Guardiões da Galáxia – o case de sucesso da Marvel

 E mais uma vez o NCD volta com tema de heróis. Alguém segura a gente!

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Não podemos negar que os heróis se tornaram foco de alguns mercados. O cinema voltou a explorar – mais intimamente – o tema, o que acabou influenciando as demais áreas. A Marvel entertainment, responsável por impulsionar essas produções, foi a primeira empresa a planejar um universos compartilhado entre os heróis da HQ, no qual seus filmes e séries adaptados dos quadrinhos são conectados cada um preenchendo uma lacuna deixada em outra produção. Para saber mais sobre o universo Marvel e como a empresa se tornou essa potência que é hoje, dá uma olhadinha no nosso texto sobre o assunto.

Dessa vez, vamos focar em duas produções específicas da Marvel, os volumes 1 e 2 de Guardiões da Galáxia. Em 2014, quando o universo cinematográfico Marvel estava na segunda fase, foi lançado Guardiões da Galáxia volume 1. O filme veio para levar as produções da empresa para outro patamar.

Se antes a maioria dos filmes eram focados em acontecimentos terrestres (a história do deus nórdico Thor, não faz parte dessa realidade), após Guardiões da Galáxia, o universo foi expandido ainda mais, nos apresentando novos planetas e personagens – que eram desconhecidos para o grande público – que mais adiante seriam importantes para os demais filmes.

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A produção de 2014 traz como personagem principal Peter Quill, autointitulado o Senhor das Estrelas. Basicamente, Peter havia roubado uma esfera de Ronan, um dos vilões do filme, ele então, envia caçadores de recompensa atrás de Peter. Ele e mais quatro foras da lei descobrem que a esfera roubada possui um grande poder e que se caísse em mãos erradas poderia mudar completamente o rumo do universo. Mais tarde, descobrimos que essa esfera é uma das jóias do infinito, objeto importante para o futuro do UCM (universo cinematográfico Marvel). Logo, Peter Quill e os quatro extraterrestres se juntam para proteger a jóia e consequentemente a galáxia.

 

O volume 2 foi lançado no dia 27 de abril deste ano e já levou mais de 1,2 milhões de brasileiros aos cinemas. Atualmente estamos na terceira fase do UCM. O filme traz novamente a equipe que continua a trabalhar para proteger a galáxia. O tema foco do longa é família, e trás o reencontro de Peter com seu pai Ego, que descobrimos ser um celestial (raça extraterrestre muito poderosa, importante para diversos acontecimentos dentro do universo Marvel). Além de aprofundar mais ainda a história dos demais personagens, como a relação das filhas do vilão Thanos, Gamora e sua irmã Nebulosa.

 

 

Guardiões das Teorias da comunicação

Analisando os dois volumes, de acordo com as teorias da comunicação, identificamos a Teoria da Cultura da Convergência, desenvolvida por Henry Jenkins, que aborda a  maneira que consumimos os conteúdos midiático na sociedade contemporânea. A ligação das produções da Marvel, disponível em diferentes meios, trabalha diretamente com isso.

A decisão de utilizar Guardiões da Galáxia para levar a grande história ao cosmos enriqueceu ainda mais o universo cinematográfico, o que abriu portas para novas histórias e a possibilidade de que heróis menos conhecidos sejam adaptados para as telas. E depois disso várias produções sobre os heróis surgiram, como é o caso da animação abaixo, produzida em versão 8 bits.

 

O que nos leva a Teoria da Cauda Longa, que diz respeito a mudança do mercado, que está saindo dos Hits (massa) e indo para os mercados de nichos. Agora, há possibilidade de abordar heróis desconhecidos pelo grande público, um exemplo disso pode ser observado no filme Guardiões da Galáxia Vol. 2, que trouxe vários personagens que foram adaptados para o cinema pela primeira vez. Os mesmos serão abordados mais intimamente nos demais lançamentos, já que alguns deles são importantes para o fechamento de toda história do universo Marvel.

Guardiões das canções

Antes de Guardiões da Galáxia, os filmes da Marvel não possuíam uma trilha sonora marcante. Geralmente, eram utilizadas trilhas simples que acompanhavam o ritmo das cenas – cenas tristes, trilha triste – esse fator nunca foi um ponto relevante para a empresa, até a chegada de Guardiões. O site omelete produziu um vídeo que fala justamente sobre a forma que a Marvel utiliza suas trilhas sonoras.

 

Contrariando as produções anteriores, Guardiões da Galáxia transformou sua trilha em uma parte essencial para a história de Peter Quill e seus amigos. James Gunn, roteirista e diretor do filme, mudou completamente a forma de trabalhar as músicas dos filmes da Marvel, uma coisa que nenhum outro diretor do UCM foi capaz de fazer.

Desde o começo da produção de Guardiões da Galáxia, James Gunn planejou o filme em torno da trilha sonora, conhecida como Awesome Mixtape, que no filme é criada pela mãe de Peter Quill, o que assegurou que a trilha não seria só mais um componente da história e sim um dos elementos mais importantes para a trama.

