Os Animaizíneos na Internet

Gatos. Cachorros. Papagaios. Elefantes. Preguiças. A internet foi invadida pela bicharada. E se você for como nós, sabe que não dá pra resistir à tanta fofura!

As pessoas gostam do que é fofo e do que é engraçado. Não é à toa que há alguns anos eram os bebês que tomavam a cena. Agora, os “animaizíneos” chegaram para ficar, tendo centenas de páginas, gifs e memes em sua homenagem.

Uma pesquisa recente revelou que nove a cada dez pessoas afirmam que seus sentimentos pelos animais domésticos são semelhantes aos que nutrem pelas pessoas próximas. “Com frequência, um homem é mais próximo de um gato ou de um cachorro do que de qualquer outro ser humano”, disse o filósofo americano Henry David Thoreau que passou boa parte da sua vida estudando a relação entre humanos e animais.

Isso é bem óbvio pra gente que faz escândalo quando vê cachorro na rua e foge dos semi conhecidos, não é mesmo?

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Quem é essa louca gritando pra mim?

Mas isso sempre aconteceu?

Uma história de amor

Da metade do século XX para cá, os animais tornaram-se parte da família. O aumento da renda da população aliado à verticalização das cidades, foram responsáveis pela “mudança cultural” que trouxe os “pets” para a sala dos apartamentos. Da proximidade física para a proximidade emocional foi um pulo – se é um pulo de gato ou de cachorro, isso depende do gosto das pessoas.

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Mas por que gostamos tanto de bichinhos? A resposta é…

Biologia!

Uma matéria publicada da Revista Época nos deu uma ideia de como funciona esse amor que não é apenas social, mas também biológico:

Um grupo de pesquisadores liderados pelo neurobiólogo americano Florian Mormann, do Instituto de Tecnologia da Califórnia, monitoraram as ondas cerebrais de um grupo de voluntários enquanto estes observavam imagens variadas de pessoas, animais e paisagens. Perceberam que a amígdala, uma estrutura do cérebro associada ao processamento de emoções, era a que mais reagia quando os voluntários eram expostos às imagens de animais. A atividade elétrica, ademais, estava concentrada numa região específica da amígdala, localizada no lado direito do cérebro. Ali costumam ser armazenados informações e estímulos biologicamente importantes para nós. Seria um indício, ainda a ser confirmado, de que nosso cérebro teria uma especialização funcional para lidar com os animais.

Em 2007, pesquisadores das universidades Harvard e Yale, também nos EUA, chegaram a conclusão semelhante ao testar a velocidade em que as pessoas detectam movimentos de animais, humanos e objetos. As figuras campeãs em sensibilidade aos olhos humanos foram de pessoas e de animais.

Além disso, uma experiência realizada por um grupo de cientistas japoneses reuniu outros indícios de que a relação entre humanos e cães é realmente semelhante à existente entre pessoas – inclusive, de uma maneira química  A descoberta não prova que os cães se comportam como nossos filhos – mas sugere que nós, emocionalmente, os percebemos assim.

– Revista Época

A bicharada na internet

Gostando ou não, os animais já receberam status de integrantes da família. Não tem como negar. Não acredita? Abra seu feed do Facebook e role sua dashboard por dez minutos. Logo surgirá na sua frente amigos e parentes compartilhando fotos, memes, gifs e vídeos de cachorros, gatos e de muitos outros animais.

As fotos do cachorro disputam espaço com as do bebê. As declarações de amor aos animais se sucedem em cascata. Vídeos que capturam a fofurice de cãezinhos e as proezas de bichanos – já viram os gatos cantores? – são campeões absolutos de audiência.

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Esse processo deve-se ao fenômeno denominado pelo sociólogo Henry Jenkins como Cultura Participativa. Como ela funciona? Desde o surgimento e a popularização da internet em nossa sociedade contemporânea, os indivíduos se distanciam cada vez mais do papel de receptores passivos e passam a produzir conhecimento, disseminar informações e ideias, tornando assim, o compartilhamento de informações  uma realidade recorrente.

