Viralidade: A epidemia da internet

Internet! Uma terra gigante que cada vez adere mais usuários. Onde os “15 minutos de sucesso” valem muito. Mas, agora com essa corrida pelo domínio da internet, essa disputa ficou muito mais acirrada. Os conteúdos postados se disseminam entre as pessoas cada vez mais facilmente, podendo, muitas vezes, ir além do público-alvo desejado. Isso é o que acontece quando a viralidade entra no assunto.

Animated GIF  - Find & Share on GIPHY

O termo viral está associado a velocidade da propagação de uma determinada informação, tendo como base de comparação biológica. Como uma epidemia. A viralidade na internet é a disseminação em grande escala de um material, no meio virtual.

A viralidade é uma característica marcante da internet, principalmente com a popularização das redes sociais. O marketing, aproveitando isso, procurou criar e explorar conteúdos com potencial de se tornarem virais (sim amigos, criar um viral não é nada fácil). Mas, como nem tudo são flores, a viralidade tem seus lados negativos, principalmente no que diz respeito ao jornalismo. Com a rápida disseminação de notícias, muitas vezes as pessoas não verificam suas fontes e espalham informações falsas, que são uns dos maiores problemas da internet.

Mas, como aponta The Full New York Times Innovation Report, a viralidade, acima de tudo, é a percepção do leitor de se conectar com determinado conteúdo e ter a vontade de compartilhá-lo com seus conhecidos. Ou seja, o leitor utiliza uma postagem para se sentir integrante de um determinado grupo. Se ele se tiver esse sentimento, é muito mais provável que ele compartilhe um conteúdo que atraia a atenção das suas conexões virtuais.

Assim, o que a viralidade pode fazer com o setor da comunicação? Os jornalistas, os analistas e os publicitários se tornaram mais preguiçosos? Com certeza não! Para quem acha que essa fama repentina só é fruto de uma coincidência e muita sorte se enganou. Existem fórmulas e até profissionais cujo objetivo é transformar um assunto em algo “viral”.

Pois é! Isso com certeza é novidade para muita gente. Mas muitos canais de informação estão usando essa estratégia para que suas notícias se tornem cada vez mais acessadas. Tan tan tan!!!

Animated GIF  - Find & Share on GIPHY

Temos como exemplo o BuzzFeed, que está no topo de empresas que aplicam esses métodos às suas publicações. Integrando técnicas de jornalismo e publicidade em suas postagens e anúncios “disfarçados” de notícias (artigos patrocinados). Veja os exemplos abaixo, são duas das famosas listas do BuzzFeed. Essas, porém, foram patrocinadas por uma empresa:

https://www.buzzfeed.com/itau/fotos-de-gatos-que-traduzem-perfeitamente-sua-relacao-com?utm_term=.ia6q2EZX7#.qcoB5NroW

https://www.buzzfeed.com/havaianasbr/a-susana-vieira-consegue-adivinhar-a-sua-idade-mental?utm_term=.mr6VQE4Ln#.arq4ljXn5

Delia Rodríguez (2013) diz que existe uma imensidade de publicações produzidas e publicadas diariamente no seu feed de notícias. As postagens competem entre si para chamar a sua atenção. Pode ser aquela foto da festa que você foi com os seus amigos ontem ou aquele vídeo fofinho do pet. Mas não basta apenas publicar. O conteúdo deve ser relevante para o leitor. Se a pessoa clica num post atrás de uma promessa que não é cumprida, dificilmente ela vai acessar outro conteúdo deste autor.

“Não se pode enganar os leitores…. Não nos perdoarão se desperdiçarmos seu tempo. ”

                                  Delia Rodríguez, diretora do ‘Verne’

A viralidade torna aquele conteúdo atemporal. Ou seja, a qualquer momento você pode ver um “viral” de volta ao topo de visualizações, reações, compartilhamento, conforme exemplo citado por Cris Anderson no livro a Cauda Longa. O autor conta o exemplo do livro Tocando o Vazio, escrito pelo montanhista inglês, Joe Simpson, em 1988. Durante muito tempo o livro fez pouco sucesso, até que foi lançado no mercado um outro título, No Ar Rarefeito, de Jon Krakauer, que se tornou um sucesso de vendas. A medida que as pessoas compravam No Ar Rarefeito, os algoritmos indicavam para os usuários a obra de tema semelhante, Tocando o Vazio. Resultado, em meados de 2004, Tocando o Vazio vendia mais do que o dobro de No Ar Rarefeito.

Repare que passados muitos anos, a versão “antiga” da história foi puxada para o sucesso.

Animated GIF  - Find & Share on GIPHY

Alguns veículos de comunicação perceberam que para atingir o sucesso nas redes sociais, eles não poderiam usar da mesma linguagem que utilizam em seus canais tradicionais, sejam eles, TVs, rádios, jornais impressos, ou qualquer outra forma de comunicação de massa. Listas, humor ou fotos chamativas estão dominando os feeds de seus sites proporcionando cada vez mais a interatividade do público mais conectado e em jornais impressos, fotos que dominaram as páginas com títulos bem sugestivos também mudaram a linguagem do jornalismo.

Animated GIF  - Find & Share on GIPHY

Então a viralidade não depende taaaaanto assim do conteúdo, mas sim da imagem que queremos passar para as outras pessoas e como essa imagem vai ajudar a melhorar nossas relações com outros indivíduos. Pesquisas foram realizadas para entender a conectividade do nosso cérebro durante a interação social.

