Desculpe o transtorno, precisamos falar de suicídio.

A Cibercultura e a visibilidade dos tabus

Nos últimos tempos, tem crescido no Brasil a tendência de se discutir assuntos que por muito tempo foram considerado tabus (#finalmente!). O empoderamento feminino, a fluidez de gênero e a igualdade racial são alguns exemplos de questões que estão ganhando visibilidade, principalmente entre os jovens.

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Podemos, em parte, destacar a influência da cibercultura e da liberdade que as mídias sociais proporcionam, possibilitando a criação e o compartilhamento de conteúdos que estão fora do mainstream. Com isso, diversos outros temas polêmicos puderam ser trazidos à luz para conscientizar e melhorar nosso convívio em sociedade. 

Uma das consequências dessa corrente de visibilidade e empoderamento de temas pôde ser observada ao logo do mês de setembro, principalmente nas redes sociais. Sim, estamos falando sobre o suicídio e a campanha do Setembro Amarelo.

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Setembro Amarelo

O buzz se deu por conta de um movimento, que já vem acontecendo ao redor do mundo, denominado Setembro Amarelo.  Assim como o Outubro Rosa e o Novembro Azul, o 9º mês do ano foi escolhido para conscientizar e divulgar uma causa de extrema importância  para a saúde da população, mas pouco conhecida.

Mas o suicídio é um tema delicado. Doenças como o câncer são capazes de gerar comoção e o indivíduo luta de todas as formas para evitar a morte. Já a depressão (principal causa do suicídio) é subestimada e ignorada, muitas vezes tratada como “frescura”, o que acaba levando ao suicídio como tentativa de dar fim aquele sofrimento.

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Além disso, em diferentes religiões o suicídio é visto como um pecado grave: para o Islamismo ele é considerado o pior pecado; segundo a teologia judaica o suicida não pode ser enterrado como qualquer pessoa, ele é sepultado nas margens do cemitério e para os católicos, durante muito tempo, o suicida era enterrado fora dos muros do cemitério.

Apenas a partir do século 17 e 18 que os médicos passaram a relacionar o suicídio à problemas de saúde, sendo que apenas a partir de 1900 que se consolidou o tema como um problema de saúde pública. Émile Durkheim compreendeu o suicídio como um ato intencional na qual a vítima age com objetivo de provocar sua própria morte. Mas, para além de ser um ato individual, o sociólogo francês  identificou o ato como um fenômeno social.

Trata-se de uma questão que envolve diversos fatores emocionais, sociais e psicológicos e que está muito mais perto do que imaginamos. Uma doença silenciosa, com sintomas que exigem atenção e cuidado especiais para serem detectados e que já mata mais jovens do que o HIV em todo o mundo.

Setembro foi escolhido como o mês de Prevenção ao Suicídio. Devido a sua gravidade e números crescentes, o tema foi trazido pelo CVV (Centro de Valorização da Vida), CFM (Conselho Federal de Medicina) e ABP (Associação Brasileira de Psiquiatria) em 2014 ao Brasil.

A doença

O suicídio pode ser definido como um ato intencionalmente executado pelo próprio indivíduo, cuja a intenção seja a morte, de forma consciente, usando um meio que ele acredita ser letal. Também fazem parte do que habitualmente chamamos de comportamento suicida: os pensamentos, planos ou tentativas de suicídio. 

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É a  consequência final de um processo e uma série de razões que se acumulam na vida de uma pessoa, não podendo ser considerado casual ou causado por simples acontecimentos isolados da vida do sujeito.

Por que precisamos falar sobre a morte

No século 20, a morte foi retirada do cotidiano e se tornou um dos grandes tabus dessa geração. A sociedade preferiu se poupar de entendê-la e as famílias das vítimas de suicídio se tornaram culpadas, de maneira que o luto tivesse se tornado algo vergonhoso.

Um século depois, o tema tem se desenvolvido, mas ainda não é entendido como deveria.  Novas abordagens têm aparecido e mais conteúdos começaram a surgir. As redes sociais os compartilhamentos tornaram a internet um “endereço dos próximos velórios.”

