Jornalismo Longform

Você gosta de textão no Facebook? Tem mania de fazer um post com muitas e muitas linhas? Ou gosta só de ler? Porque, atualmente, o que mais temos no nosso feed é alguém escrevendo muito sobre algum tema, principalmente quando ele é polêmico. Se você tiver paciência para ler textão de Facebook, pode se preparar, porque nós do NCD vamos falar sobre um novo estilo de texto jornalístico que tem sido frequente em alguns sites.

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Esse novo estilo se chama Jornalismo Longform (dá pra perceber no nome que fala sobre texto longo, certo?) e sempre foi utilizado para definir um conteúdo mais longo e completo sobre algum tema (viu?). Geralmente é visto em algumas grandes reportagens de portais, já que se aprofundam em um assunto, e precisa ter uma equipe muito grande, assim como o tamanho do investimento, para ser produzido.

Por muito tempo, os sites de notícias só divulgavam textos curtos, com informações mais diretas. De meados de 2010 pra cá, quando o texto Longform passou a ser discutido em redações de grandes jornais, foi cada vez mais visto tipos de textos mais longos e com mais informações sobre alguns assuntos.

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Um dos primeiros grandes jornais a começarem a produção desse estilo de texto foi o The Guardian, de Londres. Muito conteúdo (como imagem, vídeo, interação) era usado junto ao texto e, quando perceberam que era um estilo que agradava parte dos leitores, o jornal passou a ter páginas e editorias exclusivas de desdobramentos e informações sobre temas tratados no Longform.

Para muitos jornalistas, esse tipo de texto é necessário em nossa sociedade para ajudar os indivíduos a se aproximarem da leitura. Como assim, NCD?

Não é segredo que nós costumamos passar qualquer post que tenha mais de cinco linhas explicando uma história, certo? Nós só lemos quando é algum caso muito interessante ou curioso para ler. Isso significa que os textos Longform devem ser atrativos para que os leitores tenham curiosidade e o desejo de continuar lendo o texto.

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E é um estilo que chama a atenção não só por ser longo, mas por trazer toda a apuração, contextualização e aprofundamento bem detalhado e explícito do jornalista. Isso quer dizer que você tem que estar super disposto a tirar um tempinho do seu dia e ler o que foi produzido com muito cuidado e carinho pelo repórter.

O Longform traz como uma de suas características evitar que os “achismos” sejam criados, ou seja, as informações que foram divulgadas são todas as informações que o jornalista conhece sobre o assunto. E só isso.

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Mas não vá ler um texto Longform achando que é só texto e mais texto e mais texto! Para ser um texto desse estilo, são usadas imagens, gráficos, infográficos, vídeos, áudios e interações entre portais e leitores. Isso gera um feedback importante para as empresas jornalísticas e também gera empatia entre elas e os leitores, que sempre vão voltar a ler textos daquele site se forem respondidos de volta.

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É uma relação de puro amor e respeito!

E por que produzir textos Longform quando o Jornalismo enfrenta uma crise que parece não acabar mais?

Porque, mesmo tendo um número alto de jornalistas sendo demitidos das redações, as pessoas querem e precisam ler matérias de qualidade nos jornais e começaram a investir no Longform após notarem que ele caiu nas graças dos leitores. Adotar esse novo estilo nas empresas, mesmo que apenas na página da web, já é uma forma de mostrar que o Jornalismo brasileiro respira por aparelhos, mas sobrevive.

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Existem jornalistas, como Marcelo Leite, jornalista responsável por grandes reportagens da Folha de São Paulo, como A Crise da Água e A Ditadura Militar, que falam que o Longform surgiu também para auxiliar no Jornalismo narrativo, que é escasso no nosso país tropical. E existem outros, como Esdras Marchezan, do Repórter de Rua, que ressaltam: “é a resistência do nosso Jornalismo”. Na América Latina, já é um estilo de texto muito presente e que está lutando para continuar vivo quando há tanta produção de conteúdo mais fácil nas redes sociais.

Aqui no nosso país, alguns portais em que encontramos textos de Jornalismo Longform são o Uol Tab (do portal UOL) e o Tudo Sobre (da Folha de São Paulo). A Agência Pública produziu uma reportagem especial, Vigilância, em que os leitores interagiram ativamente com o conteúdo jornalístico divulgado.

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Em Londres, foi criada a revista Aeon, em 2012, que tem como marca a publicação de textos mais longos. O The Verge, site de Nova York lançado em 2011, possui uma aba especial para os textos Longform, que é destinada às grandes reportagens do site.

Outro portal que se destacou muito nesse meio também foi o The Epic, fundado em 2013, que lança publicações de não-ficção. As obras são gratuitas e eles colaboram com a divulgação dos trabalhos dos autores que, geralmente, almejam o cinema. O exemplo mais visto que teve um empurrãozinho do portal é Argo, escrito por Berman.

O título te lembra algum filme? Talvez aquele com o Ben Affleck, Bryan Cranston… ainda não?! Bom, o filme é de 2012 e ganhou o Oscar de Melhor Filme do Ano de 2013. A história original ainda está disponível no portal The Epic e esse filmão está na Netflix também.

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Bom, ficou claro no nosso texto que o Longform é diferente do modelo jornalístico tradicional em vários meios. O primeiro estilo traz um conteúdo marcado pela leitura em pé, visando principalmente a leitura em celulares, já que ele não sai da mão das pessoas. Além disso, esse novo formato apresenta uma leitura mais lenta que as matérias que costumamos encontrar nos jornais impressos e na web.

A vantagem é que, com uma nova maneira de escrever sobre um tema, as pessoas se mostram interessadas a descobrir mais em relação a o que é esse novo formato e acabam se apegando ao Jornalismo Longform. Tomara que ele possa ser um jeito de salvar o nosso Jornalismo, né? #dedoscruzados

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