O mercado gourmet nas redes sociais

Se você esteve conectado às redes sociais nos últimos anos, provavelmente já viu alguma piada sobre o “raio gourmetizador” rodando pelo Facebook ou pelo Twitter. Se não, é provável que você precise dar uma checada neste post hilário do Buzzfeed17 comidas que foram atingidas pelo raio gourmetizador.

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A piada, que começou alguns anos atrás, é a mera verdade mascarada de meme da internet. O termo “gourmet” é antigo, mas no Brasil se popularizou quando as classes mais altas começaram a se interessar por comida e, nossa gastronomia, apesar de deliciosa, não respondia aos seus desejos específicos. Para falar de uma forma simples, eles queriam mais sofisticação, qualidade e sabor, mas não necessariamente inovações. Dessa forma, das prateleiras de supermercado às mesas de bar, muita coisa ganhou versão gourmet.

Com todo o sucesso que ganhou, o gourmet tornou-se banal. De acordo com a revista Superinteressante,

“A revolução gastronômica de um país se baseia em três pilares, basicamente. É preciso ter uma cultura que valorize o ato de comer bem, uma estrutura logística e tecnológica que colabore com isso, da produção ao prato, e uma população com dinheiro suficiente para comer fora de vez em quando.

No Brasil houve foi um aumento significativo da renda e uma geração de chefs disposta a valorizar cores e sabores regionais. Porém ainda faltam cultura e investimento. Juntar a fome com a vontade de comer, mas deixar de lado o saber o que comer e o quanto gastar, é a receita para a gourmetização de tudo.”

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 E esse fenômeno vai além das cozinhas. Chris Anderson é um físico e escritor americano que desenvolveu a teoria da Cauda Longa. O termo descreve uma transição do mercado de massa (hits) para o mercado de nichos. Dessa forma, se vende uma “grande variedade de itens em pequenas quantidades, ao invés de apenas poucos itens populares em grande volume.”

Esta teoria funciona para todos os segmentos, mas já que estamos falando de comida, podemos afirmar que com a Cauda Longa criou mais espaço no mercado gastronômico e, com isso, alimentos que são parte da cultura brasileira, como pipoca, coxinha e brigadeiro foram recriados. “Pegue uma coxinha, meta ossobuco e você terá um quitute não necessariamente melhor, mas certamente mais caro”. Suas versões mais “refinadas” se popularizaram, expandiram e fazem sucesso nos quatro cantos do país.

Então, mais uma vez: lembra-se do “raio gourmetizador?”. Existe um fundo de verdade nele. Todos sabemos que existe brigadeiro gourmet. E também sabemos que eles são vendidos por preços exorbitantes. Mas por que tão caros?

“A falta de logística e de incentivo, problemas quais o país enfrenta, conseguir produtos específicos fica caro, o que se reflete no preço final do prato.”

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E claro, a identidade visual, o ponto de venda e o investimento de marketing influenciam o valor dos produtos.

E se vamos falar de marketing, que seja do que mais está crescendo e que está proporcionando às marcas novos posicionamentos e mais espaço no mercado: o marketing digital.

Responsável por inserir a marca no mundo virtual, o marketing digital é composto por diversos profissionais, como por exemplo o analista de redes sociais, que explora o concorrente, traduz o comportamento do internauta, o que ele quer, o que ele gosta, o que ele precisa e o que ele procura de forma que a empresa atue corretamente na internet, inserindo-se nas redes sociais que se encaixam no seu perfil.

E é assim que as empresas do século XXI estão ganhando espaço no mundo virtual, como por exemplo as gourmets, que se consolidaram por seu diferencial tanto no produto quanto nas vendas e na atenção voltada para o cliente, seja no ponto de venda físico ou no atendimento digital.

