Ócio criativo: um lazer produtivo

“O futuro pertence a quem souber libertar-se da ideia tradicional do trabalho como obrigação ou dever e for capaz de apostar em uma mistura de atividades, onde o trabalho se confundirá com o tempo livre, com o estudo e com o jogo, enfim, com o ‘ócio criativo’.”

Domenico de Masi

Algumas das principais ideias da teoria do Ócio Criativo você provavelmente já pratica ou compreende pelo senso comum, mas é sempre bom entender o conceito por trás disso tudo. Vamos trazer aqui uma breve introdução do que é essa teoria e como ela pode ser relacionada às atividades do cotidiano. No final, você  vai poder se gabar com seus colegas, ou se justificar com a sua mãe: “Pô mãe, isso é ócio criativo! ”. É sucesso garantido.

1

A teoria do ócio criativo

O Ócio Criativo é uma ideia que propõe uma nova organização social que encara o trabalho e outras atividades de uma forma diferente de como acontece hoje. Ele busca criar um vínculo entre o ofício e o lazer, fazendo com que a relação entre os dois seja harmônica e não carregada de juízos de valores.

Assim como disseram Barbosa e Campbell (2006, p. 21) “Ninguém sente culpa pelo trabalho que realiza, só pelo que deixou de fazer, mas o consumo, especialmente daquilo que se considera bens supérfluos, é passível de culpa. ”. Ou seja, uma pessoa que faz suas obrigações o dia todo e volta à noite para casa, sente além de cansaço, um certo orgulho. Já quando ela não “rendeu” o que deveria em um dia qualquer, sente culpa.

Com o tempo de folga dela é diferente. Se ela simplesmente não trabalha ela “não fez nada”. Mas se ela fizer alguma coisa no dia, ainda pode dizer que “perdeu tempo”. Ou seja, as possibilidades de culpa no lazer, de acordo com a visão geral da sociedade, são maiores.

2

Segundo o próprio autor do livro-entrevista, Domenico de Masi: “o ócio pode transformar-se em violência, neurose, vício e preguiça, mas pode também elevar-se para a arte, a criatividade e a liberdade. É no tempo livre que passamos a maior parte de nossos dias e é nele que devemos concentrar nossas potencialidades”. E é dessa última parte da fala dele que nos interessa e que iremos desenvolver.

Então, o que é o Ócio Criativo no dia a dia?

“Ah, é quando você não faz nada, mas está fazendo alguma coisa” Quase isso. Seria o processo “involuntário” de obtenção de ideias por meio das atividades do lazer em geral, ver um filme, ler um livro, sair com pessoas etc. Essas atividades de lazer são conhecimentos adquiridos que ficam numa espécie de banco de dados para serem acessadas depois, no seu trabalho, por exemplo. Porém esse processo não é assim tão “involuntário”. Para chegar a alguma ideia miraculosa, ou a um insight, os pensamentos base dessa ideia, mais que certamente estão maturando na nossa consciência há certo tempo.

3

“O trabalho inconsciente é impossível se não for precedido pelo trabalho consciente”

Thomas Edison

Porém essa ideia de fazer algo no seu período ocioso para ser usado para produzir mais, seria um tanto contraditória. Não seria de fato lazer, quando se trata de uma obrigação, mesmo que aparentemente legal (???). Exemplo: uma pessoa precisa criar algo com o tema terror para uma campanha publicitária, de modo que assiste uma série de filmes do gênero para ter ideias. Em uma das possibilidades ela pode não gostar de filmes de terror, o que faria do descanso dela uma obrigação e fugiria do conceito de ser uma relação harmônica e prazerosa com a ocupação. Mesmo fora do trabalho temos que justificar como gastamos nosso tempo, como quem diz “Ah, estou vendo uma vídeo aula”, e não um “Estou me divertindo jogando videogame”. Não seria essa a ideia original do ócio criativo que buscaria dividir os holofotes do trabalho com o lazer.

O ócio criativo se refere e se torna mais proveitoso para as pessoas que trabalham naquilo que gostam, como dizem, quando o trabalho já não é mais labuta. Como um sábio professor me esclareceu, a visão de trabalho como uma tortura é apagada, e todas as associações que se fazem nos momentos de lazer são sempre aproveitadas, a vivência da pessoa se torna fundamental para uma ocupação que deixa de seguir normas rígidas e se aproximaria do jogo, um desafio, um compromisso, mas um prazer.

Outro aspecto interessante da teoria ligado a ausência de normas rígidas é a possibilidade de evitar os contratempos e estresse do trânsito nos horários de pico, evitar a pressão e concentração de pessoas nos escritórios ou até mesmo evitar os contratempos de deslocamento com um esquema de home office. São possibilidades que permitiriam organizar o fluxo urbano de pessoas e o fluxo de trabalho pessoal aproveitando e otimizando as tarefas de cada um, proporcionando uma tarde de trabalho em uma livraria ou uma cafeteria por exemplo, deixando uma mesa livre para o lazer. Agora vamos aos exemplos.

