Comunicação e Cibercultura.

“Estou perdido”. “Muita coisa para acompanhar”. “De quando é essa notícia?” Essas são falas recorrentes na pós-modernidade, onde tudo é efêmero e ao mesmo tempo totalmente abastecido de informações e conteúdo. Vivemos em uma época muito diferente das outras (ok, isso é óbvio). O que estamos tentando dizer é que em nenhuma parte dos registros fornecidos pelos livros de história você irá encontrar alguém que ficou rico porque passou vergonha – só um “camarada” chamado Hitler, mas isso fica para outro texto.

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O período entre o final do século XX e o início do século XXI ficou marcado por diversos acontecimentos ocorridos num espaço curto de tempo: globalização, internet, 7×1 contra o Brasil. 😦

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E nós ainda estamos perdidos quando se trata de comunicação. Temos muito pouco tempo de convívio com essas tecnologias de comunicação e de informação para saber realmente como tudo REALMENTE funciona. Todo dia algo muda. Em outro contexto, antigamente era preciso esperar anos e anos (às vezes décadas ou até mesmo séculos)  para que houvesse alguma mudança significativa no modo de vida dos indivíduos.

Com a chegada da internet – que não tem tanto tempo assim, no Brasil ela chegou em 1988 mas só foi se popularizar a partir da década de 2000 – houve outra vez um reinvento da comunicação. Nos dias de hoje, por exemplo, qualquer um é capaz de emitir e receber informação/conteúdo. Houve uma certa democratização – pelo menos em termos – da informação.

“É impossível separar o humano do seu ambiente material, assim como dos signos e das imagens por meios dos quais ele atribui sentido à vida e ao mundo. Da mesma forma, não podemos separar o mundo material –  menos ainda sua parte artificial – das ideias por meio das quais os objetivos técnicos são concebidos e utilizados, nem dos humanos que os inventam, produzem e utilizam.” – Pierre Levy.

Com esta citação de Levy, entendemos que tanto a cultura sofre influência da tecnologia, quanto o contrário. A partir deste ponto, podemos analisar o que ele chamava de Cibercultura, que é a cultura que surge pelo uso da internet e das TICs (Tecnologias de Informação e de Comunicação).

Nesta contexto, a linha entre produtor e emissor é tênue. Qualquer um pode ser um potencial produtor e consumidor dos conteúdos e informações. E é justamente isso que fala a sua primeira lei. A “Liberação do polo de emissão” basicamente quer dizer que qualquer pessoa pode fazer o papel de uma estação de TV, rádio ou jornal, disseminando informações e produzindo conteúdos.

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Por muitos anos, as mídias tradicionais é quem tinham o controle absoluto da informação. Até hoje, as grandes emissoras ainda tem bastante força na comunicação de massa, mas as mudanças não param de acontecer. Antes, todos os estereótipos que circulava o imaginário do cidadão brasileiro eram definidos pelas redes que comandam estas mídias.

As mídias tradicionais de comunicação só não tem ‘essa força toda’ por haver outras ideologias na sociedade, como igreja e família, por exemplo. Entretanto, no século anterior, mesmo que não tivesse todo esse poder, elas ganhavam força por não haver grande disseminação de outros pontos de vistas.

 

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A comunicação nunca consegue ser totalmente imparcial, seja qual for a forma de manifestação. O jornalismo, por exemplo, nada mais é do que um recorte de uma realidade adaptada de acordo com a visão do editor, certo?

Não existe comunicação inerente a uma posição. Uma simples troca de palavras pode gerar opiniões totalmente diferente em um texto qualquer. Se um jornal publica uma manchete que ao invés de dizer “presidente de Cuba Fidel Castro” refere-se como “ditador de Cuba Fidel Castro”, ele já deu sua posição. Por mais que fosse em tempos em que não havia internet, a informação privilegiada era sempre do status quo.

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A internet veio como uma luz. #améminternet Ela foi construída para ser uma rede descentralizada e logo virou um grande instrumento para a liberdade de expressão. Já presenciamos muitas mudanças e ainda veremos muita coisa acontecer por causa dessa democratização.

Um exemplo muito importante e que provavelmente irá ser estudado no futuro é o caso do grupo Mídia Ninja. Enquanto muitas emissoras – no começo – não transmitiam o que acontecia nos protestos que ocorreram em 2013, eles deram um passo importante, sendo responsáveis por passar o que acontecia lá ao vivo.

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Transmitir estes acontecimentos em tempo real para a população acabou aumentando a adesão das pessoas aos protestos, algo que não era visto há muito tempo no Brasil. Acho que podemos considerar uma mudança e tanto, né?

Enquanto não houver uma maior democratização das mídias tradicionais no Brasil, não haverá mudanças significativas em quase nenhuma esfera. Por agora, devemos utilizar o que temos em mãos, no caso, a internet, para que talvez no futuro possamos nos igualar a países como Reino Unido, França e Suécia, onde os serviços públicos de comunicação tem autonomia e financiamento adequado. Essas nações também têm instrumentos legais para garantir o acesso dos meios comunitários e os grupos privados são submetidos a certas regras para garantir a diversidade.

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Acreditamos que a internet é necessária para que as pessoas possam disseminar cada vez mais outros pontos de vista e alternativas ao que a mídia tradicional não mostra. Mas sem deixar de lutar por uma mídia padrão mais democratizada, como nos países citados anteriormente. Afinal, infelizmente,  apenas pouco mais de 50% dos brasileiros têm, de fato, acesso à internet em casa.

Texto por: Eric e Filipe.

Arte da capa: Vinicius Campana.

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