assista o vídeo, IMPRESSIONANTE, da Monica Lewinsky, onde ela conta a maneira como deu a volta por cima.


E uma campanha realizada por uma ONG da Lituânia
, colocando pessoas de frente com uma situação racista.

Para mais informações, sugiro a leitura de uma ótima reportagem publicada pelo El País. LINCHAMENTOS VIRTUAIS

Fontes:

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