O Buzzfeed possui mais de vinte listas sobre curiosidades e cenas engraçadinhas de animais. As pessoas dedicam seu tempo à criação de memes e conversas ficcionais entre humanos e cães. É uma quantidade infinita de conteúdo criado.

Você já parou para pensar o que seu cachorro diria se tivesse Whatsapp? Bom, teve gente que já. E o resultado é hilário.

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E se você não acha que seu cachorro te faz de trouxa, você não está prestando atenção o suficiente.

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E um dos memes mais famosos da internet também virou lista do Buzzfeed: A foto de um gato sendo entrevistado que gerou as melhores legendas.

Para Jenkins, todos acreditam na relevância da sua contribuição. O ambiente da Internet é favorável para a ampliação da interação social, como um espaço de criação colaborativa de conteúdo.

E o melhor de tudo: sabe quem cria esse conteúdo? Ninguém. E todo mundo. Todos contribuem e ninguém sai perdendo – além de tempo, claro. Não vai dizer que você também não perdeu tempo assistindo a vários vídeos de animais fofinhos que aparecem na sua timeline? Ou que você nunca assistiu o vídeo desse burrinho balançando na rede?


Produtos e mais produtos para bichinhos

 A estimativa é que os brasileiros sejam donos de 101 milhões de animais domésticos. É basicamente um animal para cada duas pessoas no país. Em média, são gastos 400 reais mensais em cuidados com pets.

A oferta de produtos e serviços para os bichos de estimação chega a movimentar no mercado R$ 12,5 bilhões por ano no país. Há de padaria a manicure especializada, passando por personal walker de cães.

Você pode adquirir camas personalizadas, ração integral e natural e até tingir o rabo do seu pet, É um amor desmedido, sem dúvida.

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Doguinhos fitness? Tem também!

Existe até agência de turismo de luxo para animais, que busca no mundo todos hotéis pet-friendly.

Pet-friendly, em uma tradução livre, “amigável para animais”, é um novo selo que está sendo aderido no mundo todo. Estabelecimentos, shoppings, hotéis e locais públicos o utilizam para sinalizar que sim, seu anilmazinho é bem-vindo ali. Ou seja, cada vez mais podemos tirar nossos bichinhos de casa e levá-los para onde quisermos. Imagina levar pra balada, gente?

De acordo com a Teoria da Cauda Longa, desenvolvida pelo jornalista americano, Chris Anderson, isso acontece porque a evolução do mercado consumidor tem criado segmentações cada vez mais pronunciadas com relação a produtos, e principalmente serviços, de modo a satisfazer os vários graus de exigência do consumidor.

Anderson diz que, hoje em dia, as pessoas gravitam em torno de nichos porque eles satisfazem necessidades e interesses distintos, agradando cada vez mais consumidores e seus gostos específicos. ”Quando consumidores possuem escolhas infinitas, a verdadeira demanda se revela.”

– Para entender completamente a Teoria da Cauda Longa, confira nosso texto sobre a Música Como Plataforma da Diversidade de Gênero.

Ou seja, se tem gente comprando, tem gente ofertando!

Doguinhos digitais influencers

Mais do que uma maior oferta de produtos para animais, agora cresceu a oferta de perfis de animais também. Catioros e gatíneos famosíssimos ao ponto de serem digital influencers!

É isso mesmo que você leu: catioros que são mais famosos do que seres humanos. E que até oferecem cupom de desconto para seus seguidores comprarem nas lojas famosinhas.

Forte exemplo é o catioríneo spítz alemão (ou Lulu da Pomerânia), Boo. Também conhecido como “o cachorro mais fofo do mundo”, Boo tem mais de 17 milhões de seguidores no Facebook, dois livros publicados e já conheceu diversas celebridades. O que ele faz para conseguir tudo isso? É fofo!