“Eu ouvia a playlist no meu som em casa e algumas vezes ela me inspirava para fazer uma cena em volta de uma música, e outras vezes eu tinha uma cena que precisava de música e eu ouvia a playlist para tentar encontrar qual funcionaria melhor” James Gunn.

Quando Gunn finalizou o roteiro, as músicas já estavam postas em cada cena do filme. Além da inovação, o diretor pediu que todas as músicas fossem compostas com orquestra do longa, para que pudesse usá-las durante as gravações. Assim, o elenco e a equipe podiam se mover de acordo com a música, o que deixava a cena ainda mais harmônica.

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Foi assim que a trilha sonora de Guardiões da Galáxia se tornou quase um novo personagem da trama. James Gunn ainda brincava com a trilha escolhida, muitas vezes ele usava o recurso para demonstrar ironia, um exemplo é quando a equipe estava sendo presa no começo do primeiro filme, foi reproduzida a música Hooked on a Feeling no lugar de uma trilha sonora triste, o que seria a normalmente utilizada.

“As músicas reforçam a positividade que Meredith Quill (mãe de Peter) quer que Peter encontre nessas situações”, afirmou o diretor.

Com exceção de duas músicas escolhidas, a maioria das canções eram sucessos do passado, mas desconhecidas para grande parte do público do filme. Essa foi a intenção do diretor, ele queria que as pessoas reconhecessem as músicas, sem saber de onde.

A Marvel, vendo o potencial não só nas telas de cinema mas também em aparelhos de som, decidiu lançar a Trilha sonora do filme, que juntamente com a estratégia de seleção usada por James Gunn, se tornou um dos maiores orgulhos para a produção. A trilha lançada que contava com as 12 músicas selecionadas por Gunn, intitulada “Guardians of the Galaxy: Awesome Mix Vol.1”, chegou ao topo da Billboard 200, que se trata de uma lista no qual é classificada os 200 álbuns mais vendidos dos EUA, e se tornando a primeira trilha sonora da história, que foi lançada antes do filme, a realizar o feito.

Trilha 1:

 

Em Guardiões da Galáxia volume 2, James Gunn utilizou o mesmo método, Fox On The Run música utilizada no trailer do filme chegou, pela primeira vez, no topo da lista de rock do iTunes após ser utilizada pelo diretor. Não bastando, Gunn se arriscou ainda mais, produzindo uma música inédita para o filme, chamada Guardians Inferno, o diretor convidou David Hasselhoff para cantá-la, já que o mesmo seria um dos heróis da infância de Peter Quill. Para um pouquinho e escuta só essa obra de arte!

Guardiões do Marketing

Durante as investidas de marketing do filme, houve uma parceria da Marvel com a Pepsico. Foi lançada uma edição especial de Doritos que vinha com um toca fitas estilo walkman, utilizado no filme por Peter Quill, que continha a trilha sonora de Guardiões da Galáxia Vol. 2. O melhor de tudo é que esses toca fitas realmente funcionam! A venda começou no dia 28 de abril, um dia depois do lançamento do filme no Brasil, e aconteceu somente no site Amazon.

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E não parou por aí: foram lançados pôsteres de Guardiões da Galáxia que eram inspirados em outros filmes, como Os Goonies e Star Wars. Esse feito ficou por conta de Matt Ferguson , olha só a semelhança! 

Uma empresa que tem explorado o sucesso dos super heróis é a Lego, a fabricante dinamarquesa de pecinhas tem produzido conteúdo em sinergia com o universo DC e Marvel. No vídeo abaixo temos uma animação em Lego de Guardiões da Galáxia Vol. 1.

 

Outra produção de conteúdo sobre o tema foi desenvolvido para a Marvel Kids, subsidiária da criadora dos super heróis, mas com foco num público infantil. A empresa desenvolveu algumas animações que contam as origens dos personagens. Veja os vídeos no site da Marvel Kids Brasil.

Que a Marvel entende de cenas pós créditos não é novidade, a empresa que utiliza desse recurso para manter seu público mais um pouco nas salas de cinema e instigar a criação de teorias para acontecimentos futuros, foi além em Guardiões da Galáxia. A produção contou com CINCO cenas pós créditos, que foram devidamente distribuídas durante todo crédito, além de nos dar as famosas pistas para o futuro do universo cinematográfico Marvel, trouxe humor e demonstrou um pulo temporal que acontecerá entre o volume 2 e volume 3 da trama.

A Marvel trabalha muito bem o humor em seus filmes, mas Guardiões demonstrou  que o gênero comédia pode ser muito bem utilizado dentro de todo o filme. Podemos identificar essa estratégia também em Homem-formiga, filme lançado um ano após Guardiões da Galáxia e traz em sua maioria o gênero comédia.

Dá pra notar que Guardiões da Galáxia não foi apenas mais um filme do universo cinematográfico Marvel. Ele foi uma peça chave que inovou tanto nas suas produções como no marketing, e abriu portas para novas possibilidades dentro das produções da empresa e até mesmo do mercado de filmes de heróis.

E pode aguardar que no próximo lançamento  fod* dessa rainha dos quadrinhos, nós estaremos aqui pra comentar. ❤

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Texto: Natália Souza

Capa: Aline Passos Silva

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