Marvel: um case de sucesso

Que a Marvel se tornou referência quando o assunto é super-heróis, isso não podemos negar. Desde que entrou para indústria cinematográfica, ela se destacou por apresentar personagens que anteriormente eram conhecidos somente nos quadrinhos e que hoje viraram febre, reunindo fãs em todo o mundo e se tornando uma verdadeira potência do cinema.  Mas a questão é: como a empresa conseguiu todo esse sucesso?

A Marvel Entertainment, inicialmente chamada de Timely Comics, foi criada na década de 30, por Martin Goordman. Sua primeira publicação oficial aconteceu em 1939, possuindo somente dois heróis em seu catálogo: o Tocha Humana e o vilão Namor. Apesar de não ter um começo muito bom, devido às consequências da Segunda Guerra Mundial, no final da década de 50, com o auxílio do escritor e produtor Stan Lee, a Marvel ganhou reconhecimento através de HQs como Quarteto Fantástico, Hulk, Demolidor, entre outros.

A partir daí suas histórias e heróis se aproximavam mais da realidade, acontecendo em lugares reais, como Nova York, e seus heróis possuindo uma vida normal, com trabalho e problemas pessoais, o que possibilitou que seu público se identificasse com seus personagens. Até que em 1996 a empresa faliu, e a solução encontrada foi vender os direitos de alguns dos seus personagens, como Blade, Homem-Aranha, X-Men e Quarteto Fantástico.

Para saber mais sobre a história da empresa, assista ao vídeo do canal Nostalgia sobre a Marvel. 

Marvel e a Cauda Longa

Anos atrás, o gênero de super-heróis não era tão abordado no cinema e ninguém imaginaria que um dia faria tanto sucesso. Por muito tempo, histórias de terror, policial e faroeste eram priorizadas pela indústria cinematográfica e pelo público.

Por se tratar de um mercado de nicho, o tema nem sempre era uma opção na hora de escolher o que iria ser produzido. Com a chegada da Marvel no cinema e a escolha de colocar em prática o que a teoria da Convergência prega, as coisas mudaram.

A Teoria da Convergência diz respeito à forma com que nos relacionamos e consumimos os conteúdos midiáticos. Com a escolha de construir um universo compartilhado, a Marvel trabalhou justamente isso, oferecendo meios diferentes de atingir seu público, conectando o cinema com os demais conteúdos e criando uma rede de ligações em seu universo que só tende a crescer e se tornar mais rica em informações.

Como dito anteriormente, trabalhar com mercado de nicho nem sempre é a opção de algumas empresas, mas de acordo com a Cauda Longa isso está mudando. Essa teoria diz respeito à mudança de mercado de Hits (massa) para o mercado de nicho, e é o que está acontecendo atualmente com a Marvel.

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Podemos dizer que com a proporção e o sucesso que seus filmes fizeram, eles saíram do nicho e se transformaram em algo voltado para massa. Porém, com a chegada de Homem-Formiga, por exemplo, as coisas mudaram de rumo mais uma vez. Abordar um herói pouco conhecido, até mesmo pelo público-alvo da empresa, abriu mais espaço para os nichos, que só tendem a se segmentar ainda mais.

A Marvel se transformou nessa potência que vemos hoje devido ao fato de que todos seus conteúdos se unem; isso só tende a crescer, pois a cada novo lançamento seu universo cinematográfico se torna ainda mais completo.

Universo Cinematográfico Marvel (UCM)

É importante frisar que a Marvel Entertainment, possui várias subdivisões e algumas delas são: a Marvel Comics, responsável pela publicação dos quadrinhos, Marvel Studios, estúdio de televisão e cinema e a Marvel Television, responsável pelos programas de televisão.

Em 2008, a Marvel começou a produzir seus próprios filmes através da Marvel Studios, sendo a primeira a planejar um universo compartilhado entre seus heróis, no qual as adaptações cinematográficas dos quadrinhos se entrelaçam tornando-se igualmente importantes para todo o universo Marvel. Foi graças a isso que a empresa se destacou, relacionar todas as suas tramas instigou seu público a consumir todos os seus conteúdos, tendo uma experiência diferente a cada adaptação lançada.

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Ao fim de cada adaptação sempre existe uma cena pós-créditos, o que acabou se tornando uma marca dos filmes da Marvel. Estas possuem pistas sobre os próximos filmes que serão lançados e de acontecimentos que virão ocorrer nas demais fases, auxiliando a história a a se manter unida em diferentes filmes e plataformas.

O Universo cinematográfico foi dividido em fases, tendo começado em 2008 com a fase 1 e possuindo filmes anunciados até 2019, fase 3.

