Abre alas, porque eles também querem passar.

Ah, os estereótipos! Eles são tão recorrentes em nossas vidas: para nos encaixarmos num grupo social, identificar alguém que se assemelhe com características e preferências de um determinado estilo… Isso se resume a colocar as pessoas com algumas etiquetas referentes aos traços aparentes, como a roupa que veste, a música que ouve e etc, sendo uma visão superficial do perfil das pessoas.

Não é a toa que a publicidade faz uso dessa “ferramenta”. Os estereótipos auxiliam na identificação rápida do público com o que é representado na campanha, trazendo uma aproximação com o mercado a ser atingido. Mas, em contrapartida, essa utilização pode ser perigosa no momento em que é apelativo, caricato, não representa o grupo identificado ou acaba diminuindo o estereótipo em questão.

E isso tem gerado um grande movimento nos últimos anos, de pessoas que não se sentem representadas pelas personagens presentes nas campanhas. Sem dúvida alguma, a internet tem colaborado imensamente com esse movimento. Além de jogos, notícias e os tradicionais usos das redes sociais, ela tem se tornado uma ferramenta de empoderamento, de compartilhar suas dores e suas vitórias, quando as pessoas que se sentem diferentes, excluídas e não representadas, passam a ter voz e essa voz é ouvida.

Com tanto burburinho que as campanhas causam na internet, as marcas têm ficado cada vez mais atentas a repercussão de suas peças, para ver a aceitação e o que o seu público deseja ver.

É aí que a representação de minorias ganha espaço na mídia e elas são representadas como são, excluindo levemente os clichês de seus estereótipos. E, atualmente, nós temos muitos exemplos disso!

Começamos com O Boticário e sua campanha de dia dos namorados do ano passado. O que foi esse case, minha gente? De forma linda, suave e delicada, a marca trouxe casais homossexuais em sua campanha, fazendo jus a trilha sonora mais que adequada ao que foi apresentado: “consideramos justa toda forma de amor”. Foi o posicionamento esperado! A marca deixou seu apoio a causa, dando o start na visibilidade desse público no segmento dos cosméticos, tendo a propaganda veiculada em rede nacional nas televisões pelo Brasil afora.

Continuando na ala dos cosméticos, a Avon também tem abraçado as diferenças. Em outubro do ano passado, na campanha do Outubro Rosa, a marca convidou Candy Mel, mulher trans e cantora da Banda Uó, para estrelar sua campanha #EuUsoAssim.

No mês passado, a Avon divulgou sua nova garota propaganda: a drag Queen Pabllo Vittar, apostando mais uma vez na representatividade (que, SIM, importa muito).

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Esse ano, no Dia Internacional da Mulher, a L’Oreal lançou a campanha “Toda mulher vale muito”. A propaganda também foi estrelada por uma mulher trans, Valentina, que traz o desejo de toda mulher para todos os dias: respeito. E com isso a marca vem dar espaço e mostrar a existência das mulheres trans.

A Dove também tem carimbo aqui! Quando se fala em sair do padrão, a marca é rapidamente lembrada.  E agora eles estão com a campanha que resume tudo isso que é falado ao longo do texto, a “Beleza fora da caixa”.  Para a realização dessa campanha, a marca fez um estudo e grande parte das mulheres entrevistadas disse que a publicidade estabelece um padrão de beleza inalcançável.

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A marca também inovou em campanha recente que mostra as belezas de todo tipo de cabelo, a “Seu cabelo, sua escolha”. O cabelo é representação direta da identidade da mulher e isso não afeta sua capacidade, seu profissionalismo. E para demonstrar isso, a Dove acertou mais uma vez nesse vídeo incrível.

Uma campanha que rendeu muitos comentários foi a da revista ELLE em maio do ano passado, quando a publicação completou 27 anos e fizeram a icônica capa espelhada, chamada #VocêNaCapa. Além de ter a capa com o rostinho de quem quisesse, a revista fez um editorial incrível, com todo tipo de mulher. Essa capa gerou uma grande interação da ELLE com seu público, que fotografava sua capa e anexava a hashtag proposta.

E também teve uma ação incrível nas ruas de São Paulo:

A Mattel tem inovado com um de seus produtos mais conhecidos: a boneca Barbie. No ano passado, surgiu uma nova linguagem para o produto, começando com a campanha “Imagine as possibilidades”. Nesse vídeo são mostradas meninas que atuam em todo tipo de trabalho. É só amor ❤

Logo depois surgiu a campanha “Evolução da Barbie”, que trouxe novos tipos de corpos, outros tons de pele, colocando proporções reais às bonecas.

Em Zurique, a ONG Pro Infirmis fez uma campanha que incrível é pouco para descrever. Para auxiliar na inclusão de deficientes físicos, foi decidido mudar manequins de lojas de acordo com o corpo dessas pessoas.

Uma ONG americana também quis arrasar com nossos corações com um lançamento lindo, cheio de amor: os ADAPTOYS, brinquedos populares adaptados para deficientes físicos.

Aos poucos, vamos vendo mais mulheres, negros, deficientes, homossexuais e tantas outras pessoas que precisam ser ouvidas, sendo representadas da forma que são. Os passos podem ser pequenos e lentos, mas tem uma importância sem tamanho.

Inclusive, o movimento de mudança da imagem feminina na publicidade ganhou um nome específico: femvertising, termo que une as palavras “female” (feminina) e “advertising” (propaganda), fazendo referência as campanhas que têm sido ferramentas de empoderamento feminino.

Enfim, essas campanhas todas vêm para mostrar que a cara da publicidade e das marcas está mudando e se tornando cada vez mais humana, mais real. Isso traz uma relação com o público que não se via antes: no momento em que o cliente se enxerga na marca, a empatia aparece. E assim, todos que eram deixados de lado têm as portas – e as alas – abertas para passarem, representarem e se identificarem com o que é oferecido no mercado!

Texto: Mikaely Reinholz.

Arte da Capa: Vinicius Silva.

Fontes:

O Boticário e o Dia dos Namorados

Candy Mel e Pabllo Vittar na Avon

L’Oreal e o Dia Internacional da Mulher

Existe beleza fora da caixa e Seu cabelo, sua escolha da Dove

Revista Elle #VocêNaCapa

Manequins com diversidade

Adaptoys

Barbie fora dos padrões e com novas possibilidades

O termo femvertising

 

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