Os resultados indicam que as questões que são automaticamente relevantes estão entre os temas de conversa mais frequentes, por exemplo aquela situação que aconteceu no seu trabalho ou aquilo que você presenciou na rua… Através desse mecanismo neuronal, as expectativas de obter resultados positivos sobre si a própria imagem ao compartilhar determinado conteúdo, explicam os autores do estudo, publicado na revista científica PNAS.

Mas quando uma pessoa compartilha um determinado conteúdo, ela automaticamente leva em consideração a reação do público que vai ter acesso àquele compartilhamento. Mesmo que essa reação seja positiva ou negativa. Um exemplo disso são os famosos que  participam ativamente das redes sociais. A partir do momento que interagem com seus fãs, já esperam a reação dos famosos haters em suas publicações.

Animated GIF  - Find & Share on GIPHY

Segundo Emily Falk, responsável pela pesquisa e diretora do Laboratório de Neurociências da Universidade da Pensilvânia, as notícias mais compartilhadas são aquelas que levaram o leitor a relacionar aquele determinado assunto com algo que tivesse os laços mais próximos do cotidiano. Ou que pudesse remeter a algum acontecimento que criasse um sentido de quem são ou querem ser. Ou seja, notícias que poderiam melhorar suas conexões, mostrando inteligência e empatia. Uma imagem pessoal melhor.

Animated GIF  - Find & Share on GIPHY

Tiveram como conclusão desse estudo que os seres humanos não são tão diferentes. As sociedades com que estamos envolvidos é cercada de condutas sociais e valores comuns que ligam um conjunto de indivíduos. Uma notícia desse tipo pode ser mais característica pelo sentimento de pertencer a um grupo como esse exemplo do Buzzfeed sobre As 14 conversas de WhatsApp mais MÃE que já aconteceramque viralizou na internet pelas pessoas se identificarem com situações vivenciadas com as próprias mães.

O FILTRO-BOLHA ONLINE INVISÍVEL:

Já que estamos falando de assuntos virais: você sabia que o Google e o Facebook possuem uma espécie de “filtro invisível” de conteúdo que é exibido para seus usuários?!? Isso não é exclusividade dos dois… diversas plataformas estão criando uma bolha de informações que nos cercam. E são eles mesmos que escolhem o que entra e o que sai.

Essas mudanças foram bem camufladas para que os usuários quase não percebessem a sua presença. Um exemplo disso: se duas pessoas pesquisarem o mesmo assunto no Google, dependendo de sua localização, de seus interesses e do histórico de suas buscas mais frequentes, seus resultados podem variar muito. Já no Facebook, os amigos que você quase nunca interage começam a desaparecer do seu feed de notícias e os amigos que você mais interage começam a ganhar maior destaque.

Foi correndo olhar seu feed de notícias do Facebook para ver se isso é verdade? Conseguiu achar aquele amigo que você não interage a uns 3 anos?

Animated GIF  - Find & Share on GIPHY

Mas como assim? O lugar que se diz ter a maior liberdade consegue prender seus usuários com tanta facilidade? Pois é! E, sem muito estardalhaço, eles começam a moldar e personalizar todas as informações que temos acesso. Basicamente, eles criam uma barreira em que os algoritmos (Sequência de operações que oferece a solução de um determinado problema) são os porteiros e controlam o que entra e o que sai.

Isso é feito pelas plataformas para você ter acesso ao que é de maior interesse seu e para que sua publicidade seja aplicada corretamente. Esse auxiliar inteligente aplicado nos algoritmos dessas plataformas, seja em redes sociais, ou em plataformas de busca, escolhe o que você deve ver ou o que não deve ver.

Animated GIF  - Find & Share on GIPHY

Então, o que aparece para você, na verdade, é a identidade criada por você na internet. Os resultados de sua pesquisa vão ser característicos da sua imagem construída, dos seus interesses e das suas informações compartilhadas com essas plataformas, seja Google, Facebook, Apple, Microsoft…

Então, para finalizar, vai uma dica muito bacana do NCD para a sua sessão do findes. O documentário Terms and Conditions May Apply (2013) que conta um pouco sobre o que as corporações e empresas governamentais têm acesso sobre nosso uso da internet e celular e como eles usam essa informação. Vale muito a pena dar uma olhada.

 

REFERENCIAS:

http://brasil.elpais.com/brasil/2015/02/06/internacional/1423226797_792858.html

http://brasil.elpais.com/brasil/2017/02/27/ciencia/1488196723_387049.html

https://www.ted.com/talks/eli_pariser_beware_online_filter_bubbles?language=pt-br

http://www.b9.com.br/73709/social-media/facebook-promete-furar-seu-filtro-bolha-com-artigos-relacionados-em-noticias-duvidosas/

PARISER, Eli. O FILTRO INVISÍVEL: O QUE A INTERNET ESTÁ ESCONDENDO DE VOCÊ. 2012. Editora Zahar.

RODRÍGUEZ, Delia. Memecracia: los virales que nos gobiernan. 2013. Gestión 2000.

 

Texto: Aline Passos Silva

Capa: Aline Passos Silva

Anúncios

Deixe um comentário

Faça o login usando um destes métodos para comentar:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s