Jornalismo e Blogs de Viagem

Sabe aquela novidade sobre um show incrível na sua cidade que você viu no Facebook? Ou aquela batida de três carros que parou o trânsito te deixou preso num engarrafamento? Pois é.

Essas informações que vemos todos os dias podem ser mostradas em várias plataformas diferentes no mundo inteiro. Seja sobre música, acidente de trânsito, anúncio de empregos, todas elas podem ser vistas pela TV, no jornal escrito, no rádio ou na internet. Existem alguns jornalistas que, devido à crise que vivemos e por outros motivos, exercem mais de uma função nas redações onde trabalham, sendo chamados de multifuncionais. Mas existem aqueles que preferiram se definir muito além de simplesmente em qual plataforma iriam trabalhar.

Cristiana Lobo, por exemplo, é uma jornalista de política da Globo News. Fernanda Gentil é de esportes da Globo. Maju Coutinho é a garota do tempo do Jornal Nacional… elas seguiram um caminho no Jornalismo e, até o momento, preferem continuar nele. Temos também as revistas de Moda, que podem ser usadas como exemplo de uma única vertente do Jornalismo que os estudantes já formados quiseram seguir (temos que citar um dos melhores filmes existentes, O Diabo Veste Prada, como o maior exemplo sobre isso).

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Mas, com o corte de custos e redações menores, a internet veio tomando espaço nos feed de notícias do Facebook, e revistas e jornais impressos são cada vez menos vistos nas mãos das pessoas em um tempo em que as informações passaram a ser grátis e encontradas em questão de segundos.

Já chegamos ao ponto de ouvir que “o jornalismo impresso está acabando”, será? Bom, a verdade é que esse setor da comunicação está passando por uma grande reformulação, jornais impressos estão sendo fechados, revistas estão mudando de editora, tem muita coisa acontecendo por aí.

No início do nosso século, as novas tecnologias de informação alteraram os processos de comunicação, produção, criação e circulação de bens e serviços. Daí, com a rapidez que as novas tecnologias de comunicação se desenvolveram (tão rápido quanto o Flash, provavelmente), ficou fácil pra qualquer um, de qualquer lugar no mundo, criar uma nova plataforma de acesso a todos esses sites. Por exemplo, muitas pessoas viram que youtubers e blogueiros estão se tornando cada vez mais comuns (temos a Kéfera e a Camila Coutinho como referências nesse caso).

A gente sabe que, uma vez na rede, quase sempre não se consegue voltar atrás. Na internet, a permanência de notícias é totalmente ilimitada, o que favorece o leitor se ele quiser entrar numa mesma página várias vezes por qualquer dispositivo (celular, notebook) e em qualquer lugar que estiver.

Para trazer mais conforto e proximidade aos leitores, com o surgimento da internet, foram criados os websites, que são as páginas que acessamos para procurar notícias, ver vídeos ou até mesmo procurar por receitas de bolo de cenoura com cobertura de chocolate.

E aí, buscando aproximação com os leitores via internet de um modo mais fácil, espontâneo e simples de conversar, os jornais de grande porte viram o número de curtidas em seus posts crescerem, assim como uma procura maior por suas páginas quando começaram a usar essa fórmula, que tem dado muito certo no meio jornalístico ultimamente.

É com esse jeito de expor uma notícia com um modo mais acessível aos leitores que aparece o termo Cultura Participativa. Jenkins, grande estudioso dos meios de comunicação, entende essa cultura “como um fenômeno no qual há criação e compartilhamento de conteúdos entre os consumidores de mídia, motivados pela crença de que suas contribuições importam para os outros”.

Mas, todos sabemos, há uma perda de espaço da informação jornalística nesse cenário todo, aquela que aborda a política, a economia e o comportamento de forma crítica e factual, dá lugar a uma nova forma de comunicação que sugere ser jornalística, mas é uma construção de entretenimento travestida de jornalismo.

E a lei de Liberação do Pólo da Emissão nada mais é do que a emergência de vozes e discursos, anteriormente reprimidos pela edição da informação pelos mass media”.