Os pêsames das famílias começaram a ser compartilhados virtualmente e, com isso, a morte foi deixando de ser um assunto proibido e passou a se tornar um tema aberto e que precisa ser entendido da maneira correta.

Os números impactantes

De acordo com o CVV:

“Um problema de saúde pública que vive atualmente a situação do tabu e do aumento de suas vítimas é o suicídio. Pelos números oficiais, são 32 brasileiros mortos por dia, taxa superior às vítimas da AIDS e da maioria dos tipos de câncer. Tem sido um mal silencioso, pois as pessoas fogem do assunto e, por medo ou desconhecimento, não vêem os sinais de que uma pessoa próxima está com ideias suicidas.”  

Embora esses números sejam alarmantes, de acordo com a Organização Mundial de Saúde, 9 em cada 10 casos poderiam ser prevenidos caso a população tivesse conhecimento sobre o assunto. Para tentar reverter esse quadro, o Centro de Valorização da Vida criou a Campanha Nacional de Prevenção ao Suicídio para conscientizar a população sobre o tema. 

A Campanha Nacional de Prevenção ao Suicídio

Com o lema “Falar é a melhor solução”, a 3ª edição do “Setembro Amarelo” contou com uma campanha realizada em todo o Brasil em que diversas instituições aderiram à campanha através da cor amarela, que foi exposta por meio de iluminação, faixas, fitas e panos estampados em fachadas de casas e prédios.  

Pontos turísticos e monumentos importantes de várias cidades brasileiras ganharam a cor que leva o nome do movimento, como o Cristo Redentor, o Congresso Nacional, a ponte Anita Garibaldi, entre outros.

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Gordinhas de Ondina – Salvador – BA
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Cristo Rendedor – Rio de Janeiro – RJ

 

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Estádio Beira Rio – Porto Alegre – RS
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Ponte Anita Garibaldi – Laguna – SC

 

Visibilidade nas redes sociais

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Mais uma vez nosso agradecimento à Cibercultura, que torna cada vez mais comum o desenvolvimento rápido de campanhas como esta, por conta da comunicação mais simples e flexível. Além disso, o engajamento cresceu significativamente, pois as pessoas se sentem cada vez mais parte de um grupo e conseguem difundir e discutir um tema com muito mais abertura.

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Numa rápida procura pelo Facebook, é possível encontrar diversos grupos e eventos a respeito do tema, além de páginas discutindo textos e imagens sobre o assunto, contribuindo para o crescimento da visibilidade do projeto no Brasil inteiro.

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Projeto Universos

 

É importante lembrar também que, dia 10 de Setembro, foi comemorado o  Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio.Com isso, a página do Setembro Amarelo promoveu uma pequena mobilização aos adeptos da campanha, pedindo para que as pessoas acendessem uma vela na janela de suas casas, em sinal de respeito a quem cometeu suicídio e às pessoas que vivem angustiadas pensando sobre isso.

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É necessário que toda a população se conscientize e se sensibilize de que a primeira forma de prevenir o suicídio é não ter receio de falar sobre o assunto, como o próprio lema da campanha afirma.

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É importante que o tema continue sendo difundido em todo o país. Para isso, o CVV e o Conselho Federal de Medicina disponibilizaram canais de ajuda para pessoas que conhecem alguém passando por problemas semelhantes, ou para os próprios pacientes que precisam de ajuda. O centro oferece apoio online no site http://www.cvv.org.br/, pelo telefone 141, via Skype (acesso pelo site), ou e-mail (mensagem enviada também pelo site).

Em todos os canais, o atendimento é feito por voluntários treinados e a conversa é anônima, com sigilo completo sobre tudo que for dito. Nós apoiamos essa ideia, e você? ❤

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Projeto Universos & Life on a Draw

Capa: Felippe Ferreira

Leia Mais:
Site do CVV
Cartilha de Prevenção ao Suicídio
Especial A Gazeta: A presença da Ausência.

 

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