As redes sociais e a “fácil” geração de conteúdo.

Facebook, Instagram, Whatsapp, YouTube, Twitter… recursos tecnológicos de fácil acesso e distribuídas a um número cada vez maior de pessoas. Resultado: qualquer um pode criar conteúdo sem maiores barreiras já que, com apenas um smartphone conectado à internet, um indivíduo consegue produzir e enviar textos, fotos, áudios e vídeos. E de acordo com as interações, o conteúdo pode chegar em todos os cantos do planeta.

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Para Lucia Santaella (SANTAELLA, 2003),  brasileira e uma das principais divulgadoras da semiótica no país, os meios de comunicação de massa e, mais recentemente, os digitais, quebram essas barreiras. Qualquer pessoa pode se tornar praticamente uma estação de TV, um jornal ou uma estação de rádio.

Uma prova disso é que, atualmente, muitas notícias são lançadas por meio de blogueiros. Um exemplo recente foi a morte do ator Domingos Montagner, que chegou ao conhecimento de muitas pessoas, em primeira mão pelo famoso influencer Hugo Gloss.

Outra questão que vale a pena ser considerada é que a internet mudou até mesmo a lógica de consumo, pois acaba com a tradicional limitação dos espaços físicos de uma loja. Mas o que isso quer dizer?

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Exemplo: se você quisesse ouvir uma música há anos atrás, você teria que ir à uma loja de CDs (ou discos de vinil! <3) e procurar algum que lhe agradasse. Chegando lá, na prateleira você veria os cantores mais famosos, ou seja, os hits do momento.

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Se ainda fosse assim hoje, não teríamos acesso ao trabalho de talentos que ainda estão começando a seguir estrada, como por exemplo Raphaella Costa. E tudo isso porque ela, assim como tantos outros artistas, corresponde a um nicho específico.

Mas calma… para nossa alegria(aaaaaa), hoje não é mais assim!

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O meio digital permite que um produto não mais seja apenas armazenado em locais físicos como prateleiras, mas, sim, em bancos de dados que servem como estoques infinitos. Hoje, os produtos são facilmente encontrados graças aos mecanismos de busca na internet, fazendo com que os consumidores encontrem aquilo que procuram com rapidez e facilidade.

Plataformas como Spotify, Soundcloud e Youtube, por exemplo, nos permitem conhecer novos artistas de um jeito muito mais fácil e rápido. Pensando pelo lado da visibilidade: mesmo pertencendo a nichos específicos, através de canais ou playlists na internet, músicos, artistas plásticos, escritores, ilustradores, entre tantos outros talentos, podem expor seus trabalhos para o mundo todo e ganham cada vez mais espaço.

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Já imaginou se todo cantor iniciante tivesse que passar pelo processo de gravar um CD e distribuir para o maior número possível de pessoas até conseguir ser notado? Seria impossível alcançar a mesma quantidade de gente que as plataformas digitais atingem se fosse tudo no boca a boca, né non?

A esse conceito, Chris Anderson (jornalista estadunidense) batizou de Cauda Longa. A teoria tem um conceito estatístico para verificar a distribuição de dados e tem como base a regra 80/20, proposta pelo economista Vilfredo Pareto. O italiano observou que 20% da população de seu país possuía 80% de toda a riqueza. Daí então surgiu a noção de que um pequeno número de coisas gera maior impacto na frequência de evento.

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Na teoria de Chris, o valor total de nichos vendidos é maior ou igual ao valor dos hits. Agora vamos trazer isso para a internet com um exemplo atual: se o YouTube dependesse apenas dos grandes YouTubers, como a Kéfera, o Whindersson ou o Porta dos Fundos, por exemplo, provavelmente não seria uma rede social tão rica. O que mantém boa parte do lucro do site são os milhares de canais menores, que são criados com muito mais frequência.

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Deu para entender?

Segundo Zygmunt Bauman, sociólogo polonês, uma das características da sociedade atual (pós moderna) é a liquidez. Bauman faz alusão ao líquido porque este se molda a todas as formas, ou seja, se adapta a diferentes formatos e mudanças.

Mas por que falar dele agora?

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Porque, como a sociedade se adapta muito fácil às mudanças, é marcada também pela efemeridade das coisas. Uma pessoa que lança um vídeo no YouTube ou um texto em um blog, mesmo que tenha um bom resultado, terá apenas “15 minutos de fama” se não continuar produzindo conteúdos úteis/interessantes.

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Por isso, além de ter uma proposta legal que gere interação com sua “comunidade”, é preciso que esse conteúdo seja contínuo. Outro fator que deve ser levado em conta quando se trata dessa sociedade que muda tão rapidamente, é que as pessoas que buscam bons resultados precisam estar de olho nas novas plataformas que surgem sem parar. Já pensou se uma pessoa era popular em uma comunidade do Orkut e não quis migrar para o facebook?

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Por isso, Roger von Oech, estadunidense que estuda a criatividade, afirma que, quando as novas informações surgem e as circunstâncias mudam, já não é possível resolver os problemas com as mesmas soluções encontradas ontem. Como assim? Ontem, por exemplo, você poderia usar o Word para escrever ou corrigir um texto. Hoje, você tem a opção de usar o Google Docs para a mesma função.

Mesmo as redes não dependendo necessariamente do tempo e do espaço, elas são dinâmicas e sofrem alterações. Um dos motivos para o Facebook existir tão fortemente há tanto tempo é justamente esse dinamismo. Logo que surgiu, era uma rede social completamente diferente. Novidades como comprar o Instagram e criar a ferramenta de lembranças, além de outras manobras bastante criativas, são exemplos desse dinamismo.

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Ainda ficou alguma dúvida? Não se preocupe. Pega uma pipoca e se liga nessa dica ~topíssima~ para entender essa característica da sociedade pós-modernidade. O longa-metragem “Para Roma com Amor”, do diretor Woody Allen, vai te entreter enquanto ilustra bem essa efemeridade que vivemos.

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Referências

FRAGOSO, Tiago de Oliveira. Modernidade líquida e liberdade consumidora: o pensamento crítico de Zygmunt Bauman. Pelotas: Revista Perspectivas Sociais, 2011. Disponível em https://goo.gl/CWoZNx .

SANTAELLA, Lucia. Da cultura das mídias à cibercultura: o advento do pós-humano. Famecos. Porto Alegre, n. 22, dez. 2003.

Texto por: Amarildo Feletti e Raphaela Costa.

Arte da capa: Aline Passos Silva.

 

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