Simplificando a história: o jeito que os leitores aprovam (ou não) o post é visto na frequência que a página foi vista, quantidade de curtidas e de comentários que são deixados ali.

É dentro desse universo de YouTube, novos blogueiros e até mesmo viners (eles ainda existem?) que temos as páginas mais interessantes: os blogs de viagem. Incrivelmente, eles são os que mais fazem sucesso não só no Brasil, mas no mundo inteiro, entre quem busca informações sobre algum país específico, seja por curiosidade ou para traçar o roteiro da próxima viagem.

Quem nunca ficou babando em uma propaganda na TV sobre Paris? Ou nas matérias no Jornal Nacional da correspondente Ilze Scamparini em Roma? Ou, falando sobre uma correspondente mais recente, as matérias especiais que a Cecília Malan faz em Londres? Pode atirar a primeira pedra quem nunca ficou de olho em promoção de passagem de avião para o Rio de Janeiro, querendo visitar o Cristo Redentor, ou para fazer uma visita a Gramado, no Rio Grande do Sul (cuidado, não atire de verdade).

Tomados por uma síndrome conhecida como Síndrome de Wanderlust (Wander significa trilhar, vagar, e lust significa desejo), pessoas costumam sempre pesquisar sobre lugares exóticos, aventureiros e que tenham um custo baixo, para que possam sempre visitar mais lugares num curto espaço de tempo. Costumamos ver alguns amigos comentando “sofrendo da Síndrome de Wanderlust” porque não aguentam mais ficar em casa assistindo uma série qualquer no Netflix, enquanto a vida passa diante deles.

Sendo assim, se você sofre dessa tal Síndrome, nem que seja um pouquinho, continue lendo o post e aproveite a lista de blogs que vai aparecer a partir de agora. Anote qual te interessa mais, separe um potinho para guardar o dinheiro para viagem e, com a ajuda dos jornalistas que se dedicaram às viagens ao redor do mundo, comece a procurar qual vai ser o seu primeiro destino!

Lugares que Eu Gostaria de Ir: A página do Facebook já ultrapassa dois milhões de curtidas e a cada dia que passa ganha mais seguidores. Podem ser encontrados vídeos e fotos de lugares ao redor do mundo, incluindo o Brasil, e sempre são lugares que encantam, não importa a estação do ano. Também postam matérias de outros sites de viagens sobre promoções de passagens/hospedagens, listas de locais para conhecer, entre outros. Em alguns posts, a página consegue mais de mil curtidas enquanto em outros, não consegue mais de trezentas, mas o que vale é a exposição do lugar, né non?

Jornalismo de ViagemO blog, criado por Laíz Silveira para seu Mestrado em Jornalismo, é bastante conhecido no Brasil. Logo na página inicial, você tem a oportunidade de escolher qual é o seu estilo de viagem: aventura, urbano, rural ou turismo de experiência. Em cada aba você ganha universos diferentes para se arriscar e ficar mais confusa sobre qual vai ser o seu primeiro destino como uma amante de viagens. O blog conta com matérias que a jornalista fez em estados do Nordeste e também nos EUA.

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Preciso Viajar: Com matérias sobre lugares que nunca ouvimos falar (acabei de descobrir que Algarve é uma província tradicional de Portugal!), a autora do Preciso Viajar, Fernanda Souza (ela mesma diz que é “apenas a Fernanda Souza que escreve o blog Preciso Viajar”), produz muitas matérias sobre Portugal, França (sobretudo Paris), Inglaterra e também sobre o Brasil (muitas coisas sobre o Brasil, aliás). Ela fala sobre o que fazer em tal lugar e até mesmo sobre como é voar por tal companhia aérea. Um dos posts dela que me chamou muito a atenção foi o mais recente, que fala sobre os feriados de 2017 (por que será, não é mesmo?).

