Desinformação, Calúnias e Crimes de Ódio: o lado negro da internet.

Ainda há muita gente que considera a internet um ambiente em que tudo pode, mas não é bem assim, a rede não é terra de ninguém. Apesar de estarmos numa relação virtual, as interações entre pessoas são reais e, assim como no mundo off-line, estamos sujeitos ao que existe de pior no ser humano. Apesar de a internet ter revolucionado a forma como nos comunicamos com o mundo, ter conectado pessoas e ser uma importante ferramenta de pesquisa, é o mau uso dela que discutiremos aqui. Provavelmente muitos de nós já vimos por aí a frase “desconfie de tudo na internet”, e realmente devemos levá-la a sério. De falsas informações a malwares com o objetivo de roubar dados pessoais, atenção e desconfiança são necessárias para não cairmos em armadilhas na rede. Não podemos esquecer também dos crimes de ódio que são tão comuns no ambiente online, como racismo, homofobia e xenofobia.

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Recentemente, um pai nerd da Austrália tirou uma selfie num display em comemoração ao Star Wars Day e isso bastou para que a sua foto circulasse na internet sendo acusado de pedofilia.  O problema é que quando foi tirar a foto para enviar ao seu filho que também é fã de Star Wars, o pai precisou pedir licença para as crianças que brincavam no local. A mãe de uma delas estava por perto e achou estranho o homem ter conversado com as crianças e tirado uma foto logo em seguida. Ela acabou deduzindo que o homem era perigoso e postou uma foto dele em sua rede social afirmando que ele era estranho e que havia tirado foto de seus filhos, alertando as pessoas para que tivessem cuidado. O post da mãe acabou viralizando nas redes sociais e o homem foi chamado de pedófilo por muitos usuários, as pessoas se acharam no direito de julgar e condenar uma pessoa por uma foto. Em seguida o homem postou a selfie que havia tirado para o seu filho para se defender da acusação, e em seguida foi a mãe das crianças que se tornou o alvo dos usuários, sendo hostilizada e recebendo até ameaças. O problema aqui é que na internet as pessoas se consideram juízes e juízas, se igualam ao poder judiciário e se consideram capazes de condenar alguém apenas por uma imagem.

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No Brasil, podemos citar o deputado Jean Wyllys (PSOL-RJ) como grande vítima de calúnias e condenações on-line por parte dos usuários. Constantemente vemos o nome do deputado envolvido em escândalos, sendo acusado de defender a pedofilia, de ofender os cristãos e a bíblia, entre outros. Jean e seus aliados políticos acusam os assessores de seus adversários de produzir e veicular esse conteúdo difamatório com o objetivo de diminuir a sua força política. Em 2013, foi publicada na internet uma matéria onde dizia que Jean Wyllys teria defendido a pedofilia em uma entrevista à CBN, essa notícia falsa teve tanta repercussão que a CBN precisou postar uma nota em sua rede social esclarecendo que essas declarações nunca foram feitas. Há poucos dias, foi divulgado um vídeo onde o deputado supostamente dizia que “uma pessoa negra e pobre é potencialmente perigosa, é mais perigosa que uma pessoa branca de classe média”, acontece que a fala do deputado foi editada e o que ele realmente disse foi que “tem um imaginário, impregnado sobretudo nos agentes das forças de segurança, de que uma pessoa negra e pobre é potencialmente perigosa, mais perigosa do que uma pessoa branca de classe média”. Esses vídeos e falsas matérias jornalísticas acabam sendo muito compartilhadas na rede e as pessoas não se preocupam em averiguar se aquelas informações são verídicas antes de passá-las adiante.

Devido à dificuldade que muitas pessoas têm de saber se uma notícia é falsa ou verdadeira, foram criados sites com o objetivo de averiguar se uma informação compartilhada na web é de fato verídica. O e-farsas.com foi criado no dia 1 de abril de 2002, pelo ex-pedreiro e atualmente analista de sistemas Gilmar Lopes. Recebe cerca de 200 mil visitas por semana e cerca de 150 pedidos de pesquisa por dia, o site inclusive já foi tema de TCCs. Em junho de 2013, foi criado pelo jornalista Edgard Matsuki, o site Boatos.org que também tem o objetivo de desmentir falsas notícias. Esses dois sites podem ser úteis para quem tem dúvida sobre determinada notícia veiculada na web, mas o que devemos observar para descobrir se aquela informação é verídica? É necessário analisar onde a informação foi veiculada: num portal de notícias respeitado ou em algum que você nunca ouviu falar? Além disso, devemos ficar atentos também às fontes da matéria, de onde eles tiraram as informações, aquela história está bem amarrada? Outra dica é observar a data da publicação, muitas notícias falsas continuam sendo compartilhadas após muito tempo depois de veiculadas, abrir a matéria e olhar a data que foi postada pode ajudar o leitor.

Além da irresponsabilidade na hora de compartilhar informações na internet, há também os crimes de ódio praticados na web que são ainda piores. Exemplos não faltam de pessoas que se excederam nas redes sociais e expuseram seus preconceitos acreditando que nada aconteceria. Por incrível que pareça, nem Barack Obama se salvou das ofensas raciais, mesmo sendo considerado por muitos como o homem mais influente do mundo. Há poucos dias, o presidente dos EUA começou a usar a conta @POTUS no Twitter e foi alvo de ofensas raciais por alguns usuários. Algumas marcas já realizaram campanhas contra o cyberbullying e os crimes de ódio na rede, a Coca-Cola lançou uma onde transforma os pensamentos de ódio em mensagens positivas e a Cartoon Network foi contra o cyberbullying transmitindo a mensagem “não deixe o monstro do cyberbullying falar por você”. Ser responsável e saber conviver em harmonia na internet é um dever de todos, até as empresas se sentem no dever de ir contra o lado negro da internet. E você, está fazendo a sua parte?

Fontes:

http://meiobit.com/316775/mae-australia-acusa-homem-selfie-darth-vader-pedofilia-redes-sociais/

http://www.e-farsas.com/sobre

http://www.boatos.org/

http://www1.folha.uol.com.br/mundo/2015/05/1632471-obama-vira-alvo-de-ataques-racistas-em-conta-no-twitter.shtml

http://www.b9.com.br/54862/advertising/coca-cola-transforma-mensagens-de-odio-em-pensamentos-positivos/

http://www.b9.com.br/51816/advertising/cartoon-network-lanca-campanha-contra-o-cyberbullying/

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