Terror: O espelho da sociedade

Ah, o terror… Uns amam e outros odeiam, mas é preciso dizer: todo mundo (ou quase) já teve a experiência de assistir ao gênero. Com um grupo de amigos, sendo forçado, no cinema de casalzinho ou sozinho em casa (desafiando o sobrenatural). O importante é que o terror foi um dos primeiros gêneros a estrelar no cinema e não foi coincidência, o medo é um sentimento natural do ser humano e sempre brincou com a imaginação dos meros mortais.

Os filmes são grandes representações de nós mesmos. Na verdade, é um ciclo vicioso, os filmes representam a sociedade e a sociedade representa os filmes. E tenho uma noticia surpreendente para você: O gênero terror é o mais típico a representar a sociedade. Surprise?!

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Obras de terror são escritas há muito tempo, desde quando a humanidade aprendeu o quanto as sensações causadas pelo medo podem ser um instrumento para ensinar, questionar e muitas vezes, levar o ser humano ao delírio.

O cinema sempre investiu (e ainda investe) em maneiras de mostrar para a sociedade o que está acontecendo no mundo (Ou pelo menos, no que gostariam que a gente acreditasse).

Um exemplo clássico do terror é Frankenstein. A obra foi escrita em 1818 mas somente em 1910, o clássico foi adaptado para o cinema. Quando a obra foi escrita e estrelou no cinema, a medicina e a ciência ainda eram campos muito novos e desconhecidos, e como  tudo que é desconhecido, levou a mente a criar possibilidades (loucas) e causou medo. Frankenstein era o reflexo da sociedade daquela época, a ganância por conhecimento tinha resultado na criação de uma aberração: era o homem brincando de ser Deus.

Na década de 30, a humanidade ainda tinha receio quanto aos avanços da ciência e o desconhecido. Muitos filmes foram criados a partir desse pensamento (a nossa capacidade de criar monstros, é surpreendente). Drácula representava todos esses medos da sociedade.

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Entre as décadas de 40 e o fim dos anos 50, o que aterrorizou a mente das pessoas foram os desastres nucleares e as consequências dessas catástrofes. Godzilla, de 1954, é o maior (literalmente) exemplo de destruição em larga escala, exatamente como uma bomba nuclear e o mais curioso de tudo é que, justamente nesse período caótico, o Japão criou sua aberração… Entendedores, entenderão.

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Quase que da pra ter em casa..

Partindo para os anos 60, a década de grandes filmes do gênero, o medo da sociedade mudou drasticamente. O mundo tinha abraçado o avanço, tecnologia e desenvolvimento (Uhul).

Um enorme sucesso da época foi Psicose, e a partir dele, muitos clichês foram criados no terror. A famosa cena do banheiro, a sombra do assassino com a faca na mão, a trilha sonora… (Dá até pra fazer uma lista). Nesse período os cenários eram sempre, uma casa (suspeita) no meio do nada,  fazendas abandonadas, um hotel de beira de estrada, que SEMPRE surge de repente, passeios (inexplicáveis) pela floresta. Em todas essas situações de afastamento do ambiente urbano, foi usado o medo para mostrar a sociedade as consequências de resistir ao desenvolvimento das grandes cidades. Pegaram pesado aqui, né?!

(Uma dica para quem é fã de Psicose, é o Spin-Off do filme que virou série, Bates Motel. Sim, tem no Netflix!).

Indo para os anos 80, os sucessos das produções com serial killer foi estrondoso, e personagens icônicos do cinema foram criados. A hora do pesadelo, com Freddy Krueger, Sexta-feira 13, com o Jason e Halloween, com Michael Myers. Acho que todo mundo conhece a tipica historia, um grupo de jovens que resolvem se divertir, indo acampar ou invadindo casas abandonadas e o assassino que deseja (loucamente) se vingar ou punir essas pobres almas.

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A década de 80, foi muito representada pelos jovens que buscavam mais liberdade de expressão, viver  intensamente e também foi o auge da AIDS. A representação do serial killer, era a punição para a juventude que vivia tão desregrada.

A partir dos anos 90 até os dias atuais, passam a ser produzidos filmes voltados para a tecnologia. A nova sociedade precisa registrar todos os momentos da vida. Produções como REC e Atividade Paranormal, deixa claro o quanto as pessoas passaram a se expor diante de câmeras.

Outro gênero que vem fazendo sucesso a alguns anos, são os filmes com zumbis, sempre (claro), em um cenário apocalítico. Guerra Mundial z e a série The walking dead, são ótimos exemplos do terror que sofremos atualmente: perder o que conquistamos e ficar sem o necessário para viver.

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Claro que depois de ler tudo isso, você vai enxergar  o terror com outros olhos (espero) e quem sabe não aprecie mais o gênero ?! Só não vale deixar de dar uns gritos.

Divirta-se e cuidado!

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Fontes:
Uma das inspirações para esse texto veio de uma reflexão do Professor Cláudio Rabelo.

Outro ponto utilizado foi o livro Cultura da Mídia, de Douglas Kellner.

 

 

 

 

 

 

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