360meridianosesse blog foi criado de uma forma muito comum, se parar pra pensar: em 2011, os três autores (Lu, Naty e Rafa) estavam cansados da rotina pauleira que eram as oito (ou mais) horas no trampo todos os dias da semana em empresas diferentes de comunicação que trabalhavam. Decidiram ir para um intercâmbio na Índia e, pelas passagens estarem caras, eles decidiram então que seriam, ao invés de um único país, 14 países visitados em 10 meses. Sendo assim, diversas são as matérias que os três (que moram em países diferentes atualmente) já publicaram nesses cinco anos de blog. Eles não se prendem apenas ao tema “viagens”; recentes publicações contam com temas como empreendedorismo, trabalho criativo e, acredite, burocracia!

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Os Lugares: como exemplo de blog, temos também o blog capixaba criado por estudantes de Jornalismo da Faesa como um projeto de extensão na própria faculdade. Patrick Jacob e Rafael Ferraz (que já não participa mais do blog) tiveram a (incrível) ideia de sair viajando por lugares que cabiam nos bolsos de universitários e apresentaram o projeto para a faculdade, que aceitou desde que eles arcassem com os gastos. Sendo assim, os alunos começaram a divulgar suas viagens no blog Os Lugares, que hoje está sob o domínio do Gazeta Online. Patrick ainda é autor no blog e, graças ao Gazeta Online, consegue fazer mais viagens do que podia sozinho e, no mês passado, foi para Miami e Bahamas! O blog conta com dicas e experiências vividas por Patrick e Rafael (só procurar posts mais antigos que você encontra os posts em dupla), além de falar sobre assuntos recentes aqui de Vitória (como a chegada do Uber e como andar de graça nele).

Pé na Estrada: é um outro blog capixaba, dessa vez criado pelo jornalista Altier Moulin em 2008 e recriado em 2011. O autor separa os textos que publica por abas pra deixar tudo mais fácil para o leitor: fala sobre o Brasil, o mundo, as hospedagens, promoções de passagens, notícias em geral sobre os países e, ainda, publica sobre filmes que tenham relação com as histórias de países ao redor do globo! Vale a pena conferir, por exemplo, o post Seis filmes sobre a Bolíviase você se interessar pelo assunto, claro.

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Viaje na ViagemEntre os tantos blogs que achamos no Google, esse é um blog referência em todos eles. Criado pelo jornalista Ricardo Freire no final de 2004, o blog é um dos mais conhecidos e antigos da internet, por isso é uma grande referência para tantos outros recém-nascidos. Ricardo conta com oito parceiros comerciais (entre eles o Submarino Viagens, que é bastante conhecido também) e cinco mulheres (que são jornalistas/publicitárias), além da A Bóia (sim, esse é o nome que consta no próprio blog), que é a responsável por ler todos os comentários e responder com paciência na maioria das vezes. O interessante desse blog é que não fala apenas sobre “cinco coisas que você tem que comer na China” ou “os cinco melhores hotéis de Roma”; o ViajeNaViagem publica matérias sobre a economia dos países e das companhias aéreas (sim!) e o que a política tem a ver com viajar (como a matéria sobre a vitória de Trump nos EUA). O blog conta também com vários modos de se aproximar o leitor dos autores, como as abas chamadas “Comentódromo”, “Perguntódromo”, “Linkódromo” e “Jornal da Bóia”, que têm linguagem bastante informal (como todas as matérias) e costumam ter bastante retorno bom para os autores.

Se algum dia você estiver em busca de informações sobre países, não vá direto ao Wikipédia! Procure por algum blog de viagem. Eles costumam ser beeem mais ricos em informação do que sites de busca rápida desse jeito.

Uma dica que os autores dos blogs dão muito é que, se você quer fazer uma viagem, o que você tem que fazer primeiro, sem sombra de dúvidas, é um planejamento. Veja quanto você tem de dinheiro (por favor, tenha muito para aproveitar bastante), quando é a melhor época do ano para se comprar passagens e reservar hotéis e arrisque-se! Faça o seu passaporte ser como o da jovem de 27 anos que visitou todos os países do mundo: cheio de carimbos e aproveite a vida!

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Ah! Blogs de viagem geralmente aceitam textos dos leitores contando experiências sobre as viagens próprias (inclusive, eles aceitam elogios nos comentários também)!

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