  •         Fase 1

– A primeira fase se inicia com o filme do Homem de Ferro (2008), responsável por introduzir o que seria feito no universo cinematográfico e oferecer citações que se tornariam importantes no decorrer da história.

– Seguido de O Incrível Hulk (2008), filme em que aconteceu a primeira conexão entre dois heróis desse universo, por meio da cena pós-créditos.

Homem de Ferro 2 (2010), ampliando o universo já estabelecido, apresentando novos personagens que viriam a ser essenciais na história.

Thor (2011), abordando algo fora da realidade apresentada em Homem de Ferro e O Incrível Hulk, se tratando de outras mitologias, além de apresentar o vilão Loki, que se tornaria um dos vilões mais importantes para o Universo Cinematográfico Marvel (UCM).

Capitão América: O Primeiro Vingador (2011), expandindo mais uma vez o UCM, porém abordando fatos que aconteceram no passado, já que o filme se passa na década de 40. Contendo informações já introduzidas em filmes anteriores e que viriam acrescentar às demais adaptações.

Vingadores (2012): todas as informações e histórias anteriormente apresentadas se unem no filme. Desde o lançamento de Homem de Ferro, em 2008, a ideia da iniciativa Vingadores vinha sendo construída. Nos demais filmes eram deixadas pistas do que estaria por vir. A adaptação foi a realização de um crossover entre os heróis para enfrentar uma ameaça maior, no caso o vilão Loki, já apresentado em um filme anterior (Thor). No ano seguinte foi lançada a série Agents of SHIELD, criada para servir de ponte entre os filmes da Marvel, falaremos sobre ela mais adiante.

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Devido a conexão de seu universo, existem várias formas de assistir os filmes da Marvel, por exemplo, respeitando a ordem de lançamento e seguindo a cronologia dos fatos, no qual é possível ver o quanto cada filme se completa.

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  •         Fase 2

Homem de Ferro 3 (2013)

Thor: O Mundo Sombrio (2013)

Capitão América: O Soldado Invernal (2014)

Guardiões da Galáxia (2014)

Vingadores: Era de Ultron (2015)

Homem- Formiga (2015)

Na segunda fase a Marvel conseguiu se consolidar. Sua intenção de transformar seu universo cinematográfico em um universo compartilhado ia se tornando cada vez mais visível. Seus filmes funcionavam bem sozinhos e, principalmente, juntos. As pontas soltas e histórias pouco trabalhadas na Fase Um foram sendo abordadas mais intimamente na Fase Dois, além de apresentar novos heróis, como em Guardiões da Galáxia, que serão importantes na Fase Três. A segunda fase se encerrou com Homem-Formiga e atualmente estamos na Fase Três, que se iniciou com Capitão América: Guerra Civil. Sempre mantendo o mesmo formato, cada filme se conectando, contendo informações relevantes para todo o universo cinematográfico.

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  •       Fase 3

Capitão América: Guerra Civil (2016)

Doutor Estranho (2016)

Guardiões da Galáxia 2 (2017)

Homem- Aranha (2017)

Thor: Ragnarok (2017)

Pantera Negra (2018)

Vingadores: Guerra infinita – Parte 1 (2018)

Homem-Formiga e a Vespa (2018)

Capitã Marvel (2019)

Vingadores: Guerra infinita – Parte 2 (2019)

A ideia de expandir cada vez mais seu universo se tornou um trabalho árduo, devido à venda dos direitos de alguns de seus personagens anos atrás. Nos quadrinhos, algumas dessas histórias se entrelaçavam com personagens que a Marvel não poderia utilizar no cinema, citando como exemplo, O Quarteto Fantástico (direitos possuídos pela Fox) e Homem-Aranha, do qual a Sony detém os direitos.  

As histórias do Universo Cinematográfico Marvel estão se tornando cada vez mais complexas. Partindo de um simples filme que contava a criação de um herói (Homem de Ferro), dando início a uma narrativa transmidiática que, na Fase Três, vai relatar uma guerra intergalática. A utilização de heróis que possuem seus direitos vendidos é desejo de todo fã da empresa, por permitir que as adaptações cinematográficas sejam mais fiéis aos quadrinhos.

Em 2015, a Marvel fechou um acordo com a Sony para utilizar o Homem-Aranha no seu universo cinematográfico. E foi isso que aconteceu: o herói participou do filme Capitão América: Guerra Civil e possui um filme programado para 2017.

