Nerve: você é um observador ou um jogador?

Bem vindo ao Nerve, um jogo semelhante a “verdade ou consequência”, mas sem a “verdade”. Os observadores pagam para assistir, os jogadores jogam para ganhar dinheiro e glória. Você é um observador ou um jogador?

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Nerve: um jogo sem regras  é um filme que se passa no ano de 2020 e conta a história de Vee (Emma Roberts), uma menina tímida que se sente pressionada a se desafiar e Ian (Dave Franco), um dos melhores jogadores de Nerve.

Após seu lançamento, Nerve se torna febre entre os jovens, provocando seus jogadores com tarefas cada vez mais loucas, a fim de receberem mais status. Vee decide fazer uma conta no jogo para provar que não é só mais uma observadora e, a partir daí, as coisas saem do controle.

O filme é inspirado em um livro com o mesmo nome, da autora Jeanne Ryan. E possui como diretores Henry Joost e Ariel Schulman, conhecido por dirigir filmes como atividade paranormal 3 e 4 e a série da MTV: Catfish.

Nerve possui uma abordagem diferenciada, relacionando o real com o virtual. O posicionamento da câmera muitas vezes nos faz imergir no ambiente do filme. Um exemplo disso é a cena que mostra uma chamada de vídeo pelo Skype, quando somos capazes de ver a cena de dentro do computador da personagem.

Durante os desafios, os jogadores precisam filmar o que fazem e podemos visualizar o desafio pela câmera do celular do jogador, o que transforma em observadores quem assiste o filme.

Há ocasiões onde cenas de outros filmes, como Matrix  ou Jogos Vorazes são utilizadas para ajudar em algumas explicações.

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Nerve da vida real

O jogo trabalha com o desejo que seus jogadores possuem em ganhar cada vez mais status, sem pensar nas consequências de seus atos. A partir do momento em que você escolher ser um jogador, o jogo possui acesso a todas as suas informações, desde seu primeiro contato com a internet até sua conta bancária.

Durante o filme somos apresentados a dados referentes a internet, como o fato de que só temos acesso a uma pequena parcela da mesma, o restante se encontra na chamada Deep Web. Muito utilizada durante o filme, tanto por pessoas que acessam, como pelo jogo para coletar informações de seus usuários.

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É evidente a falta de privacidade na internet que o filme apresenta e nós nem percebemos que a nossa realidade não está longe disso. Cada vez mais temos pessoas se preocupando com a quantidade de curtidas que recebem ou seguidores que possuem, não medindo esforços para alcançar a fama nas redes sociais.

Ainda existem os famosos “termos de uso”, que ninguém lê, contendo informações importantes, no qual demonstram quais são os dados que estamos cedendo para utilizar certos serviços, muitas vezes pedindo acesso aos nossos dados pessoais e nós simplesmente aceitamos. Para saber mais, assista o documentário Terms and Condition May Apply , no qual esse tema é amplamente abordado.

O filme também é muito semelhante a um dos episódios da serie Black Mirror (EP2-T2), que nos leva a um futuro onde existem os observadores, os caçadores e as pessoas que são imunes aos efeitos da tecnologia. Essas pessoas são perseguidas pelos caçadores e os observadores somente gravam essa perseguição com seus celulares.

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Black Mirror (EP2-T2)

A série trabalha justamente com a tecnologia, fazendo grande crítica a má utilização dela, além da forma que os indivíduos consomem e vivem com os avanços tecnológicos fazendo alusão à Cultura de Convergência, que lida diretamente com a maneira que consumimos os conteúdos midiáticos por diversas plataformas. No artigo “Não somos um gadget nem uma rede social”, Felipe Tessarolo aborda mais sobre essa relação entre o homem e a tecnologia.

Fazendo uma relação da série Black Mirror com o filme Nerve, o que acontece é o mesmo: os observadores, somente preocupados em gravar o que está acontecendo. No caso da série, a caçada e do filme, os desafios de cada jogador. Ambos sempre correndo atrás de mais adrenalina e fama.

Trazendo essa relação para a vida real, temos os observadores como os famosos “Haters”, que se escondem atrás de seus perfis, muitas vezes fakes, para praticar o bullying virtual. Figuras pública são os mais atingidos por esse tipo de pessoa. No vídeo abaixo, temos exemplos de artistas como Tom Hanks, Jennifer Garner e Benedict Cumberbatch lendo e comentando Tweets de alguns de seus Haters.

E na vida real também existem os jogadores, como os usuários das redes sociais que buscam a fama, não medindo esforços para que isso aconteça. Como exemplo, temos o caso Marina Joyce que repercutiu pelo mundo com a hashtag #savemarinajoyce, no qual seus fãs, após avaliarem alguns vídeos da Youtuber, detectaram supostos pedidos de ajuda e vários hematomas pelo corpo de Marina. Com isso, seus seguidores entraram em desespero sob a teoria de que a garota estava sendo mantida em carcere privado e sofrendo agressões.

A polícia foi acionada e o mundo todo ficou apreensivo com o que poderia acontecer. Porém, após investigação na casa da menina, foi relatado que estava tudo bem. A suspeita é de que Marina sofre de problemas psicológicos e que todas as pistas que os fãs encontraram em seus vídeos foram inventadas por ela, para chamar atenção e posteriormente ganhar fama.

Nerve na mídia

Além do trailer que repercutiu na internet, o filme marcou presença nas redes sociais com a hashtag #WatcherOrPlayer.

Para a divulgação de Nerve, sua página oficial no facebook optou por desafiar seu público, levando-os a viverem as experiências que presenciariam na tela. Claro que os desafios não foram tão radicais como os do próprio filme, né? Alguns exemplos foram: fazer massagem em um desconhecido, ou simular uma viagem no tempo bem sucedida.

 

Além de desafiar o público, Nerve desafiou Youtubers brasileiros e diferente dos outros desafios, esses foram um pouco mais difíceis.


Não foi só o facebook que apareceu com propostas inusitadas. Nerve ainda disponibilizou um site para criação de pôsters personalizados inspirados no filme, onde o usuário pode escolher uma foto sua para ter no pôster.

O spotify tambem não ficou de fora. Além de marcar presença em muitas cenas, foi produzida uma playlist para o filme.

O que poucos sabem é que realmente existe um aplicativo Nerve, disponível para android e IOS. O site direciona os usuários para baixa-lo, além de ter alguns desafios que jogadores gringos realizaram. O único problema é que não é possível ser um jogador, somente observar os desafios realizados por outros usuários.

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Emma Roberts, Dave Franco e os diretores do filme ainda participaram de uma entrevista para comentar o trabalho realizado, além de expor suas opiniões sobre o tema abordado em Nerve.

Após ler esse texto, avalie suas redes sociais, aquilo que você compartilha, o conteúdo que você consome diariamente na internet e responda a pergunta: Você é um observador ou um jogador?

Texto: Natália Souza
Capa: Felippe Ferreira

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