Como Girls In The House quebrou a internet

Não dá pra negar que “Girls In The House” é um dos maiores sucessos da internet brasileira atualmente. Se você discorda, talvez seja melhor atualizar seu feed do Facebook apenas para checar. Ou apenas pare de jogar PokémonGo.

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Temos certeza de que você já viu alguns memes feitos a partir do jogo de realidade virtual “The Sims” rolando por aí. Para quem não sabe, The Sims é uma série de jogos eletrônicos de simulação de vida real criado pelo designer de jogos Will Wright e distribuída pela Maxis. No jogo, é possível que você crie personagens e comande suas ações e interações, além de poder construir e decorar casas e locais públicos.

The Sims é conhecido como “o jogo da zoeira”, como o BuzzFeed gosta de listar constantemente:

19 cenas de “The Sims” que ilustram perfeitamente a nossa vida

29 vezes em que o The Sims funcionou errado e foi terrivelmente engraçado

Mas se engana quem pensa que são apenas memes aleatórios do jogo e não uma famosa websérie. GITH repercutiu tão bem na internet que a quantidade de sites fazendo matérias sobre ela é espantosa e já desbancou “Stranger Things” em comentários no Twitter e na produção de conteúdo entre os fãs.

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Entendedores entenderão!

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A zoeira da internet foi tanta que o Twitter tem o próprio “Moments” para GITH, cheio de memes e gifs criados pelos fãs que te fazem passar mal de tanto rir. 

Mas por que devo assistir Girls in The House?

A série conta a história de três amigas que vivem e administram a “Pensão da Tia Ruiva”: Alex, Honey e Duny, além de seus amigos e os vilões que aparecem no decorrer da história. A Tia Ruiva, entretanto, ainda é um elemento surpresa da série.

Inseridos em um ambiente de Cibercultura, temos a capacidade de produzir e compartilhar conteúdo. Foi o que fez Raony Philipps, o criador e produtor de GITH, além de também ser responsável por dublar todos os personagens. Sozinho, ele foi capaz de criar uma mega-produção criando vozes diferentes e utilizando imagens de um jogo que teoricamente não seriam nada especiais, mas acabaram se tornando um fenômeno da internet.

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Carregada de mistério e muita comédia, “Girls In The House” teve seu primeiro episódio postado em novembro de 2014, obtendo mil visualizações em apenas um dia de lançamento, o que motivou Raony a continuar o projeto e consolidar seu canal, RaoTV. Hoje são mais de 11 milhões de visualizações, divididas entre as duas temporadas e spin-offs.

Falando em spin-off, “Disk Duny” certamente foi o que impulsionou o sucesso da série após o terceiro episódio, “Kim expôe Taylor” ter praticamente quebrado a internet. Estrelada por Duny e sua amiga, Priscilão, os roteiros são planejados a partir de histórias recentes e escandalosas do mundo pop, como a treta entre Kim Kardashian, Kanye West e Taylor Swift, a abordagem de vários seriados ou até mesmo a hilária teoria dos brasileiros de que Beyoncé mantém a cantora Sia em cativeiro para escrever canções para ela.

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Disk Duny – 1.02 – Pesadelo em Série

A websérie que quebrou a internet

Sendo uma websérie, o YouTube gera dados e estatísticas que fornecem informações essenciais para acompanhar o andamento do canal, descobrindo que o seu aproveitamento chegue a praticamente 90%, uma vez que é quase impossível assistir a um vídeo sem querer ver todos os outros.

Raony trabalha com uma complexa mixagem de conteúdos, desde as séries da TV mais famosas até ícones do mundo POP, o que gera engajamento dos internautas que se identificam rapidamente com o que lhes é apresentado.

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Raony teve a sacada de inserir personagens que parodiassem grandes celebridades, como Rebel Wilson ou Lana del Rey.

Por mais que os jovens amem e se dediquem a seriados de televisão e ao conteúdo oferecido pela Netflix, por exemplo, eles não possuem cem por cento de identificação com os personagens e as histórias, uma vez que é tudo muito estilizado, com roteiros romantizados e pouco humor verdadeiro. Nenhum programa chegou perto do que Girls In The House fez: trazer a cultura POP e abordar gírias e bordões nascidos e ambientados na internet para as falas dos personagens, sempre adaptando as histórias ao gosto dos fãs. 

Se pararmos para analisar e comparar com a Teoria da Cauda Longa, os assuntos abordados, as referências, as celebridades inseridas nas tramas são de nichos muito específicos, direcionadas para um público que se identifica com o conteúdo apresentado.

O próprio criador disse em entrevista a Revista Galileu:

Eu acho que é importante fazer uma história em que os personagens sejam como todos nós. Falta um pouco disso nos personagens de séries em geral. Escrevo as falas de forma livre e espontânea e procuro falar a língua das coisas da nossa realidade, coisas que vivemos. Então, me sinto honrado em ter o público LGBT comigo! A série é pensada para eles também.”

Estamos em plena Cultura de Convergência.

“A convergência ocorre dentro dos cérebros dos consumidores individuais e em suas interações sociais com outros. Cada um de nós constrói a própria mitologia pessoal, a partir de pedaços e fragmentos de informações extraídos do fluxo midiático e transformados em recursos através dos quais compreendemos nossa vida cotidiana.”

É possível ver um fluxo de conteúdos através de múltiplas plataformas de mídia, Twitter, Facebook, Youtube e Instagram. Isso representa uma transformação cultural, à medida que consumidores são incentivados a procurar novas informações e fazer conexões em meio a conteúdos e plataformas midiáticas dispersas, envolvendo uma transformação tanto na forma de produzir quanto na forma de consumir os meios de comunicação. E esse é exatamente o segredo do sucesso de GITH. Estar presente em todas as redes sociais e interagir com o público constantemente.

Se você se interessou, corre pra se atualizar agora mesmo. Dia 28 estreia a 3ª temporada e, se prepare, porque as garotas da Pensão da Tia Ruiva não estão de brincadeira.

Ah, e quando acabar, faça o quiz: Quem é você em Girls In The House?. Mas se você for como a Duny…

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Leia mais em:

Hoje em Dia
Portal Lit Pop
Revista Galileu

Texto: Alessandra Santarosa
Capa: Amanda Pacheco

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