A Publicidade nos Documentários

O que te vem a cabeça quando escuta a palavra publicidade?

Bom, você eu não sei, mas muita gente, sem hesitar, pensa naquela propaganda em preto e branco, com meninas bonitas explicando quais são as funções dos produtos.

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Essa fórmula pode ter funcionado há 40/50 anos atrás, quando um dos poucos meios de obter informação sobre os produtos era por meio das publicidades televisionadas ou do rádio. Mas na sociedade atual, em que respiramos tecnologia 24 horas por dia, uma moça bonita listando as qualidades de um produto não consegue mais persuadir   o receptor como antes.

No cenário atual, o segmento publicitário vive em um meio de muita competitividade. Somos bombardeados por informações a todo instante, seja pelo celular, computador, televisão, outdoors, jornais ou outras mídias utilizadas para anúncio de produtos e serviços. É claramente uma disputa acirrada pela atenção do consumidor, tornando uma missão quase impossível para os publicitários burlarem a grande quantidade de distrações que recebemos a cada minuto (nós sabemos que você mudou de aba pelo menos três vezes enquanto lia esse post).

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… onde é que eu estava mesmo?

E foi por isso que surgiu uma nova discussão sobre a atuação da publicidade: como inovar?

É notável que em seu formato tradicional ela perdeu o encanto. Os comerciais de televisão não atraem mais a atenção das pessoas a não ser que sejam incrivelmente geniais – o que poucas empresas conseguem realizar. Em pleno 2016,  temos a sensação de que já vimos de tudo nesse mundo, por isso consideramos iguais todos os anúncios pelos quais rolamos passamos os olhos.

 

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Aquela propaganda de novo?

 

Esse sentimento de cansaço do consumidor gerou uma necessidade de mudança na forma que as empresas iriam anunciar seus produtos. Mas como inseri-los na vida de um público que não aguenta mais a mesmice?

Trazendo o Marketing à tona! (Professora Carine MUSA Cardoso deve estar lendo esse post com orgulho em algum lugar por aí). ❤ 

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“QUE ESPETÁCULO!”

Entendemos que as empresas estão deixando de focar nos produtos e nas vendas para voltar sua atenção aos valores passados para o público. Em plena era do Marketing 3.0, o cliente não busca apenas satisfazer suas necessidades básicas, ele procura o produto desejado levando em conta o emocional e o que ele pode agregar sentimentalmente.

Quem aqui nunca se apaixonou por um batom da M.A.C ou uma marca de celular e nunca mais deixou de usá-los? De acordo com Philip Kotler, o consumidor busca experiências, emoções e envolvimento com as marcas. (Ahhhh <3)

Além disso, a publicidade não tem mais que parecer propaganda. Ela pode se tornar muito mais do que isso nesta nova fase do Marketing. Ela deve ser relevante. Ser útil de alguma maneira, facilitadora, transmitindo informações, entretendo e divertindo ao mesmo tempo em que divulgam seus produtos/serviços.

O sentimento é o protagonista nesse novo tipo de publicidade. O vínculo formado entre consumidor e marca pode se tornar duradouro, e para que esse relacionamento aconteça, a chave é o engajamento da empresa em fornecer essas experiências ao seu cliente.

E foi assim que os publicitários do século XX encontraram a sua solução: Envolver o público-alvo em campanhas que ultrapassem os limites de simplesmente comprar e vender, desenvolvendo estratégias que tragam valores e que conquistem a admiração e a fidelidade dos consumidores. 

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Alguém falou conquista? Coisa grátis?

No processo da criação de novos caminhos para a publicidade, são necessários conteúdos relevantes para o público-alvo. De formas mais baratas, mais acessíveis, que envolvam tecnologia, inovação e interajam com as novas mídias – as mídias sociais, que a cada dia ganham mais força -, integrando o digital na vida das pessoas, tornando as marcas mais humanas e mais reais aos olhos do seu público.

E qual o melhor modo de fazer isso do que em forma de documentários?

Pode não ser uma novidade que documentários com o intuito publicitário são produzidos por Hollywood há um bom tempo. Entretanto, foi na mídia atual em que eles encontraram o seu espaço.

“Eles são poderosos propagadores de informações, podendo levar entretenimento, cultura e serviços. Quando produzidos em conjunto com a publicidade, isso é levado em nome das marcas”, afirma  André Paste, um ex-aluno de Publicidade da FAESA, que teve O Documentário Na Publicidade como tema do seu TCC.

Os filmes-documentários chegaram a um nível de qualidade de produção e de conteúdo em que a publicidade viu uma chance de beneficiar a si e ao consumidor juntamente, agregando uma qualidade cultural.

Com a principal função de desenvolver um ponto de vista, são capazes de divulgar – não apenas os produtos daquela marca -, mas a visão que ela tem sobre o mundo e o que está acontecendo nele. Além, é claro, de contar boas histórias que sejam, acima de tudo, verdadeiras, que prendam a atenção do espectador.

Sempre lembrando que é importante ter um motivo legitimo para produzi-los. Não basta gravar algumas cenas e está pronto o seu documentário. Quais são os objetivos das empresas ao fazer esse filme? São motivos justos e que vão de algum modo acrescentar ao espectador ou apenas o está fazendo por modismo? 

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Tudo bem, você acabou de ler um explicação linda, cheia de termos bonitos e citações. Mas, se você ainda está perdido…

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Vamos falar de exemplos práticos!

O filme “It’s Not Over”, patrocinado pela marca canadense de cosméticos M.A.C, conta a história de três pessoas portadoras do vírus HIV. O documentário faz parte de uma campanha, a M.A.C AIDS Found. Todo o lucro obtido com a sua linha Viva Glam – uma das mais famosas da marca – é direcionada para a fundação.

Esse é um ótimo exemplo do que estes documentários devem significar. Muito além de fazer propaganda de seus produtos, o documentário também é uma forma de  associar o nome da empresa não somente a maquiagem e estética, mas a ideia de algo palpável no nosso dia a dia, a ideia de solidariedade.

Outro exemplo foi a campanha da Coca-Cola para a Copa do Mundo. O comercial “A Copa de Todo Mundo”– “World’s Cup”,  em inglês – tem o formato de documentário. A história de times de futebol das partes mais pobres do mundo são contadas e, no meio disso, esses times são convidados a participar da Copa do Mundo de 2014, no Rio de Janeiro.

A publicidade nos documentários vem marcando presença nos últimos tempos, contando histórias de qualidade ao mesmo tempo que divulgam as marcas.

E esse é um método que  não mostra sinais de que vai ir embora tão cedo. 

 

Texto: Lívia Reim e Alessandra Santarosa.
Arte da capa: Luciano Oliveira.

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