Com esse avanço de mercado de nichos, várias marcas surgiram pelo Brasil. Alguns exemplos famosos são:

Maria Brigadeiro (@mariabrigadeirooficial)

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Há quase 10 anos no mercado, a empresa vende cerca de 3.000 brigadeiros por dia, todos feitos na hora e com ingredientes selecionados. O ponto de venda possui uma decoração exclusiva para proporcionar uma experiência única ao consumidor, a identidade visual clássica faz sucesso nas redes sociais e ainda conta com diversos sabores exclusivos.

Pipó (@pipogourmet)

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O slogan “inesperadamente gourmet” já explica o sucesso desse case. A marca propôs a mudança no consumo de pipoca no Brasil, aparecendo em situações inusitadas como casamentos, reuniões de trabalho e até em desfiles de moda. A ideia principal era que a pipoca se tornasse um presente, com uma pegada divertida e inovadora. O ponto de venda minuciosamente escolhido e a identidade visual única maravilhosa falaram por si só e se tornaram um sucesso.

Petiscos Brazuca (@petiscobrazuca)

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O brasileiro pode sair do Brasil, mas o Brasil não sai dele nunca. Uma dupla de brasileiros teve a ideia de recriar o salgadinho mais famoso do país no meio do caos de Nova Iorque. Hoje faturam cerca de 120 mil dólares nos EUA, com o delivery especial (que entrega tudo quentinho) e promoções que incluem o famoso Guaraná Antarctica como brinde. É tanto sucesso que os criadores buscam novas possibilidades além dos tradicionais salgados brasileiros, como a coxinha e o pão de queijo.

Fôrma de Pudim (@formadepudim)

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A fôrma personalizada e a loja de um produto único, sendo ele, “a sobremesa favorita do brasileiro”, foram fatores de sucesso para a marca Fôrma de Pudim. que conta com 13 sabores do doce. De acordo com Fernanda Campos, diretora-proprietária, a cozinha chega a usar 500kg de leite condensado por mês, o que dá o gosto exclusivo para os diferentes sabores inventados, como Pistache, Brigadeiro e Chocolate Belga.

Strumpf (@ketchupstrumpf) 

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Defumado, apimentado, rústico e artesanal, foi com essa proposta que a marca paulista “Strumpf” trouxe ao Brasil uma nova ideia por trás do famoso ketchup, retomando os primórdios das receitas e reformulado para o mercado atual. A marca aproveitou o movimento crescente das hamburguerias gourmet no país para se estabelecer e hoje está em 57 pontos de venda e em 10 cidades brasileiras. O contato com as redes sociais foi definitivo para o crescimento da marca.

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Deu até fome né??

E o que cada uma dessa marcas têm em comum além do “gourmet”?

O sucesso nas redes sociais. Parece que aquele ditado popular “comer com os olhos” funcionou muito bem para eles,  porque foi a partir de fotos dos produtos tão bem feitos que essas empresas conseguiram uma multidão de fãs obcecados por seus produto, seja pelo brigadeiro fresquinho, a coxinha crocante ou a embalagem maravilhosa de pipoca. Essas marcas souberam aproveitar seu produto e o dia-a-dia da empresa da melhor forma possível, registrando tudo e deixando os seus clientes bem informados sobre o universo em volta dos produtos tão desejados.

A identidade visual das marcas também foi um fator decisivo para o sucesso dessas empresas, responsáveis pelo olhar apaixonado dos consumidores em relação a marca. Alguns exemplos disso são o conceito da Maria Brigadeiro de se inspirar em docerias clássicas, a ideia da Pipó de transformar uma simples pipoca em um presente, construindo uma lata de que serve tanto para o transporte do produto quanto para embalagem de presente pela sua beleza e requinte nos detalhes, ou a embalagem vintage do Ketchup Strumpf em que o rótulo rústico parece escrito à mão e leva o nome da família.

Toda essa escolha cautelosa não só com o produto, mas com tudo que existe em volta dele, se tornou o diferencial dessas empresas e consolidaram seus nomes.

Não importa se é doce, salgada, nacional ou importada, comida é sempre comida ❤

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Texto: Alessandra Santarosa e Guilherme Melo
Capa: Luciano Oliveira

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