Exemplos:

1). Sou uma designer e vejo filmes dos quais gosto muito da trama e ainda assim posso ver novas associações de cores e formas para minhas novas criações.

2). Sou um secretário e vou ao restaurante com alguns amigos, entre as minhas conversas posso também reparar no atendimento agradável que recebi e que posso usar no escritório

3). Sou um jogador de futebol e vou a um jogo de basquete com a minha esposa. Durante o jogo vejo um drible de corpo e uma jogada que posso tentar reproduzir em campo.

São coisas que durante a rotina de trabalho dos indivíduos 1), 2) e 3), eles não perceberiam. Foi necessário fugir um pouco para se descobrir algo diferente.

E você pode se perguntar: “E para que uma teoria, um livro, para falar de algo tão óbvio? ”.
44

Ora, não é tão simples assim, mas serve para legitimar todos esses conceitos, para materializar essa ideia. Para botar um dedo na frente da lente da câmera como quem quer chamar atenção para uma realidade que todos passam ou vão passar de uma certa maneira. Ainda hoje poucas profissões podem aproveitar de uma flexibilidade na carga horária e nos prazos. Os publicitários são os mais conhecidos por gozar dessas novas possibilidades de trabalho e ainda assim, são vistos como malandros.

Estas novas possibilidades existem e podem ser adaptadas às rotinas pessoais e quem sabe a do emprego delas. É um movimento de separação entre o ócio/preguiça, para o ócio/criatividade. Trabalho como tortura à prazer no trabalho.

Depois dessa introdução ao Ócio Criativo, a partir de hoje, toda sexta feira traremos dicas para você aproveitar o final de semana. Seja com um filme, um livro, um jogo, uma palestra, um álbum de música ou até sugerindo um lugar para você passear. Dicas para você enriquecer seu repertório e “ociar” com propriedade.

5

E já para aproveitar uma casualidade um pouco rara durante o ano, a magnífica sexta feira 13 por sinal. Para não fugir da tradição, vamos dar aquelas dicas especiais para você aproveitar a data vendo alguns filmes de terror.

Dica 1: Escolher o filme

Para o caso de não se ter ideia do que ver, temos 2 filmes legais para indicar. The Conjuring (2013), e The Sinister (2012). Se você gostar do The Sinister, lembre-se que também tem o 2, a sequência.

The Conjuring é um filme “baseado em fatos reais” (segundo o filme) que retrata a história de um famoso casal de investigadores paranormais, (DATA) mas diferente dos outros investigadores, estes não são céticos quanto aos eventos. Eles são chamados por uma família para solucionar os estranhos acontecimentos que ocorrem em sua casa, que por acaso é isolada e tem um grande “quintal” com árvores frondosas e um lago amistoso. Os eventos são dos mais diversos: caixinhas de músicas hipnóticas, relógios que não funcionam direito, estranhas marcas no corpo, porões escuros, entre outros.

Já o filme The Sinister, narra a história de um escritor de livros sobre casos policias que não foram resolvidos. A trama começa quando, motivado pela necessidade de escrever um grande sucesso e afastar a imagem de ser um escritor de um só best-seller, se muda para uma casa em que um crime terrível aconteceu. Logo ele percebe se envolveu mais do que deveria no caso.

São dois filmes que proporcionam memórias bacanas, especialmente quando você for no banheiro a noite, no escuro, dar aquela encarada no espelho.

Dica 2: Escolha sua companhia

Esse é um tópico difícil já que depende da sua desenvoltura social. Na ausência dela, não se preocupe, é normal! Ver um filme com alguém que não seja seu irmão ou irmã é legal? Claro que é! (Apenas imagino que seja). Mas o fato é que não é de tudo ruim. A experiência do filme é expandida e a imersão é maior quando se está sozinho.

6

Dica 3: Criando um ambiente favorável

Algumas pessoas ignoram o ambiente, mas ele é de suma importância, principalmente em filmes de terror. Se você tiver a oportunidade de ver o filme à noite seria o ideal. Mas como uma alternativa, você pode fechar as cortinas, apagar as luzes, fechar a porta e aumentar o volume para ficar ligeiramente acima do normal que você ouve. Nem adianta falar que não fica mais legalzinho por que você no fundo sabe que fica.

Dica 4: O que comer

Coma o que estiver a sua disposição e que lhe dê a maior alegria e o maior arrependimento no menor espaço de tempo possível, #YOLO, #vidaloka. Brincadeira, mas coma o que estiver a sua disposição ou se você tiver (também) a disposição de ir comprar alguma coisa diferente simplesmente o faça. Nada faz mal com moderação.

7

E com essas dicas você está mais do que preparado para ver um filme de terror ou ver uma maratona caso você se empolgar.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Anúncios

Deixe um comentário

Faça o login usando um destes métodos para comentar:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s