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Bella, a Samoieda (@bella.samoieda), é uma cadelinha que é bem popular no Facebook, com mais de 72 mil curtidas. Sua fama se deve ao vídeo viral em que mostra ela pedindo desculpas para uma moça e,enquanto leva uma bronca, ela deita no chão, rola e choraminga, abraça e até beija para tentar conseguir o perdão.


Fazendo mais publicidade do que estrelas pops está
Momo, o catioro de @andrewknapp que já estrelou campanhas da Canon, Starbucks, Motorola, Volvo e Hewlett-Packard. Momo é famosíssimo, tendo mais de meio milhão de seguidores e insta verificado. Sua fama aconteceu porque Andrew costuma fazer fotos do Border Collie escondido na cena com a hashtag #findmomo. Bem estilo “Onde Está O Wally?”. A série de fotografias fez tanto sucesso que virou best-seller do New York Times não só uma, mas duas vezes e está no processo de se tornar um livro infantil. As fotos são lindas!!!

Mais perto de nós, aqui no Brasil, existem muitos doguinhos digitais influencers! A Lista começa com Jade (Sinistra), a poodle idosa da snapchateira @thaynaraOG que. seguindo a onda de sua dona, vive ganhando coisas grátis e fazendo públicidade das marcas presenteadoras. É surra de fama, minha gente. Kiu!

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Com 109 mil seguidores, Budapeste (@budapeste.oficial) é o cachorro da blogueira fitness Gabriela Pugliesi. O dog e seus irmãozinhos chihuahuas, Nutella, Vanilla e Café, fazem merchan, ganham camas, comida e acessórios e posam bem gracinha pro Insta!

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E assim segue a lista da bicharada famosinha. No perfil de Iron e Cindy (@ironbernese) tem cupom de desconto para seus seguidores comprarem nas lojas Zee Dog e Pet Fun. Vilma Tereza (@vilmaterezaa) é a pug da youtuber Kefera, que tem até fã clube e apareceu no filme dela, “É Fada!”. É famosíssima. E aqui de Vitória, temos o Goldinho Oliver (@goldinhooliver), lindão que faz sucesso com suas travessuras e brincadeiras nos encontros de pets da cidade. Ah, ele tem até Snapchat!

Gatíneos Famosinhos

Mudando para os gatíneos, a não-tão-simpática Grumpy Cat também conquistou a internet, mas dessa vez com sua cara mal-humorada que representa todos nós na segunda-feira de manhã.

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Seu nome verdadeiro é Tardar Sauce e seu rostinho é assim devido à uma disfunção em seu maxilar e ao nanismo que ocorre em felinos porque, na verdade, ela é uma fofinha. Sua fama alcançou o nível mundial, o que a levou a diversos programas de televisão americanos, a participar de um filme e até de um  programa da Disney, “Bizaardvark”.

A sua marca “Grumpy Cat” é licenciada e vende camisetas, canecas, almofadas, etc. o que levou seus donos a ganharam valores acima de 6 dígitos! Há também o jogo Grumpy Cat: Unimpressed, disponível para iOS, Android e no Facebook. O conteúdo do jogo? Conforme você for passando de nível receberá cada vez mais insultos e caras feias de Grumpy. Genial!

E se você é fã da página do Facebook “Humans of New York”, você precisa conferir a versão felina desse conteúdo. “Felines of New York”, que já até até livro, traz depoimentos de gatíneos que moram na prestigiada cidade americana e que aproveitam cada segundo disso.

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Não importa se é gato, cachorro, papagaio. Não importa a raça, ou se ele faz bagunça pela casa toda, não tem como negar que AMAMOS nossos bichinhos e vamos defendê-los. E se eles sujarem tudo de terra, vamos chorar? Vamos. Mas também vamos postar nas redes sociais.

Ficou com vontade de ter um desses? A gente também!

Agora, se nos dão  licença, nós vamos ali rapidinho assistir no repeat esse vídeo de preguicinhas tomando banho porque não tem nada mais fofo para hoje ♥

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Texto: Alessandra Santarosa
Capa: Felippe Ferreira

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