O narcisismo e a Geração N.

Em 2010, o articulista norte-americano Rob Asghar, publicou um artigo no Huffington Post , sobre o surgimento do que ele considerava “Geração N“: Jovens com condição financeira estável, que desejam ter carreiras promissoras fazendo absolutamente nada.

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Rob  aponta que a ideia de que a cultura narcisista norte-americana estaria criando “jovens incapazes” e esse estudo, que envolveu dezenas de milhares de universitários, detectou traços de “autorrespeito exagerado” e de um “infundado senso de merecimento”. Pesquisadores chegaram a afirmar que algumas crises econômicas comentadas mundialmente já são resultado do narcisismo da chamada Geração N. #pesado

Os Estados Unidos sempre sustentaram um sonho de prosperidade, na “terra das oportunidades”, a ideia de que quem estivesse disposto a dar duro poderia conquistar uma vida cheia de riqueza sempre esteve enraizada na cultura americana. Unido a isso, em meados de 2007, uma ideia aflorou na cabeça de adolescentes e jovens americanos nesse contexto do american dream: eles estariam buscando o estilo de vida proporcionado pela fama.

Esse life style já era vivido por grandes estrelas dos tabloides da época, como Lindsay Lohan, Britney Spears, Paris Hilton, entres outras. O que cada uma delas tinha em comum? Eram jovens, ricas, famosas, bem vestidas e tinham o que era desejado pelos jovens da época. Essas estrelas pareciam tão obcecadas pela fama quanto os consumidores de fofocas e paparazzis.

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Nesse mesmo período, uma nova indústria de notícias surgia. No ar quase 24 horas por dia, canais de fofoca, blogs especializados em celebridades e sites sensacionalistas como o TMZ estavam ganhando cada vez mais força. Essas garotas ricas, famosas e com a vida completamente conturbada, pareciam ser a pauta perfeita para esses veículos. Elas eram vistas saindo juntas das baladas mais caras do mundo, completamente bêbadas, brigavam com amigas diante das câmeras e chamavam atenção dos paparazzi de propósito.

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Acontece que essas meninas enfrentavam problemas de verdade. Além de terem ido para clinicas de reabilitação por excesso de consumo de drogas eálcool, Lindsay e Paris já haviam se metido em encrencas com a justiça várias vezes. As duas já tinham sido presas por dirigirem embriagadas e por uso explícito de drogas como cocaína (Lindsay ficou presa durante 84 minutos, das cerca de 24 horas que foi condenada).

E como esquecer o surto público bizarro de Britney Spears no inicio de 2007?  A cantora raspou o cabelo e ficou cerca de um dia em uma clinica de reabilitação e logo depois atacou o carro de um paparazzo com um guarda-chuva.

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O público se dizia indignado com aqueles eventos, ao mesmo tempo em que existia uma mistura de desejo e diversão naquelas cenas. O declínio na reputação dessas garotas gerava cada vez mais popularidade. Essas mulheres tiveram o azar de alcançar seu auge da fama quando o negócio de mídia voltada para celebridades estavam explodindo em toda a America. Acontece que para as gerações mais novas, isso espelhava uma ideia de  “fama a qualquer custo”, ou seja, dinheiro fácil.

Uma pesquisa feita na mesma época revelava que “77% dos americanos acreditam que Britney, Lindsay e Paris exercem uma influência exagerada sobre os adolescentes e jovens.” Crianças entre oito e catorze anos já adoravam essas meninas, e pré-adolescentes invejavam o estilo de vida delas.

Programas de competição e reality shows como The X Factor, The Voice, America’s Got Talent, America’s Next Top Model, Project Runway, entre outros, ganhavam cada vez mais fãs e telespectadores. Essas produções transformavam pessoas completamente normais em estrelas do dia pra noite. A televisão americana estava cada vez mais vendendo o sonho de se tornar famoso.

“Nós os colocamos nos melhores hotéis, porque queremos que tenham um gostinho do estilo de vida que a fama pode proporcionar.” Essa foi uma declaração de Demi Lovato em 2012, quando se tornou jurada do The X Factor. Só que ela esqueceu de mencionar que esse mesmo “estilo de vida” foi o que levou ela e Britney Spears a um longo período em uma clinica de desintoxicação, em 2010 e 2007, respectivamente.

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Nunca havia acontecido uma ênfase tão grande na “gloria de ter fama” na história da cultura americana, porém, culpar a cultura pop e a mídia por valorizarem isso pode ser muito mais cômodo. Acontece que programas de TV, músicas pop e grandes produções de Hollywood muitas vezes são mais um reflexo da sociedade, do que a origem dessas tendências culturais.

Afinal, a cultura da fama teria transformado jovens em narcisistas? Ou esses jovens queriam ser famosos porque eram narcicistas?

#Selfie

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Selfie é o neologismo do autorretrato. A própria base da palavra já diz muito sobre todo o processo cultura que se esconde por traz desse foto tão comentada: Selfie vem do termo em inglês Self ou  “eu“. Acontece que nesse caso em específico, está muito além do que uma simples ferramenta fotográfica, ela representa uma sociedade que transformou tudo em uma imagem de si mesmo, ou seja, o “eu” como instituição máxima.

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A abstinência tecnológica que vem sendo cada vez mais comum, ou a necessidade exacerbada de se manter conectado nas redes sociais, principalmente através dos smartphones, acontece por causa da carência das pessoas, que querem passar cada vez mais tempo nas redes, para ver como os outros reagem a tudo que é compartilhado pelo usuário.

A selfie de todo dia é quase uma forma de pedir aprovação ao mundo, de se sentir parte de um todo, de poder se mostrar, vender e aparecer. Essa nova forma de autodivulgação, passou de modismo para um reflexo cultural da sociedade. O fenômeno, que pode até parecer divertido, esconde uma cultura que é cada vez mais cruel para os jovens.

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O jovem moderno se tornou um manequim de si mesmo. Ele finalmente pode ser apenas o que ele queria ser, e deixar tudo isso registrado em todas as redes sociais. O melhor ângulo, o cabelo bem arrumado, a maquiagem on fleek,  por um momento faz o seu interior parecer tão bem arrumado quanto o exterior. Criamos uma gama de jovens que filtra suas emoções, da mesma forma que filtra suas fotos no instagram.

As pessoas cederam aos encantos que uma foto com muitos likes e muito comentários pode oferecer. É a forma mais simples que existe de encher  o ego todos os dias, a superficialidade humana chegou a um ponto tão extremo que a maior preocupação é não deixar passar qualquer tipo de defeito. Uma simples imagem tomou tanto poder que sofremos da incapacidade de ver além da foto perfeita.

Não se deve criar panico sobre o fenômeno, mas as ideias discutidas aqui devem ser capazes de criar uma reflexão: Estamos usando as selfies e as redes sociais da melhor maneira ou tentando esquecer algum problema através delas?

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