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Outras empresas como a Fox e a DC, vendo o sucesso de mercado que a Marvel alcançou, decidiram seguir a mesma estratégia de criar um universo compartilhado. A Fox, possuidora dos direitos de X-men e Deadpool (que surpreendeu a todos com seu Marketing), está atualmente alinhando seus filmes, anteriormente cheio de furos na história, para conseguir explorar ainda mais esse universo de possibilidades. Já a DC que a tempos não pensou em utilizar essa estratégia, está atualmente no começo da produção de um universo compartilhado, porém seguindo uma linha diferente da Marvel, pois seus filmes e série possuem, cada um, seu universo compartilhado próprio, como exemplo as séries Arrow e The Flash que deram origem ao spin off, DC’s Legend Of Tomorrow.

Séries

O universo cinematográfico Marvel não se restringe somente aos filmes. Séries como Agentes of SHIELD e Agent Carter agem como uma ligação entre as adaptações para o cinema, se aprofundando em fatos que foram abordados superficialmente ou que nem chegaram a ser comentados nos filmes, enriquecendo ainda mais o universo compartilhado.

– Agents of SHIELD

A série trás a história de uma das equipes da SHIELD. A agência secreta do governo, muitas vezes utilizada nos filmes ganhou sua série própria em 2013. Ela dá continuidade ao filme dos Vingadores (2012), se iniciando no ponto que o filme acaba. Contendo atores que participaram dos filmes e sempre citando seus personagens. Ela possui sua própria história, assim como os filmes, que funcionam bem sozinhos.

A série sofre influência dos acontecimentos dos filmes, como o episódio 8 da primeira temporada, que acontece logo após o filme Thor: O Mundo Sombrio (2013) e durante a sessão final da primeira temporada, que antecedem os acontecimentos de Capitão América: O Soldado Invernal (2013)

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Agents of SHIELD já possui 4 temporadas, tratando de assuntos como a HIDRA, outra organização secreta que é apresentada nos filmes e ganha profundidade durante a série e atualmente trata dos Inumanos, que será abordado nos cinemas nos próximos anos.

– Agent Carter

A série Agent Carter segue a linha de Agents of SHIELD, fazendo uma ligação entre os filmes lançados. Ela conta a historia de Peggy Carter, após o desaparecimento de Steve Rogers (Capitão América), com quem se relacionava. Ambientada na década de 40, ela apresenta personagens que são citados nos demais filmes, como Howard Stark, pai de Tony Stark (Homem de Ferro).

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Na sua segunda temporada, no qual abordou a Matéria Zero ou Dimensão Negra, a série fez ligação com o novo filme da Marvel, Doutor Estranho, que será lançado em novembro. Infelizmente Agent Carter foi cancelada, devido a baixa audiência. 😦

Netflix

Além das séries produzidas para TV, a Marvel em parceria com a Netflix, expandiu seu universo também para o streaming, produzindo séries que conversam muito mais entre si do que com o universo cinematográfico inteiro. Claro que temos referências a eventos que aconteceram nos filmes e que de alguma forma impactaram a vida dos protagonistas, tendo como exemplo, a reformulação de Hell’s Kitchen depois da invasão alienígena no filme dos Vingadores.

Demolidor (2015)

Jessica Jones (2015)

Luke Cage (2016)

Punho de Ferro (2017)

Defensores (2017)

As séries adaptadas pela Netflix possuem seu tom próprio, conversando entre si, tratando de assuntos que vão além do tema super-herói, utilizando personagens que geralmente não possuiriam espaço na mídia. Exemplos disso são as séries Demolidor, que possui um protagonista cego e Jessica Jones, na qual o tema “abuso” é amplamente abordado, a série foi muito utilizada como referência na internet para alertar sobre esse assunto.

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A ligação entre cada série acontece por meio de alguns personagens que marcam presença em todas elas, com é o caso da enfermeira Claire Temple, que apareceu primeiro em Demolidor e foi ganhando espaço dentro do universo das séries da Netflix; o próprio Luke Cage que foi inicialmente apresentado em Jessica Jones e logo depois ganhou uma série. Aliás, Luke Cage foi o primeiro herói negro a ganhar sua HQ própria, em 1972, e sua série reflete isso, trazendo um elenco composto, em sua maioria, por negros, abordando temas como o racismo.

O site Omelete criou um mapa interativo da cidade de cada herói, demonstrando o quanto as séries da Netflix possuem uma ligação entre si.

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Assim como o cinema, as séries da Marvel produzidas pela Netflix se unirão em um crossover para formar os Defensores, que também se transformará em uma série em 2017.

Criar um universo cinematográfico, onde cada elemento se conecta e utilizar o auxílio das demais mídias foi uma estratégia genial. A Marvel como pioneira nessa prática se encontra na frente dos demais estúdios e a tendência é que esse universo compartilhado se torne cada vez mais completo, explorando mais os nichos, suprindo a necessidade dessa parcela do mercado.

Texto: Natália Souza
Capa: Bernardo Leal

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